segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Depenado


A vida ainda não achou um jeito de sair daqui.
O suor brota da minha testa.
Escorre pelos meus olhos e cai.
Onde está minha família?

O exército não é salvação.
As balas das escopetas serão?
Elas chegam rápido para me depenar.
Mas sou galo forte.

Não são essas balas que irão me levar.
Lá vem mais um com a metralhadora.
Babando no meu chão.
Na minha ente as fotografias.

Tenho comigo um repelente.
Mas meus amigos não têm a mesma sorte.
Será mesmo uma dádiva sobreviver?
Lá vem eles de novo para me depenar...

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Ego Inflado


Vivemos em uma época marcada pela exposição constante, pelas comparações rápidas e pela necessidade de validação quase ininterrupta. Nesse cenário, é comum vermos pessoas que aparentam extrema autoconfiança, com discursos prontos, poses impecáveis e um brilho que impressiona à primeira vista. Mas nem sempre o que parece força é realmente solidez. Muitas vezes, por trás de uma imagem de superioridade, existe um ego inflado tentando esconder inseguranças profundas.

O ego inflado é diferente da autoestima saudável. Enquanto a autoestima se constrói com base no autoconhecimento, na aceitação das próprias imperfeições e no respeito pelas diferenças, o ego inflado busca aplausos. Ele se alimenta de comparações e precisa constantemente provar valor, muitas vezes diminuindo os outros para se sentir maior.

Na psicologia, esse mecanismo costuma aparecer como uma defesa. Quando a pessoa se sente vulnerável, rejeitada ou inferiorizada em algum momento da vida, pode acabar construindo uma imagem idealizada de si mesma como escudo. Esse comportamento pode até funcionar por um tempo, mas não sustenta relações saudáveis nem promove crescimento verdadeiro.

Pessoas com ego inflado podem ter dificuldade em ouvir críticas, mesmo as construtivas. Costumam reagir com impaciência quando não são reconhecidas da forma que esperavam. E frequentemente se sentem ameaçadas pelo sucesso alheio, porque veem o mundo como uma competição constante. Essa postura cria um ciclo de tensão emocional. O medo de parecer fraco impede a vulnerabilidade, que por sua vez é essencial para conexões humanas verdadeiras.

Além disso, o ego inflado exige muito esforço para ser mantido. É como segurar uma máscara pesada durante o dia inteiro. Cansa, desgasta e, em muitos casos, isola. Porque, no fundo, poucas pessoas conseguem se aproximar de alguém que está sempre se colocando num pedestal.

Na vida profissional, esse tipo de comportamento também cobra seu preço. Líderes com ego inflado tendem a centralizar decisões, não reconhecem o valor da equipe e podem se tornar tóxicos no ambiente de trabalho. Profissionais assim, apesar de parecerem confiantes, nem sempre são confiáveis. A autossuficiência exagerada impede o aprendizado e dificulta parcerias duradouras.

É importante lembrar que todos nós temos um ego. Ele faz parte da estrutura psíquica e tem sua função. O problema não está em ter ego, mas em deixar que ele tome conta de tudo. Quando o ego se inflama, ocupa o lugar da escuta, do respeito e da empatia. E isso nos distancia das pessoas, da realidade e até de nós mesmos.

O caminho para lidar com esse excesso não é a negação, mas a reflexão. A terapia, pode ajudar muito nesse processo. Através do acolhimento e do diálogo, o paciente é convidado a enxergar quem é por trás da armadura. Com o tempo, vai se permitindo ser mais humano, mais real, mais inteiro. E isso é libertador.

Reconhecer que não somos melhores do que ninguém não nos diminui. Pelo contrário, nos coloca em igualdade com o outro e nos abre espaço para aprender, crescer e nos conectar de forma genuína.

E no fim das contas, o que mais preenche não é o aplauso. É o silêncio interno de saber que, com ou sem holofotes, estamos em paz com quem somos.


