segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Depenado


A vida ainda não achou um jeito de sair daqui.
O suor brota da minha testa.
Escorre pelos meus olhos e cai.
Onde está minha família?

O exército não é salvação.
As balas das escopetas serão?
Elas chegam rápido para me depenar.
Mas sou galo forte.

Não são essas balas que irão me levar.
Lá vem mais um com a metralhadora.
Babando no meu chão.
Na minha ente as fotografias.

Tenho comigo um repelente.
Mas meus amigos não têm a mesma sorte.
Será mesmo uma dádiva sobreviver?
Lá vem eles de novo para me depenar...

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Ego Inflado


Vivemos em uma época marcada pela exposição constante, pelas comparações rápidas e pela necessidade de validação quase ininterrupta. Nesse cenário, é comum vermos pessoas que aparentam extrema autoconfiança, com discursos prontos, poses impecáveis e um brilho que impressiona à primeira vista. Mas nem sempre o que parece força é realmente solidez. Muitas vezes, por trás de uma imagem de superioridade, existe um ego inflado tentando esconder inseguranças profundas.

O ego inflado é diferente da autoestima saudável. Enquanto a autoestima se constrói com base no autoconhecimento, na aceitação das próprias imperfeições e no respeito pelas diferenças, o ego inflado busca aplausos. Ele se alimenta de comparações e precisa constantemente provar valor, muitas vezes diminuindo os outros para se sentir maior.

Na psicologia, esse mecanismo costuma aparecer como uma defesa. Quando a pessoa se sente vulnerável, rejeitada ou inferiorizada em algum momento da vida, pode acabar construindo uma imagem idealizada de si mesma como escudo. Esse comportamento pode até funcionar por um tempo, mas não sustenta relações saudáveis nem promove crescimento verdadeiro.

Pessoas com ego inflado podem ter dificuldade em ouvir críticas, mesmo as construtivas. Costumam reagir com impaciência quando não são reconhecidas da forma que esperavam. E frequentemente se sentem ameaçadas pelo sucesso alheio, porque veem o mundo como uma competição constante. Essa postura cria um ciclo de tensão emocional. O medo de parecer fraco impede a vulnerabilidade, que por sua vez é essencial para conexões humanas verdadeiras.

Além disso, o ego inflado exige muito esforço para ser mantido. É como segurar uma máscara pesada durante o dia inteiro. Cansa, desgasta e, em muitos casos, isola. Porque, no fundo, poucas pessoas conseguem se aproximar de alguém que está sempre se colocando num pedestal.

Na vida profissional, esse tipo de comportamento também cobra seu preço. Líderes com ego inflado tendem a centralizar decisões, não reconhecem o valor da equipe e podem se tornar tóxicos no ambiente de trabalho. Profissionais assim, apesar de parecerem confiantes, nem sempre são confiáveis. A autossuficiência exagerada impede o aprendizado e dificulta parcerias duradouras.

É importante lembrar que todos nós temos um ego. Ele faz parte da estrutura psíquica e tem sua função. O problema não está em ter ego, mas em deixar que ele tome conta de tudo. Quando o ego se inflama, ocupa o lugar da escuta, do respeito e da empatia. E isso nos distancia das pessoas, da realidade e até de nós mesmos.

O caminho para lidar com esse excesso não é a negação, mas a reflexão. A terapia, pode ajudar muito nesse processo. Através do acolhimento e do diálogo, o paciente é convidado a enxergar quem é por trás da armadura. Com o tempo, vai se permitindo ser mais humano, mais real, mais inteiro. E isso é libertador.

Reconhecer que não somos melhores do que ninguém não nos diminui. Pelo contrário, nos coloca em igualdade com o outro e nos abre espaço para aprender, crescer e nos conectar de forma genuína.

E no fim das contas, o que mais preenche não é o aplauso. É o silêncio interno de saber que, com ou sem holofotes, estamos em paz com quem somos.


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O Fim das Bets

 

Vou deixar de ganhar dinheiro com a proibição das bets. E ficarei muito feliz se isso de fato acontecer.

