Em virtude da enorme criminalidade e da falta de segurança, muito se critica o desarmamento no nosso país. Combinando o armamento pesado dos bandidos com o medo da população, algumas figuras públicas apresentam como solução o armamento 'das pessoas de bem'.
Admito que é difícil ir contra essa ideia quando vemos na TV pessoas sendo assassinadas sem dó, assaltos no meio do trânsito, nas portas de suas casas, nas escolas onde ficam seus filhos.
Contudo, é preciso refletir profundamente quando tratamos do armamento de pessoas comuns, pois existem muitos fatores que passam despercebidos para aqueles que acreditam que uma arma lhes trará mais paz e segurança.
Primeiro, porque os bandidos não vão desaparecer nem desistir de assaltar. Pelo contrário, terão mais receio de encontrar um cidadão armado que possa reagir. Portanto, tendem a ser mais violentos e, ao escolher uma vítima, podem atirar primeiro para não correr o risco de virar alvo.
Segundo, manusear uma arma de fogo não é tão fácil quanto parece. Acertar a mira e suportar o recuo de uma arma não é para qualquer um.
Terceiro, o risco de acidentes domésticos aumenta significativamente. Armas em locais de fácil acesso a crianças, em brigas de casais, em festas com amigos e muito álcool são potenciais bombas-relógio para tragédias.
Quarto, e o mais fundamental, é a falta de educação do nosso povo. Vivemos em um estresse diário por motivos que deveriam ser banais, parte de um cotidiano absolutamente normal, como uma fechada no trânsito caótico, uma brincadeira sobre a derrota do time de futebol, uma cantada infeliz a uma mulher acompanhada, entre tantas outras situações. Tudo isso pode virar motivo para os valentões de plantão sacarem suas armas e 'acertarem as contas' com o outro. Momentos de raiva e tensão podem desencadear em pessoas desequilibradas um enorme prazer em fazer justiça com as próprias mãos. E não há nenhuma estimativa segura sobre quantas pessoas assim existem na população.
Por fim, uma arma de fogo não é barata, assim como o processo para conseguir o porte. A liberação da venda pode criar um comércio paralelo ilegal e endividar aqueles que tentarem fazer a aquisição pelo caminho certo.
Eu só vejo uma solução, a mesma que resolveria praticamente todos os nossos problemas: investimento pesado em educação, saúde mental, lazer e desenvolvimento pessoal. Como isso é demorado, infelizmente ainda é preciso investir muito em segurança. As armas devem estar nas mãos de pessoas preparadas, treinadas e capacitadas para agir, e não nas mãos de quem não acredita mais na ação desses profissionais e, portanto, sente que precisa garantir sua segurança sozinho.

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