quinta-feira, 30 de julho de 2026

Neuropsicologia do Desenvolvimento

 

A neuropsicologia do desenvolvimento é um campo da psicologia que estuda como o cérebro humano amadurece ao longo do tempo e como esse processo está diretamente ligado ao comportamento, às emoções e à aprendizagem. Diferente da neuropsicologia tradicional, que foca em lesões ou alterações em cérebros já formados, essa área volta seu olhar especialmente para crianças e adolescentes, ou seja, para cérebros que ainda estão em construção.

O objetivo é compreender como funções como atenção, memória, linguagem, raciocínio, controle emocional e habilidades motoras se desenvolvem. E mais do que isso, entender o que pode interferir nesse processo e como intervir precocemente quando algo não está evoluindo da forma esperada.

Sabemos hoje que o desenvolvimento cerebral não acontece de maneira uniforme. Há momentos em que determinadas regiões se desenvolvem com mais intensidade, como por exemplo o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento, pelo controle dos impulsos e pela tomada de decisões, que só atinge a maturidade total no fim da adolescência ou início da vida adulta. Esse dado ajuda a explicar, por exemplo, por que adolescentes podem ter comportamentos impulsivos mesmo quando já entendem o que é certo ou errado.

A neuropsicologia do desenvolvimento também é essencial para identificar possíveis dificuldades desde cedo. Questões como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtornos de Aprendizagem, Autismo e atrasos no desenvolvimento da linguagem, por exemplo, podem ser mais bem compreendidos e manejados a partir dessa perspectiva.

Os profissionais que atuam nessa área utilizam avaliações neuropsicológicas que analisam, de forma detalhada, o funcionamento cognitivo da criança ou do adolescente. A partir dessas avaliações, é possível traçar um perfil neuropsicológico que vai orientar pais, educadores, médicos e terapeutas em relação ao melhor caminho de acompanhamento e intervenção.

Mas vale lembrar que o foco da neuropsicologia do desenvolvimento não é rotular. Pelo contrário. O objetivo é compreender o indivíduo em sua singularidade, respeitando seu tempo, suas potencialidades e suas limitações, para que ele possa se desenvolver da melhor forma possível.

Além disso, esse campo tem uma contribuição enorme para a educação. Ao entender como o cérebro aprende e processa informações em diferentes fases da vida, é possível adaptar métodos de ensino, favorecer a inclusão e oferecer estratégias mais eficazes para crianças com necessidades específicas.

A neuropsicologia do desenvolvimento nos convida a olhar para o crescimento humano com mais profundidade, empatia e ciência. E nos lembra que, por trás de cada dificuldade de comportamento ou de aprendizagem, pode haver um cérebro em desequilíbrio, pedindo ajuda para se organizar melhor.

Por isso, mais do que identificar problemas, essa área propõe caminhos. Caminhos que respeitam a infância, acolhem os desafios da adolescência e promovem oportunidades reais de desenvolvimento saudável, para que cada ser humano possa florescer no seu próprio ritmo.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

2022 - Ano 50

Sim cinquentei!

E o que mudou?

Quase nada.

Só sinto que foi um marco em que a idade e o meu comportamento se uniram. Comecei a ter menos vontade de fazer as coisas que eu faia sem vontade, ou seja, me respeitar mais.

Entendi que um sorriso em uma presença forçada, vale menos do que a tranquilidade de momentos de paz...

É, amigos, o tempo vai passando, vamos amadurecendo, os pensamentos mudam, a perspectiva muda e precisamos nos adaptar a nós mesmos e não mais ao que os outros esperam de nós...

2021 - Ano 49

A pandemia começou a afrouxar. A vida nunca mais seria a mesma, mas as coisas precisavam caminhar.
Voltei a viajar, mas não voltei a trabalhar presencialmente.
Os atendimentos online viraram a minha única forma de trabalho.
O alívio veio, mas não completo, minha mãe passou por essa, mas as perdas dos anos anteriores também deixaram marcas...