Não sou influenciador e não recebo para divulgar apostas. Sou psicólogo e hoje uma boa parte dos meus pacientes desenvolveram ludopatia. Se menos pessoas precisarem de mim por esse motivo, posso ter uma redução na minha renda. É uma redução que eu gostaria de ver acontecer.

Tenho escutado que quem é contra a proibição das bets é quem está viciado ou quem ganha dinheiro com elas. As empresas, os influenciadores, os que recebem para divulgar aquela promessa de dinheiro fácil.

Não acho que isso explique a posição de todas as pessoas. Mas quero colocar nessa conversa uma situação delicada: eu também recebo dinheiro por um trabalho que existe, em parte, por causa dos estragos das apostas.

Nesse sentido muito específico, eu poderia ser colocado, entre aspas e com bastante cuidado, entre os “beneficiados” financeiramente por esse problema.

E sou amplamente favorável à proibição das bets.

Atendo pessoas que perderam dinheiro, casamento, vínculos familiares e a confiança de quem estava ao lado delas. Pessoas que precisaram de tratamento internadas em clínicas de recuperação. Em alguns casos, a família se junta para pagar as consultas, porque quem precisa de ajuda já não tem condições nem de arcar com o próprio tratamento.

É difícil chamar isso de benefício quando se conhece o sofrimento que chega junto com esse pagamento.

Meu trabalho é ajudar essas pessoas a recuperar a autonomia. E ficaria muito satisfeito se elas não tivessem passado por nada disso, mesmo que isso significasse menos consultas na minha agenda. Minha renda não pode ser o critério para decidir o que considero saudável para a sociedade.

Mas há outro ponto que precisa ser discutido: a ludopatia, a dependência dos jogos de azar, pode existir muito antes de alguém perder tudo.

Quem ganha também pode desenvolver dependência. Quem ganha pouco, quem ganha muito e quem aposta valores pequenos também. O resultado financeiro não é suficiente para dizer se uma pessoa tem controle sobre o jogo.

“Mas eu jogo só cinquenta centavos.”

“É só um real por dia.”

“Eu nem coloco dinheiro, só uso os bônus.”

Essas frases dizem quanto a pessoa aposta. Não dizem o espaço que a aposta passou a ocupar na vida dela.

A pessoa consegue deixar de jogar? Já tentou reduzir e não conseguiu? Fica ansiosa ou irritada quando não pode acessar? Passa o dia esperando a hora de buscar o bônus, girar a roletinha ou receber a aposta grátis? O jogo está tomando o lugar de outras atividades e continua mesmo quando começa a prejudicar sua vida?

Apostar todos os dias, isoladamente, pode até não permitir um diagnóstico. Mas a necessidade de apostar, a perda de controle e o sofrimento associado merecem atenção, mesmo quando os valores parecem insignificantes.

O prejuízo pode aparecer no tempo consumido, na preocupação constante, na dificuldade de estar presente numa conversa. Pode aparecer quando a pessoa está com a família, mas sua atenção continua presa à próxima oportunidade de jogar.

E ganhar dinheiro não elimina esses sinais. Uma sequência de ganhos pode alimentar a confiança de que está tudo sob controle, enquanto a pessoa se envolve cada vez mais.

Não precisamos esperar que alguém perca a casa ou o casamento para reconhecer que precisa de ajuda. Pequenas apostas podem acompanhar um problema que já existe e que pode se agravar.

Também me incomoda ver empresas, influenciadores e clubes de futebol defenderem a continuidade das bets falando do dinheiro que deixariam de receber, sem dar a mesma atenção às consequências para quem aposta e para suas famílias. Quem recebe para divulgar precisa considerar o que está ajudando a promover.

Defendo a proibição das bets porque conheço parte do sofrimento que elas deixam para trás. Sei também que uma proibição precisa de fiscalização e que quem já desenvolveu dependência continuará precisando de tratamento.

Receber para ajudar alguém a reconstruir a vida não me faz desejar que mais vidas sejam destruídas.