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O Fim das Bets

 

Vou deixar de ganhar dinheiro com a proibição das bets. E ficarei muito feliz se isso de fato acontecer.

Não sou influenciador e não recebo para divulgar apostas. Sou psicólogo e hoje uma boa parte dos meus pacientes desenvolveram ludopatia. Se menos pessoas precisarem de mim por esse motivo, posso ter uma redução na minha renda. É uma redução que eu gostaria de ver acontecer.

Tenho escutado que quem é contra a proibição das bets é quem está viciado ou quem ganha dinheiro com elas. As empresas, os influenciadores, os que recebem para divulgar aquela promessa de dinheiro fácil.

Não acho que isso explique a posição de todas as pessoas. Mas quero colocar nessa conversa uma situação delicada: eu também recebo dinheiro por um trabalho que existe, em parte, por causa dos estragos das apostas.

Nesse sentido muito específico, eu poderia ser colocado, entre aspas e com bastante cuidado, entre os “beneficiados” financeiramente por esse problema.

E sou amplamente favorável à proibição das bets.

Atendo pessoas que perderam dinheiro, casamento, vínculos familiares e a confiança de quem estava ao lado delas. Pessoas que precisaram de tratamento internadas em clínicas de recuperação. Em alguns casos, a família se junta para pagar as consultas, porque quem precisa de ajuda já não tem condições nem de arcar com o próprio tratamento.

É difícil chamar isso de benefício quando se conhece o sofrimento que chega junto com esse pagamento.

Meu trabalho é ajudar essas pessoas a recuperar a autonomia. E ficaria muito satisfeito se elas não tivessem passado por nada disso, mesmo que isso significasse menos consultas na minha agenda. Minha renda não pode ser o critério para decidir o que considero saudável para a sociedade.

Mas há outro ponto que precisa ser discutido: a ludopatia, a dependência dos jogos de azar, pode existir muito antes de alguém perder tudo.

Quem ganha também pode desenvolver dependência. Quem ganha pouco, quem ganha muito e quem aposta valores pequenos também. O resultado financeiro não é suficiente para dizer se uma pessoa tem controle sobre o jogo.

“Mas eu jogo só cinquenta centavos.”

“É só um real por dia.”

“Eu nem coloco dinheiro, só uso os bônus.”

Essas frases dizem quanto a pessoa aposta. Não dizem o espaço que a aposta passou a ocupar na vida dela.

A pessoa consegue deixar de jogar? Já tentou reduzir e não conseguiu? Fica ansiosa ou irritada quando não pode acessar? Passa o dia esperando a hora de buscar o bônus, girar a roletinha ou receber a aposta grátis? O jogo está tomando o lugar de outras atividades e continua mesmo quando começa a prejudicar sua vida?

Apostar todos os dias, isoladamente, pode até não permitir um diagnóstico. Mas a necessidade de apostar, a perda de controle e o sofrimento associado merecem atenção, mesmo quando os valores parecem insignificantes.

O prejuízo pode aparecer no tempo consumido, na preocupação constante, na dificuldade de estar presente numa conversa. Pode aparecer quando a pessoa está com a família, mas sua atenção continua presa à próxima oportunidade de jogar.

E ganhar dinheiro não elimina esses sinais. Uma sequência de ganhos pode alimentar a confiança de que está tudo sob controle, enquanto a pessoa se envolve cada vez mais.

Não precisamos esperar que alguém perca a casa ou o casamento para reconhecer que precisa de ajuda. Pequenas apostas podem acompanhar um problema que já existe e que pode se agravar.

Também me incomoda ver empresas, influenciadores e clubes de futebol defenderem a continuidade das bets falando do dinheiro que deixariam de receber, sem dar a mesma atenção às consequências para quem aposta e para suas famílias. Quem recebe para divulgar precisa considerar o que está ajudando a promover.