Enfim, é a vida. E ela continua.

E o fato de continuarmos, foi a coisa mais marcante desse ano,

terça-feira, 21 de julho de 2026

Terapia Assistida por Animais


Em um mundo marcado por pressa, cobranças e excesso de estímulos, é reconfortante perceber que o vínculo entre humanos e animais pode se transformar em um verdadeiro instrumento de cuidado emocional. A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma prática cada vez mais reconhecida por profissionais da saúde e da psicologia como um complemento valioso no processo terapêutico.

Não se trata apenas de ter um animal por perto. Na TAA, cães, gatos, cavalos e até coelhos são cuidadosamente selecionados, treinados e inseridos em ambientes terapêuticos para ajudar no desenvolvimento emocional, social e, em alguns casos, até físico dos pacientes. Eles não substituem o terapeuta. Mas tornam a experiência mais acessível, acolhedora e, muitas vezes, mais potente.

O que acontece quando um animal entra em cena é difícil de explicar apenas com palavras. Crianças com dificuldades de comunicação se abrem. Adultos com traumas se sentem seguros para lembrar. Idosos com depressão voltam a sorrir. Existe ali um tipo de troca que ultrapassa o raciocínio lógico. Um olhar, um carinho, um silêncio compartilhado... e a confiança começa a nascer.

Essa confiança é fundamental no processo terapêutico. Muitas pessoas, ao iniciarem uma jornada de autoconhecimento, carregam medos, inseguranças, bloqueios. Ter um animal como facilitador nesse caminho pode tornar a experiência mais leve, menos intimidante. O toque de um focinho, a maciez de um pelo, o simples fato de não ser julgado. Tudo isso pode ajudar a criar um ambiente emocionalmente seguro.

A abordagem humanista, que valoriza a escuta, a empatia e o respeito pelo tempo e pela história de cada pessoa, encontra um terreno fértil nessa prática. Porque a TAA não impõe. Ela convida. E o convite é sempre gentil: "Vamos juntos, no seu ritmo, sem pressa e com cuidado."

Além dos benefícios emocionais, estudos mostram que a presença dos animais pode reduzir a ansiedade, estabilizar a pressão arterial, melhorar o humor e até diminuir sintomas de depressão. Nas sessões, o animal atua como um elo de ligação, quebrando barreiras e estimulando interações mais autênticas.

É importante lembrar que esse tipo de intervenção precisa ser conduzido por profissionais capacitados, com acompanhamento técnico e ético. Cada animal passa por avaliação, e o bem-estar dele também é prioridade. Afinal, é uma relação de troca. O terapeuta guia, o animal acolhe, e o paciente se permite.

A Terapia Assistida por Animais nos ensina que o cuidado pode vir de muitas formas. Às vezes, vem de uma escuta atenta. Outras, de um latido sereno ou de um ronronar suave.

Porque no fim das contas, o que todos buscamos é conexão. E algumas conexões têm quatro patas e um coração imenso. 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Uma viagem. Divina?


Quem se importa com um homem que pergunta demais?
Um espantalho com as costas quebradas.
E quem se importaria com algum deles?
Ambos olham fixo para o nada e não vão escapar.

Existem pessoas que se acham infalíveis.
Mas nenhuma mentira é eterna.
O que você fez com a sua vida?
Enquanto seu braço dormente  aponta, ou serve de galho.

É muito mais fácil amar um cavalo.
Do que um humano sem destino.
Que desdenha enrolando os cabelos.
E enrolado por eles também.

Quem sabe ainda seja possível enxergar.
E lembrar de quem ficou para trás.
Mas eu sempre estarei aqui.
Para quando Deus te devolver.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Última Saída


Todos têm que nascer
Não importa se vão conseguir viver.
Olhem ,pessoas, Estou desabando!
Ninguém se pergunta se valeu a pena.

Pode durar muito pouco.
Mesmo que seja apenas para segurar nos braços.
E depois ver indo embora muito rápido.
Para o bem ou para o mal.