Eu preferiria que aquela pessoa ainda tivesse seu dinheiro, seu casamento e sua família. E que, na nossa sessão, pudéssemos conversar sobre os desafios do cotidiano, os relacionamentos e tudo aquilo que ela ainda gostaria de construir.

Síndrome de Paris

 


Viajar para Paris é, para muitos, a realização de um sonho. A cidade das luzes, dos cafés charmosos, das ruas históricas e da aura romântica parece perfeita nos filmes, nas redes sociais e nas revistas de turismo. Mas há pessoas que, ao desembarcarem lá, enfrentam algo completamente oposto ao encantamento esperado. Sentem angústia, frustração, ansiedade e até mesmo sintomas físicos intensos. É o que se conhece como a Síndrome de Paris.

Essa síndrome, embora pouco conhecida, é real e já foi registrada por diversos profissionais da saúde, especialmente entre turistas estrangeiros. Os primeiros relatos mais estruturados vieram de médicos japoneses, que perceberam um padrão recorrente entre alguns de seus compatriotas ao visitarem a capital francesa.

Mas afinal, o que é a Síndrome de Paris?

Trata-se de uma resposta psicológica intensa à decepção provocada por um choque cultural. A pessoa cria uma expectativa muito elevada sobre o destino, idealizando a cidade como um lugar perfeito, educado, acolhedor e elegante. No entanto, ao encontrar uma realidade diferente, com filas, pressa, grosserias, metrôs lotados, clima cinzento ou até discriminação, o contraste com o imaginado pode ser tão forte que o corpo e a mente reagem com desequilíbrio.

Os sintomas variam de caso para caso, mas costumam incluir taquicardia, tontura, sudorese, sensação de irrealidade, tristeza profunda, dificuldade de comunicação, delírios e em alguns casos, crises de pânico. É como se o cérebro não conseguisse lidar com a quebra da ilusão e, diante da frustração, ativasse um estado de alerta intenso.

Essa síndrome também escancara algo que vai muito além de uma viagem frustrada. Ela nos convida a refletir sobre as expectativas irreais que muitas vezes criamos. E não apenas em relação a lugares, mas a pessoas, relacionamentos, trabalhos e fases da vida. Idealizar demais algo, seja uma cidade ou um amor, pode gerar uma queda emocional profunda quando a realidade se mostra mais dura, comum ou distante do que se imaginava.

No caso da Síndrome de Paris, o choque cultural é um gatilho poderoso, especialmente quando há barreiras de idioma, alimentação e comportamento social. A sensação de inadequação pode se somar a um estado de cansaço físico, jet lag, solidão e dificuldade de adaptação.

É importante destacar que essa não é uma condição psiquiátrica permanente. Em geral, os sintomas desaparecem após o retorno ao país de origem, com o tempo e com o acolhimento adequado. Mas isso não significa que devam ser ignorados. O sofrimento é real e, quando não validado, pode deixar marcas emocionais.

A terapia, principalmente com uma abordagem acolhedora e centrada na escuta, como a humanista, pode ajudar muito nesses casos. O espaço terapêutico permite que a pessoa entenda de onde vêm suas idealizações, como lida com frustrações e quais padrões emocionais se repetem diante da decepção. Mais do que julgar o que sente, a terapia acolhe, compreende e fortalece.

A Síndrome de Paris é um lembrete de que não existe lugar perfeito. E de que nossos sonhos, por mais belos que sejam, precisam estar ancorados na realidade. Viver com os pés no chão não significa abandonar a esperança. Significa aprender a apreciar o que é real, com seus defeitos, suas surpresas e até mesmo suas imperfeições.

Se você já sentiu esse tipo de frustração profunda diante de algo que idealizou, saiba que isso não te torna fraco. Apenas humano. E é nesse ponto que o cuidado emocional pode fazer toda a diferença.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Quem lucra com as Fake News?

Uma notícia falsa não precisa convencer todo mundo. Basta encontrar pessoas dispostas a acreditar nela.