Defendo a proibição das bets porque conheço parte do sofrimento que elas deixam para trás. Sei também que uma proibição precisa de fiscalização e que quem já desenvolveu dependência continuará precisando de tratamento.

Receber para ajudar alguém a reconstruir a vida não me faz desejar que mais vidas sejam destruídas.

Eu preferiria que aquela pessoa ainda tivesse seu dinheiro, seu casamento e sua família. E que, na nossa sessão, pudéssemos conversar sobre os desafios do cotidiano, os relacionamentos e tudo aquilo que ela ainda gostaria de construir.

Síndrome de Paris

 


Viajar para Paris é, para muitos, a realização de um sonho. A cidade das luzes, dos cafés charmosos, das ruas históricas e da aura romântica parece perfeita nos filmes, nas redes sociais e nas revistas de turismo. Mas há pessoas que, ao desembarcarem lá, enfrentam algo completamente oposto ao encantamento esperado. Sentem angústia, frustração, ansiedade e até mesmo sintomas físicos intensos. É o que se conhece como a Síndrome de Paris.

Essa síndrome, embora pouco conhecida, é real e já foi registrada por diversos profissionais da saúde, especialmente entre turistas estrangeiros. Os primeiros relatos mais estruturados vieram de médicos japoneses, que perceberam um padrão recorrente entre alguns de seus compatriotas ao visitarem a capital francesa.

Mas afinal, o que é a Síndrome de Paris?

Trata-se de uma resposta psicológica intensa à decepção provocada por um choque cultural. A pessoa cria uma expectativa muito elevada sobre o destino, idealizando a cidade como um lugar perfeito, educado, acolhedor e elegante. No entanto, ao encontrar uma realidade diferente, com filas, pressa, grosserias, metrôs lotados, clima cinzento ou até discriminação, o contraste com o imaginado pode ser tão forte que o corpo e a mente reagem com desequilíbrio.

Os sintomas variam de caso para caso, mas costumam incluir taquicardia, tontura, sudorese, sensação de irrealidade, tristeza profunda, dificuldade de comunicação, delírios e em alguns casos, crises de pânico. É como se o cérebro não conseguisse lidar com a quebra da ilusão e, diante da frustração, ativasse um estado de alerta intenso.

Essa síndrome também escancara algo que vai muito além de uma viagem frustrada. Ela nos convida a refletir sobre as expectativas irreais que muitas vezes criamos. E não apenas em relação a lugares, mas a pessoas, relacionamentos, trabalhos e fases da vida. Idealizar demais algo, seja uma cidade ou um amor, pode gerar uma queda emocional profunda quando a realidade se mostra mais dura, comum ou distante do que se imaginava.

No caso da Síndrome de Paris, o choque cultural é um gatilho poderoso, especialmente quando há barreiras de idioma, alimentação e comportamento social. A sensação de inadequação pode se somar a um estado de cansaço físico, jet lag, solidão e dificuldade de adaptação.

É importante destacar que essa não é uma condição psiquiátrica permanente. Em geral, os sintomas desaparecem após o retorno ao país de origem, com o tempo e com o acolhimento adequado. Mas isso não significa que devam ser ignorados. O sofrimento é real e, quando não validado, pode deixar marcas emocionais.

A terapia, principalmente com uma abordagem acolhedora e centrada na escuta, como a humanista, pode ajudar muito nesses casos. O espaço terapêutico permite que a pessoa entenda de onde vêm suas idealizações, como lida com frustrações e quais padrões emocionais se repetem diante da decepção. Mais do que julgar o que sente, a terapia acolhe, compreende e fortalece.

A Síndrome de Paris é um lembrete de que não existe lugar perfeito. E de que nossos sonhos, por mais belos que sejam, precisam estar ancorados na realidade. Viver com os pés no chão não significa abandonar a esperança. Significa aprender a apreciar o que é real, com seus defeitos, suas surpresas e até mesmo suas imperfeições.

