quarta-feira, 30 de março de 2011

Claridade

Este pequeno poema foi escrito em 2007, acredito que seja o mais recente de todos. Lembro-me de ter escrito em poucos minutos, em uma noite daquelas em que eu me propunha a realizar algumas coisas diferentes. Apesar de meio "bobinho", ficou, aos meus olhos, interessante.

Claridade



Nas manhãs ensolaradas o sol ilumina o dia.

Irradia e espalha alegria.

Mas se o dia amanhece feio, frio e chuvoso,

Nossa disposição tem que iluminá-lo e deixá-lo gostoso.


Nas noites enluaradas, a lua clareia o céu.

Em harmonia com as estrelas forma um lindo véu.

Mas há noites escuras de lua nova,

E o afeto dos apaixonados clareia e renova.


Quando a felicidade nos acompanha, o que ilumina o mundo é o sorriso.

Deixando a impressão de que nada mais é preciso.

Mas se a luz repentinamente se vai, trazendo tristeza e solidão.

Há sempre um brilho forte, pois mesmo na escuridão, o que ilumina é o coração.



Elso Luiz Pini Junior 02/07/2007

segunda-feira, 28 de março de 2011

Olhos Claros

Hoje publico um Texto que escrevi em 2005, por causa da "onda virtual", quando ficaram muito frequentes os "encontros às escuras" marcados via MSN e afins.


Olhos Claros


Não há tempo, nem espaço, talvez exista apenas um lugar.

Nem distante, nem perto, nem ao menos se pode tocar.

Mas eu vejo, eu sinto, eu quero, enxergo de olhos fechados.

O que não se vê, não se sente, nem se compra em supermercados.


Mesmo sem ver, sinto saudade, como se fosse realidade.

Mas onde está, se torna maldade, não está nem mesmo nesta cidade.

Porque será que fica um imenso vazio em um pobre coração.

Que deixa o corpo e a alma imersos em uma eterna escuridão.


Chego a pensar que é loucura, mas com os olhos sinto que posso escutar.

E como magia de cada uma das palavras consigo me lembrar.

A imaginação me leva a ficar frente a frente com estes olhos claros.

Mas um estalar de dedos me traz ao presente e percebo que estes olhos são raros.


Mas a esperança e o tempo são uma eterna verdade.

Que promovem ainda mais uma estranha ansiedade.

De não acordar desse sonho tão belo em vão

E perceber que acordado o que tenho é apenas solidão.

ELPJ 15/01/2005

quarta-feira, 23 de março de 2011

Por Um Momento

Acredito que todos nós, em algum momento da nossa vida sentimos coisas que não gostaríamos de sentir e pensamos o que não gostaríamos de pensar, até porque sentimento e pensamento são incontroláveis e automáticos. Não há como negar que este texto transcrito abaixo, foi escrito em um dia desses, em que por alguma razão fui dominado pelos meus sentimentos e pensamentos. Mas, gostei bastante da forma que ele tomou e por isso publico.


Por Um Momento

Nem que fosse por um momento
Queria fugir deste tormento
E morrer dentro de ti ao menos em pensamento
Poder sorrir ao perceber seu sofrimento

Ver a partir dos teus olhos que seu sorriso não é verdadeiro
Sentir pelo seu coração a dor do arrependimento
Perceber pelos seus passos que a firmeza não passa de fingimento
Apreciar as lágrimas que escorrem da sua alma o tempo inteiro.

Chorar junto contigo, ao sentir outras mãos em seu corpo
Tirar o seu ar na hora em que desesperada procura meu cheiro
Me calar enquanto seus suspiros deixam a falsa impressão de prazer
E fugir na hora em que o calor que te apossa não vem de mim.

Mas ver sem ser visto o seu olhar distante e vazio
Que procura no horizonte por respostas que nunca tiveram perguntas
E depois de tudo isso queria tentar ressuscitar em um outro corpo qualquer
Para que ao menos por um momento seu rosto novamente eu possa tocar.

Elso Luiz Pini Junior - 4/10/04

segunda-feira, 21 de março de 2011

Corpo, Alma e Palavra

Vamos lá, continuando com as publicações antigas.
Hoje, um texto do distante ano de 2004. Resolvi publicar este para mostrar que nossos dias podem não ser bons, mas podem produzir palavras interessantes.



