segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

A Traição, a moral e o desejo

 


Sempre que ocorre uma traição em um relacionamento, a pessoa traída costuma querer saber os motivos que levaram seu par a cometer aquele ato.

Esse é um tema espinhoso, porque a traição pode representar uma das experiências mais dolorosas emocionalmente. No entanto, talvez o mais importante não seja descobrir os motivos, mas decidir o que fazer com a informação, com a confirmação e com tudo aquilo que se passou a conhecer.

Se a pessoa optar por aceitar e perdoar, certamente terá dificuldade para voltar a confiar e poderá começar a se questionar sempre que alguma coisa fugir do combinado.

Se optar pelo término, precisará de algum tempo para refletir sobre o que deu errado no relacionamento. Não adianta colocar toda a culpa em si, assim como não adianta atribuir ao outro a responsabilidade por todos os problemas vividos pelo casal. Pode existir uma divisão de responsabilidades pelo desgaste da relação, mas a decisão de trair pertence exclusivamente a quem traiu. Essa reflexão será fundamental para que os próximos relacionamentos sejam construídos de maneira mais consciente.

Também precisamos falar sobre o que mantém um relacionamento ruim e como essa permanência pode criar condições que favoreçam uma traição, embora jamais a justifique.

Muitos casais, principalmente aqueles inseridos em famílias mais tradicionais ou que estão juntos há muitos anos, têm grande dificuldade para lidar com uma separação. Por questões morais, religiosas ou financeiras, acabam sustentando um relacionamento no qual já não conseguem ser felizes, o que pode aumentar a procura por envolvimento emocional ou sexual fora da relação.

Além disso, a preocupação com o julgamento social faz com que muitas pessoas não tenham coragem de assumir a traição. Temendo ficar marcadas ou ser alvo de comentários, tentam proteger a própria imagem enquanto colocam em risco a saúde emocional de seu par.

É claro que, para a traição acontecer, também entram em cena o desejo, a libido e diversas outras questões frequentemente utilizadas para justificar o ato. A bebida aparece em grande parte dessas justificativas, como se a alteração provocada por ela retirasse completamente a responsabilidade de quem tomou determinadas decisões.

Sentir desejo ou atração por outra pessoa não significa necessariamente trair. Pessoas comprometidas continuam capazes de perceber a beleza e de se sentir atraídas por alguém. A monogamia não elimina o desejo, mas estabelece um compromisso sobre o que cada pessoa decide fazer diante dele. Entre desejar e agir existem valores, escolhas, responsabilidade e respeito pelo acordo construído dentro do relacionamento.

Boa semana!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Espiritualidade

 


Espiritualidade, em primeiro lugar, não depende de nenhuma religião ou doutrina. Ela está relacionada ao “eu”, ao próprio interior e à busca daquilo que transcende a carne, o que muitos chamam de alma.

Hoje em dia, felizmente, muita gente se pergunta qual é o sentido da própria vida. Infelizmente, muitas pessoas ainda procuram incansavelmente esse sentido no mundo exterior, em objetos caros e em coisas que acreditam poder torná-las mais bem-vistas e aceitas pela sociedade. No entanto, não percebem que a mesma pergunta continua presente, mesmo quando os bens materiais se multiplicam.

Aqui não há hipocrisia nem charlatanismo barato afirmando que não se deve buscar aquilo que proporciona bem-estar, os bens que se deseja possuir ou as conquistas pelas quais se luta. O que procuro explicar é que isso não representa tudo. Também é necessário conectar-se consigo mesmo para permitir que esse sentido da vida floresça.

Ao entrar em contato com a própria consciência, o indivíduo pode se conectar com uma consciência superior, com a consciência coletiva, e extrair dessa experiência elementos fundamentais para viver melhor, como saúde, paz, tranquilidade, entendimento e aceitação. Essa aceitação nada tem a ver com submissão, mas com o conhecimento daquilo que pode ou não ser mudado, das responsabilidades que devemos carregar e daquelas que não nos pertencem e precisam ser devolvidas.

Quando você começa a buscar esse significado e a ampliar essa consciência, compreende melhor que faz parte do universo, percebe sua imensidão e reconhece o quanto os sonhos e desejos materiais são pequenos diante dele. Também entende a importância de participar desse infinito de sensações, mantendo, acima de tudo, a consciência e a responsabilidade sobre o próprio viver.