Se você já sentiu esse tipo de frustração profunda diante de algo que idealizou, saiba que isso não te torna fraco. Apenas humano. E é nesse ponto que o cuidado emocional pode fazer toda a diferença.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Quem lucra com as Fake News?

Uma notícia falsa não precisa convencer todo mundo. Basta encontrar pessoas dispostas a acreditar nela.

A verdade exige provas, contexto e disposição para ouvir. A mentira precisa apenas confirmar aquilo que alguém já desejava acreditar. Por isso, as fake news encontram terreno fértil em uma sociedade dividida, apressada e emocionalmente envolvida com suas próprias certezas.

Quem cria uma notícia falsa conhece bem essa fragilidade. Sabe que a indignação se espalha mais rapidamente do que a dúvida. Sabe que o medo reduz a capacidade de reflexão. Sabe, principalmente, que muitas pessoas compartilham uma informação antes mesmo de verificar se ela é verdadeira.

Existe quem lucre financeiramente. Cada clique gera audiência, publicidade e dinheiro. Quanto mais absurda a notícia, maior a curiosidade. Quanto maior a revolta, mais comentários, compartilhamentos e visualizações. A mentira deixou de ser apenas um desvio moral e se tornou um modelo de negócio.

As plataformas também lucram. Seus algoritmos mantêm as pessoas diante das telas oferecendo conteúdos capazes de provocar alguma reação. A serenidade produz poucos cliques. A raiva, o medo e o escândalo mantêm os dedos em movimento. A verdade informa. A mentira bem construída envolve, mobiliza e prende.

Também existe o lucro político. Uma fake news pode destruir reputações, transformar adversários em inimigos e convencer milhões de pessoas de que qualquer crítica representa uma ameaça. Quem controla a versão dos fatos não precisa provar que está certo. Precisa apenas fazer com que a verdade pareça duvidosa.

Esse é um dos efeitos mais perigosos das fake news. Elas não precisam substituir completamente a realidade. Basta enfraquecê-la. Quando todas as informações parecem suspeitas, cada pessoa escolhe a verdade que melhor protege suas crenças. Os fatos perdem importância e a identidade passa a decidir aquilo que será aceito.

Há ainda um lucro psicológico. A notícia falsa oferece respostas simples para problemas complexos. Escolhe culpados, alimenta ressentimentos e confirma preconceitos. Quem acredita sente que finalmente compreendeu o mundo. Pouco importa se a explicação é falsa, desde que produza a confortável sensação de estar certo.

O compartilhamento também oferece pertencimento. A pessoa envia a mensagem para mostrar de que lado está. Recebe concordância, aprovação e a sensação de fazer parte de um grupo. Nesse processo, a verdade se torna menos importante do que a fidelidade aos semelhantes.

As fake news lucram com a preguiça de verificar, com a pressa de concluir e com a necessidade humana de proteger as próprias convicções. Lucram, sobretudo, quando alguém acredita que ser enganado é menos doloroso do que admitir o próprio engano.

Combater uma mentira exige mais do que apresentar fatos. Exige disposição para rever certezas, reconhecer manipulações e suportar o desconforto de descobrir que aquilo em que acreditamos pode estar errado.

Muita gente ganha com as fake news. Quem as cria ganha dinheiro. Quem as espalha conquista poder. Quem as utiliza reúne seguidores. E quem acredita recebe a ilusão de estar protegido pela verdade.

O prejuízo fica para uma sociedade que já não consegue distinguir informação de conveniência.

A mentira dá lucro porque a verdade ainda exige coragem. 

Cantinho do ódio


Sentado no cantinho do ódio.
Cercado por paredes que roubam meu ar.
Meu estômago dói, mas e daí?
O que importa é o que eu vejo do outro lado.

Sou eu mesmo, mas em molde de barro.
Sim, fico com medo quando me vejo.
Deformo meu rosto com velas vermelhas.

