Sempre que ocorre uma traição em um relacionamento, a pessoa traída costuma querer saber os motivos que levaram seu par a cometer aquele ato.
Esse é um tema espinhoso, porque a traição pode representar uma das experiências mais dolorosas emocionalmente. No entanto, talvez o mais importante não seja descobrir os motivos, mas decidir o que fazer com a informação, com a confirmação e com tudo aquilo que se passou a conhecer.
Se a pessoa optar por aceitar e perdoar, certamente terá dificuldade para voltar a confiar e poderá começar a se questionar sempre que alguma coisa fugir do combinado.
Se optar pelo término, precisará de algum tempo para refletir sobre o que deu errado no relacionamento. Não adianta colocar toda a culpa em si, assim como não adianta atribuir ao outro a responsabilidade por todos os problemas vividos pelo casal. Pode existir uma divisão de responsabilidades pelo desgaste da relação, mas a decisão de trair pertence exclusivamente a quem traiu. Essa reflexão será fundamental para que os próximos relacionamentos sejam construídos de maneira mais consciente.
Também precisamos falar sobre o que mantém um relacionamento ruim e como essa permanência pode criar condições que favoreçam uma traição, embora jamais a justifique.
Muitos casais, principalmente aqueles inseridos em famílias mais tradicionais ou que estão juntos há muitos anos, têm grande dificuldade para lidar com uma separação. Por questões morais, religiosas ou financeiras, acabam sustentando um relacionamento no qual já não conseguem ser felizes, o que pode aumentar a procura por envolvimento emocional ou sexual fora da relação.
Além disso, a preocupação com o julgamento social faz com que muitas pessoas não tenham coragem de assumir a traição. Temendo ficar marcadas ou ser alvo de comentários, tentam proteger a própria imagem enquanto colocam em risco a saúde emocional de seu par.
É claro que, para a traição acontecer, também entram em cena o desejo, a libido e diversas outras questões frequentemente utilizadas para justificar o ato. A bebida aparece em grande parte dessas justificativas, como se a alteração provocada por ela retirasse completamente a responsabilidade de quem tomou determinadas decisões.
Sentir desejo ou atração por outra pessoa não significa necessariamente trair. Pessoas comprometidas continuam capazes de perceber a beleza e de se sentir atraídas por alguém. A monogamia não elimina o desejo, mas estabelece um compromisso sobre o que cada pessoa decide fazer diante dele. Entre desejar e agir existem valores, escolhas, responsabilidade e respeito pelo acordo construído dentro do relacionamento.
Boa semana!

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