Corpo, Alma e Palavra - 19/10/2004

Por vezes não sinto vida em meu corpo
Percebo um vazio enorme que povoa a minha alma
Então escrevo para lembrar que ainda existe vida no meu coração.

Tento abrir os olhos, mas tudo o que vejo é escuridão.
A leveza da alma se transforma em um fardo difícil de carregar.
Mas as palavras fluem sem parar, como se não precisassem de um sentido.

Sei que na verdade não estou mais aqui
Ou então este é apenas o meu maior desejo.
Contudo, não há como me esconder das palavras.

Sou um corpo sem alma, formado por palavras desconexas.

sábado, 19 de março de 2011

Palavras Jogadas

Cá estou eu, para publicar mais um dos meus textos antigos. Este de 1995.
Por mais estranho que possa parecer, esse é um dos meus preferidos e um dos mais difíceis que escrevi. Tentei, inutilmente, por diversas vezes, repetir este estilo, mas sem sucesso algum.
Espero que gostem e não tentem entender, pois tem sentido, mas sem sentido algum.


Palavras Jogadas

Trovão, chuva e sol. Céu.
Azul, marinho e cavalos no pasto.
Ruas secas, chão molhado, barro e praia, pequena é claro.

Corda no pescoço do enforcado, dinheiro no banco e no bolso.
Serviço acumulado e parado, dias de tempestade.
Copo d´água cheio de vodca.
Ilusão. LSD no futuro, fuga sem saída nem entrada, nem porta.

Porca e parafuso, ponto e parágrafo.
Duas vezes duas tribos e três índios perdidos no espaço sideral. Que Legal!
Vila velha e vila nova em Goiás e Goiatuba.
Mulheres negras que são homens brancos.

Brasil do couro de jacaré, rio mucugezinho da chapada.
Flash de máquina fotográfica, flash do passado.
Passageiro do futuro, passado, o que passou passou.
Roupa limpa e feia, fora da moda, dentro do corpo.

Cinto e sinto muito, muito mesmo.
Tarde demais, o sol se pôs e a Lua se atrasou, esqueceu de passar batom.
Ficou vermelha de vergonha e virou Mercúrio.
Ilumina o machucado e não cura, que droga!

Parece cocaína, mas é falta de porrada.
Bicicleta com quatro rodas e capô.
Mas sem motor, motocicleta, boneca e ursinho de pelúcia.
Que sino, que sina, que sono.

O galo já cantou, mas foi no agreste e vai ficar para o almoço.
O que vai ter de janta?
Ovo de Páscoa trazido pelo Papai Noel.
E se ele não tiver a chave?

Faz parte do show e o Gugu pediu um hambúrguer.
E se não existir mais chave?
Qual a fórmula de disputa do nacional?
Econômico e prejuízo, como sempre, na certa, certeza, absoluta como o rei.

Ouvido tapado, esparadrapo do mato e capim.
Chá de ervas, saúde, boa sorte!
E se eles perderem a chave do hospício?
Como é que eu vou sair daqui?


Elso Luiz Pini Junior - 17/08/1995

quarta-feira, 16 de março de 2011

Desespero

Quase 20 anos atrás, em outro ciclo da minha vida.
Mas, esta postagem ainda é muito atual no meu pensamento e tomara que seja interpretada da forma que eu tentei transmitir.


Desespero


Sou apenas um grito na escuridão.
Um rosto na multidão.
Não reconheço nem mesmo a minha casa
E são tão diferentes todos aqueles que me rodeiam.

De que mundo eu vim?
Em que planeta estive vivendo?
Afinal, aprendi que deveria ser sempre certo
E nesse mundo sofro por ser certo sempre.

Aonde se guarda a razão por aqui?
Porque ninguém a usa mais?
Será que no ventre daquela criança existe uma boneca?
Que estranho o jeito que se brinca por aqui.

Como faço para voltar?
Existe uma nave a minha espera?
Ninguém me vê, sou apenas um rosto na escuridão.
Ninguém me escuta, sou apenas um grito na multidão.

Elso Pini 07/08/2004

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...