Sombras dançam ao redor.
As velas queimando no cantinho do ódio.
Quando garoto cometi um erro.
E meu céu se tornou cinza para sempre.

Tudo o que queria era brincar.
Mas toda hora, era hora de rezar.
Eu não me importo.
Apenas perdi o controle.
 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Psicologia do Perdão

 

Perdoar é uma das atitudes mais desafiadoras da vida emocional. À primeira vista, parece um gesto voltado ao outro, mas, na verdade, o perdão é um movimento íntimo e profundo que ocorre dentro de quem foi ferido. A psicologia compreende o perdão não como esquecimento ou absolvição, mas como um caminho de autocuidado e saúde mental.

Muitos confundem perdoar com "deixar para lá", como se fosse uma simples decisão racional. Mas na prática, o perdão costuma passar por fases: raiva, dor, negação, tristeza e, por fim, uma possível aceitação do que aconteceu. Esse processo pode levar tempo e, muitas vezes, precisa de apoio terapêutico. Especialmente quando as feridas são profundas.

A psicologia entende que o perdão não depende da outra pessoa pedir desculpas, reconhecer o erro ou mudar de atitude. É um processo que acontece dentro de quem decide perdoar. Isso não significa concordar com o que houve, muito menos justificar atitudes inaceitáveis. Significa, sim, não deixar que a dor continue sendo protagonista da sua história.

Guardar ressentimentos por longos períodos pode adoecer o corpo e a mente. Emoções como mágoa crônica, rancor ou desejo de vingança consomem energia vital e criam um ciclo interno de sofrimento. Ao contrário do que muitos pensam, o perdão não enfraquece. Ele fortalece. Porque permite que a pessoa retome o controle emocional da sua própria vida, sem que o passado continue ditando os sentimentos do presente.

No consultório, é comum ouvir: "Mas como perdoar alguém que me destruiu?", ou "Se eu perdoar, vou estar dizendo que estava tudo bem?". Essas perguntas são legítimas e merecem respeito. Nenhuma dor deve ser apressada ou silenciada. O perdão nunca deve ser imposto. Ele precisa ser construído, passo a passo, no tempo certo de cada um.

A abordagem humanista, baseada no respeito à experiência individual e na confiança na capacidade de crescimento de cada ser humano, compreende que o perdão é um movimento de cura. Quando há espaço para que a dor seja validada, o ressentimento perde força. Quando há escuta empática, o sofrimento se transforma. E, nesse processo, a decisão de perdoar pode surgir como um gesto de libertação, não como uma obrigação moral.

Vale lembrar que perdoar não implica manter vínculos com quem causou a dor. Em alguns casos, perdoar significa também se afastar, preservar limites e reconstruir a vida em outro lugar. O perdão não anula o discernimento. Pelo contrário, amplia a clareza. Tira o peso da raiva e abre espaço para escolhas mais conscientes.

Também é importante pensar no auto perdão. Muitos carregam culpas antigas por erros cometidos, palavras ditas no calor da emoção ou decisões tomadas em momentos difíceis. Perdoar a si mesmo é tão essencial quanto perdoar os outros. É reconhecer que falhar faz parte da condição humana e que crescer também significa aprender com o que passou.

A psicologia do perdão nos ensina que o alívio não está em mudar o passado, mas em mudar a forma como nos relacionamos com ele. E, ao contrário do que muitos pensam, perdoar não é sinal de fraqueza. É sinal de maturidade, de coragem e de amor-próprio.

Perdoar é dar a si mesmo a chance de seguir em frente sem carregar o peso do que não pode mais ser mudado. É permitir que o coração se cure sem depender da atitude de quem feriu. E, acima de tudo, é um ato de respeito consigo mesmo.

Depenado

A vida ainda não achou um jeito de sair daqui. O suor brota da minha testa. Escorre pelos meus olhos e cai. Onde está minha família? O exérc...