A verdade exige provas, contexto e disposição para ouvir. A mentira precisa apenas confirmar aquilo que alguém já desejava acreditar. Por isso, as fake news encontram terreno fértil em uma sociedade dividida, apressada e emocionalmente envolvida com suas próprias certezas.

Quem cria uma notícia falsa conhece bem essa fragilidade. Sabe que a indignação se espalha mais rapidamente do que a dúvida. Sabe que o medo reduz a capacidade de reflexão. Sabe, principalmente, que muitas pessoas compartilham uma informação antes mesmo de verificar se ela é verdadeira.

Existe quem lucre financeiramente. Cada clique gera audiência, publicidade e dinheiro. Quanto mais absurda a notícia, maior a curiosidade. Quanto maior a revolta, mais comentários, compartilhamentos e visualizações. A mentira deixou de ser apenas um desvio moral e se tornou um modelo de negócio.

As plataformas também lucram. Seus algoritmos mantêm as pessoas diante das telas oferecendo conteúdos capazes de provocar alguma reação. A serenidade produz poucos cliques. A raiva, o medo e o escândalo mantêm os dedos em movimento. A verdade informa. A mentira bem construída envolve, mobiliza e prende.

Também existe o lucro político. Uma fake news pode destruir reputações, transformar adversários em inimigos e convencer milhões de pessoas de que qualquer crítica representa uma ameaça. Quem controla a versão dos fatos não precisa provar que está certo. Precisa apenas fazer com que a verdade pareça duvidosa.

Esse é um dos efeitos mais perigosos das fake news. Elas não precisam substituir completamente a realidade. Basta enfraquecê-la. Quando todas as informações parecem suspeitas, cada pessoa escolhe a verdade que melhor protege suas crenças. Os fatos perdem importância e a identidade passa a decidir aquilo que será aceito.

Há ainda um lucro psicológico. A notícia falsa oferece respostas simples para problemas complexos. Escolhe culpados, alimenta ressentimentos e confirma preconceitos. Quem acredita sente que finalmente compreendeu o mundo. Pouco importa se a explicação é falsa, desde que produza a confortável sensação de estar certo.

O compartilhamento também oferece pertencimento. A pessoa envia a mensagem para mostrar de que lado está. Recebe concordância, aprovação e a sensação de fazer parte de um grupo. Nesse processo, a verdade se torna menos importante do que a fidelidade aos semelhantes.

As fake news lucram com a preguiça de verificar, com a pressa de concluir e com a necessidade humana de proteger as próprias convicções. Lucram, sobretudo, quando alguém acredita que ser enganado é menos doloroso do que admitir o próprio engano.

Combater uma mentira exige mais do que apresentar fatos. Exige disposição para rever certezas, reconhecer manipulações e suportar o desconforto de descobrir que aquilo em que acreditamos pode estar errado.

Muita gente ganha com as fake news. Quem as cria ganha dinheiro. Quem as espalha conquista poder. Quem as utiliza reúne seguidores. E quem acredita recebe a ilusão de estar protegido pela verdade.

O prejuízo fica para uma sociedade que já não consegue distinguir informação de conveniência.

A mentira dá lucro porque a verdade ainda exige coragem. 

Cantinho do ódio


Sentado no cantinho do ódio.
Cercado por paredes que roubam meu ar.
Meu estômago dói, mas e daí?
O que importa é o que eu vejo do outro lado.

Sou eu mesmo, mas em molde de barro.
Sim, fico com medo quando me vejo.
Deformo meu rosto com velas vermelhas.

Sombras dançam ao redor.
As velas queimando no cantinho do ódio.
Quando garoto cometi um erro.
E meu céu se tornou cinza para sempre.

Tudo o que queria era brincar.
Mas toda hora, era hora de rezar.
Eu não me importo.
Apenas perdi o controle.
 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Psicologia do Perdão

 

Perdoar é uma das atitudes mais desafiadoras da vida emocional. À primeira vista, parece um gesto voltado ao outro, mas, na verdade, o perdão é um movimento íntimo e profundo que ocorre dentro de quem foi ferido. A psicologia compreende o perdão não como esquecimento ou absolvição, mas como um caminho de autocuidado e saúde mental.