Por mais que as intenções sejam boas
Nem o mais vasto oceano limpa os erros do passado.
Quatro dias talvez seja o limite.
E depois vai embora.

Na boca de quem não sente o sofrimento alheio,
Toda palavra é um guia.
Mas ninguém oferece nada além de palavras.
E palavras não são pecados...



segunda-feira, 13 de julho de 2026

A transformação de tudo em conteúdo

Houve um tempo em que a comida chegava à mesa e a primeira reação era comer. Às vezes, alguém ainda elogiava a aparência do prato, reclamava da quantidade de cebola ou estendia o garfo para experimentar o que o outro havia pedido. Hoje, antes de qualquer movimento, surge o telefone.

É preciso encontrar o melhor ângulo, afastar o copo, ajeitar o guardanapo, verificar a iluminação e pedir que ninguém toque em nada. A fome pode esperar. O prato ainda não está pronto para ser comido porque, antes, precisa cumprir sua função pública: virar conteúdo.

Não há nenhum grande problema em fotografar uma refeição bonita. Também registro momentos, lugares e coisas das quais quero me lembrar. Uma fotografia pode guardar uma memória, dividir uma descoberta ou simplesmente revelar um pouco da beleza encontrada em um dia comum. O problema começa quando deixamos de registrar o que vivemos e passamos a viver principalmente aquilo que pode ser registrado.

Agora tudo parece precisar de uma legenda.

A viagem não começa quando chegamos ao destino, mas quando publicamos a foto da estrada. O exercício precisa aparecer no aplicativo. O presente precisa ser exibido. O aniversário precisa ter provas. O livro precisa ser fotografado, mesmo que jamais seja lido. Até o descanso ganhou a obrigação de parecer interessante.

Aos poucos, a experiência deixa de ser suficiente. Não basta saborear, encontrar, contemplar ou sentir. É preciso mostrar que saboreamos, encontramos, contemplamos e sentimos. E, mais do que mostrar, precisamos torcer para que alguém reaja.

Talvez tenhamos transformado a vida em uma espécie de prestação de contas permanente. Estamos sempre demonstrando que fizemos alguma coisa, fomos a algum lugar, conhecemos alguém, compramos algo ou tivemos um dia melhor do que aquele que realmente tivemos.

E não é necessário condenar as redes sociais para perceber isso. Elas aproximam pessoas, divulgam trabalhos, registram histórias e nos apresentam lugares aos quais talvez nunca chegássemos. O exagero não está na ferramenta. Está na sensação de que um momento só adquire importância depois de publicado.

Existem experiências que perdem um pouco de sua delicadeza quando são imediatamente expostas. Uma conversa inesperada, uma paisagem silenciosa, um gesto de carinho, uma refeição simples preparada por alguém querido. Nem tudo precisa atravessar uma tela para se tornar verdadeiro.

Nem toda comida precisa virar foto. Algumas podem simplesmente esfriar um pouco enquanto a conversa esquenta. Outras podem desaparecer do prato sem deixar qualquer prova além da satisfação de quem estava ali. E está tudo bem.

Talvez ainda seja possível reaprender a viver acontecimentos que não renderão postagem alguma. Fazer algo sem pensar na legenda. Conhecer um lugar sem procurar o ponto mais fotografável. Vestir uma roupa bonita sem produzir uma imagem. Sentar à mesa e começar a comer antes que o queijo endureça e a batata murche.

Guardar certos instantes apenas para nós não significa desperdiçá-los. Pelo contrário. Pode ser uma maneira de devolvê-los à sua finalidade original: serem vividos.

Porque uma vida sem registro pode ser esquecida, mas uma vida transformada inteiramente em conteúdo corre outro risco: ser muito vista e pouco experimentada. 

Depenado

A vida ainda não achou um jeito de sair daqui. O suor brota da minha testa. Escorre pelos meus olhos e cai. Onde está minha família? O exérc...