Afinal, não podemos simplesmente acreditar que o objetivo da vida se resume a nascer, estudar, trabalhar, reproduzir e morrer. Há muito mais escondido dentro de nós, e precisamos nos conectar com esse conteúdo para encontrar maior plenitude na experiência de viver.

A espiritualidade torna o ser humano capaz de criar um elo mais forte entre seus dois mundos, o interior e o exterior, fazendo com que suas conquistas adquiram mais sentido e possam ser vividas de maneira mais consciente e prazerosa.

Para encontrar a sua espiritualidade e construir essa conexão, você precisa conhecer melhor a si mesmo. Para isso, nada melhor do que começar a fazer terapia.

Vamos nessa?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Todo novo começo vem do final de um começo anterior

Tudo na vida tem um início e quase tudo tem um final.

E, para muitas coisas, é preciso conseguir colocar um ponto final, pôr uma pedra sobre o que passou, encerrar o ciclo para que algo novo comece.

Um novo trabalho, um novo relacionamento, uma nova casa, uma nova música preferida. Todo começo surge depois que o interesse por algo anterior chega ao fim...

A vida é assim, feita de ciclos e da coragem de terminar aquilo que começou há um dia ou há alguns anos, para poder começar tudo de novo.

O que não podemos, nunca, é pensar que já perdemos tempo demais com aquilo que não nos faz bem e abrir mão de um novo começo por medo, por comodismo ou por achar que é tarde demais.

Abra as portas, respire novos ares, faça parte de um novo mundo para ter todo um novo mundo. Leia novos autores, veja filmes diferentes, ouça outros estilos de música, procure e se encontre.

E, se nada disso for bom o suficiente, coloque tudo para fora novamente e recomece.

Não importa quantos sejam os seus finais, mas sim a sua capacidade de sempre começar de novo!

Ótima nova semana e, quando ela terminar, comece outra ainda melhor!

E até a próxima!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Nada é Tudo o que tenho

Quantas foram as conquistas!
E quantos foram os fracassos...
E tudo o que tenho está guardado na memória, nas imagens das fotos antigas que ainda tenho e em outras que talvez estejam em algum lugar.

Foram muitos lugares!
Mas ainda faltam tantos...
E, mesmo com todas as lembranças que trouxe de cada um deles, muitas inclusive já se quebraram, ficaram esquecidas em caixas ou até mesmo foram doadas porque não havia mais lugar, o que tenho está guardado na memória, nas mesmas fotografias, até mesmo naquelas que nunca vi e nas quais posso aparecer sem ter sido o foco.

Foi tanta evolução em todo esse tempo!
Mas as coisas novas não param de aparecer...
Computadores, telefones, tablets, notebooks, televisores e tantas outras coisas.
Quantos desses aparelhos passaram pelas casas em que vivi! Ainda tenho tantos novos, mas quantos irão ficar?
De tempos em tempos, encontro pastas com manuais e garantias e me lembro, por vezes vagamente, de que um dia tive aquele aparelho, que pode ter me trazido bons dias ou nem tanto...

E objetos, então! Quantos tenho para enfeitar a casa, torná-la do meu jeito, com “a minha cara”. E quanto essa “cara” já mudou nesses mais de 20 anos em que tive as “minhas” casas e até mesmo quando tinha as minhas coisas no “meu” quarto...
Muitos quebraram, foram embora, sumiram, estão perdidos por aí ou aparecem em fotos antigas e lembranças distorcidas. E tenho a certeza de que muitos dos que ainda possuo vão parar no mesmo lugar, ou seja, no esquecimento.

Roupas, então, nem preciso falar...
São tantas que mal cabem no meu guarda-roupa!
E quantas já doei nesses anos todos...
Quantas deixaram de me servir, quantas se estragaram com o tempo...
E já nem sou capaz de lembrar quantas experiências, boas ou ruins, vivi com elas.
Mas sei que não serão essas mesmas roupas que estarão comigo até o final, que imagino e, pelo menos espero, ainda estar distante.

Percebo, portanto, que já tive tantas coisas, que hoje tenho até demais e que ainda devo ter muitas outras mais para a frente. Mas, no fundo, no final, o que me resta... sou eu mesmo!

Feliz Ano-Novo, feliz vida nova! Todos os dias!

Depenado

A vida ainda não achou um jeito de sair daqui. O suor brota da minha testa. Escorre pelos meus olhos e cai. Onde está minha família? O exérc...