Muitos confundem perdoar com "deixar para lá", como se fosse uma simples decisão racional. Mas na prática, o perdão costuma passar por fases: raiva, dor, negação, tristeza e, por fim, uma possível aceitação do que aconteceu. Esse processo pode levar tempo e, muitas vezes, precisa de apoio terapêutico. Especialmente quando as feridas são profundas.

A psicologia entende que o perdão não depende da outra pessoa pedir desculpas, reconhecer o erro ou mudar de atitude. É um processo que acontece dentro de quem decide perdoar. Isso não significa concordar com o que houve, muito menos justificar atitudes inaceitáveis. Significa, sim, não deixar que a dor continue sendo protagonista da sua história.

Guardar ressentimentos por longos períodos pode adoecer o corpo e a mente. Emoções como mágoa crônica, rancor ou desejo de vingança consomem energia vital e criam um ciclo interno de sofrimento. Ao contrário do que muitos pensam, o perdão não enfraquece. Ele fortalece. Porque permite que a pessoa retome o controle emocional da sua própria vida, sem que o passado continue ditando os sentimentos do presente.

No consultório, é comum ouvir: "Mas como perdoar alguém que me destruiu?", ou "Se eu perdoar, vou estar dizendo que estava tudo bem?". Essas perguntas são legítimas e merecem respeito. Nenhuma dor deve ser apressada ou silenciada. O perdão nunca deve ser imposto. Ele precisa ser construído, passo a passo, no tempo certo de cada um.

A abordagem humanista, baseada no respeito à experiência individual e na confiança na capacidade de crescimento de cada ser humano, compreende que o perdão é um movimento de cura. Quando há espaço para que a dor seja validada, o ressentimento perde força. Quando há escuta empática, o sofrimento se transforma. E, nesse processo, a decisão de perdoar pode surgir como um gesto de libertação, não como uma obrigação moral.

Vale lembrar que perdoar não implica manter vínculos com quem causou a dor. Em alguns casos, perdoar significa também se afastar, preservar limites e reconstruir a vida em outro lugar. O perdão não anula o discernimento. Pelo contrário, amplia a clareza. Tira o peso da raiva e abre espaço para escolhas mais conscientes.

Também é importante pensar no auto perdão. Muitos carregam culpas antigas por erros cometidos, palavras ditas no calor da emoção ou decisões tomadas em momentos difíceis. Perdoar a si mesmo é tão essencial quanto perdoar os outros. É reconhecer que falhar faz parte da condição humana e que crescer também significa aprender com o que passou.

A psicologia do perdão nos ensina que o alívio não está em mudar o passado, mas em mudar a forma como nos relacionamos com ele. E, ao contrário do que muitos pensam, perdoar não é sinal de fraqueza. É sinal de maturidade, de coragem e de amor-próprio.

Perdoar é dar a si mesmo a chance de seguir em frente sem carregar o peso do que não pode mais ser mudado. É permitir que o coração se cure sem depender da atitude de quem feriu. E, acima de tudo, é um ato de respeito consigo mesmo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Um homem doente


Quem sou eu?
Ou o que sou?
Aquele que vê demais?
Ou uma mosca em busca de paz?

Será que tenho sorte por estar vivo?
Mesmo me sentindo doente?
Minha vida me leva.
Mas não sou eu que dirijo.

Tenho medo apenas dos meus pensamentos.
Como eu sou tolo.
De nada adianta.
Afinal, o final é o mesmo.

Não tenhO nenhum problema.
Mas mentalmente sou doente.
Quem eu sou?
Atrás do meu muro, encontro a paz.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Ablutofobia


A ablutofobia, ou o medo intenso e irracional de lavar-se ou tomar banho, é uma fobia específica que, embora incomum, pode causar grande sofrimento para quem a enfrenta. Esse transtorno é mais prevalente em crianças, mas também pode persistir na vida adulta. Ele interfere significativamente na higiene pessoal, nas relações sociais e até na saúde física, devido à falta de cuidados básicos com o corpo.

Como outras fobias, a ablutofobia pode ter sua origem em experiências traumáticas. Uma criança que sofreu um acidente durante o banho, ouviu histórias assustadoras ou foi exposta a comportamentos punitivos relacionados à higiene pode desenvolver esse medo. Além disso, fatores genéticos e predisposições à ansiedade também podem estar associados ao problema.

Alguns dos principais sinais da ablutofobia são:

  • Ansiedade extrema antes ou durante a tentativa de se lavar.
  • Evitação completa de banhos ou da higiene pessoal.
  • Palpitações, tremores, suor excessivo e até crises de pânico ao se deparar com a necessidade de tomar banho.
  • Dificuldades em atividades diárias devido à falta de higiene, como no ambiente de trabalho ou escola.

Esses sintomas não só afetam a vida do indivíduo, mas também podem gerar estigmas e isolamento social.

Além das consequências sociais, como afastamento de amigos e familiares, a ablutofobia pode levar a problemas de saúde, incluindo infecções cutâneas e mau funcionamento do sistema imunológico. O impacto psicológico também é significativo, pois o indivíduo pode sentir vergonha e culpa, agravando o sofrimento emocional.

Tratamento Psicológico

O tratamento da ablutofobia pode ser altamente eficaz, especialmente com o suporte da psicoterapia.

Baseada em empatia e acolhimento, a abordagem humanista da psicologia oferece um espaço seguro para que o paciente explore os sentimentos associados à fobia.

O terapeuta trabalha para fortalecer a autoestima do paciente e promover autocompreensão, ajudando-o a desenvolver ferramentas internas para enfrentar o medo.

Para crianças e adolescentes, o envolvimento da família é crucial. A criação de um ambiente acolhedor, sem críticas ou punições, pode ajudar no progresso do tratamento.

Embora pareça um medo trivial para quem não o enfrenta, a ablutofobia pode ter impactos profundos na qualidade de vida. Por isso, buscar ajuda psicológica é essencial. O tratamento permite que o indivíduo recupere não só a higiene pessoal, mas também a confiança em si mesmo e a capacidade de interagir socialmente.

Se você ou alguém que conhece enfrenta esse desafio, saiba que é possível superá-lo com o acompanhamento adequado. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo, e dar o primeiro passo pode transformar vidas.

Sua saúde mental merece atenção!


O Impacto do Luto Prolongado


Lidar com a morte de alguém significativo é uma das experiências mais desafiadoras da vida. O luto é natural e esperado. É um processo emocional que permite à pessoa reorganizar internamente o mundo após uma perda. No entanto, quando o sofrimento se torna constante, impede o movimento da vida e não apresenta sinais de melhora com o tempo, estamos diante do que se chama de luto prolongado.

O luto prolongado não tem a ver com a intensidade da dor, mas com o quanto essa dor se cristaliza e impede o sujeito de retomar sua rotina, seus vínculos e seu sentido de existir. A tristeza se transforma em uma presença contínua. A vida parece ter parado no tempo da perda. O passado toma conta do presente, e o futuro se dissolve em incertezas.

É importante destacar que o tempo do luto é único para cada pessoa. Não existe um prazo “correto” para se estar triste. O problema não está na duração em si, mas na ausência de movimento psíquico, na repetição dolorosa dos mesmos pensamentos, nas imagens mentais que não cessam, na culpa que paralisa, e no isolamento que se intensifica.

Pessoas que vivem um luto prolongado podem apresentar sintomas parecidos com os da depressão, como insônia, desinteresse por atividades antes prazerosas, sensação de inutilidade, perda de apetite e apatia. Mas diferentemente da depressão clínica, no luto prolongado a dor está sempre ligada à perda específica. O vazio tem nome, rosto, história.

O impacto desse estado vai além da saúde emocional. Relações afetivas enfraquecem, o desempenho profissional pode cair, e a conexão com a própria identidade fica comprometida. É como se o sujeito deixasse de ser quem era antes da perda, mas também não conseguisse se tornar outra coisa. Fica preso em um entrelugar doloroso, que chamamos de estagnação.

Sob a ótica da psicologia humanista, esse sofrimento precisa ser acolhido sem julgamento. O terapeuta não deve tentar “apressar” o processo ou oferecer fórmulas de superação. Pelo contrário, é preciso escutar com presença, dar espaço para o que dói, e ajudar o outro a reconstruir sua história sem a presença física da pessoa que se foi, mas com a preservação do vínculo simbólico.

Esse vínculo simbólico é fundamental. A perda não precisa significar rompimento total. Em muitos casos, é possível ressignificar a ausência, reconhecendo o valor daquilo que foi vivido, sem negar a dor que a ausência provoca. A terapia possibilita que a pessoa se reconcilie com a ideia de continuidade, mesmo diante da ausência. E isso só é possível quando há espaço para ser quem se é, com todas as emoções presentes.

O luto não é para ser vencido. É para ser vivido. Quando ele se prolonga de maneira patológica, não significa fraqueza. Significa que aquela perda tocou camadas profundas, talvez nunca acessadas antes. E é nesse ponto que o sofrimento pode se transformar em processo de autoconhecimento.

Buscar ajuda profissional nesse momento não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Porque encarar o que machuca exige mais força do que esconder o que se sente. A dor que é escutada tem mais chance de encontrar caminhos de alívio.

Se você sente que o luto não passa, que a vida ficou congelada e que não há mais motivação para seguir, saiba que há formas de caminhar com a dor sem deixar que ela guie todos os seus passos. O apoio emocional é possível. O reencontro com o sentido também.


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Transtorno de Personalidade Esquizoide

 


Nem toda pessoa reservada sofre com isso. Mas quando o distanciamento emocional se transforma em um modo rígido de existir, podemos estar diante do Transtorno de Personalidade Esquizoide. Trata-se de uma condição psicológica marcada por um padrão duradouro de desapego das relações sociais e uma gama limitada de expressão emocional. Quem vive com esse transtorno geralmente é descrito como alguém solitário, indiferente ao afeto e pouco envolvido com o mundo ao redor.

Importante dizer que essa forma de se relacionar com os outros, ou melhor, de não se relacionar, não é simplesmente uma escolha ou traço de personalidade tímida. No caso do transtorno, há um padrão inflexível de comportamento que se manifesta desde a fase adulta jovem e afeta significativamente várias áreas da vida, como a esfera pessoal, social e até profissional.

Pessoas com Transtorno de Personalidade Esquizoide tendem a evitar interações íntimas. Raramente têm amigos próximos e frequentemente escolhem atividades solitárias. Não é que não consigam interagir, mas sim que não sentem prazer ou interesse nessas conexões. Expressam pouca ou nenhuma emoção. E mesmo quando elogiadas ou criticadas, reagem com frieza aparente.

Muitos podem confundir esse quadro com o autismo ou com a depressão, mas há diferenças importantes. No transtorno esquizoide, não há necessariamente um sofrimento consciente com a solidão. A pessoa simplesmente se sente mais confortável assim. Já em casos de depressão, por exemplo, o isolamento geralmente causa dor emocional. Além disso, ao contrário do espectro autista, o esquizoide tende a apresentar uma linguagem e cognição preservadas, sem prejuízo claro nas habilidades sociais básicas. Ele apenas não vê utilidade nelas.

As causas exatas do transtorno ainda não são totalmente compreendidas, mas acredita-se que fatores genéticos e experiências precoces de vida desempenham um papel importante. Ambientes familiares emocionalmente frios, negligentes ou imprevisíveis podem contribuir para a formação desse padrão. Em muitos casos, o isolamento surge como uma forma de proteção contra decepções afetivas ou ambientes hostis.

No entanto, viver assim cobra um preço. A ausência de vínculos, mesmo que pareça confortável, pode gerar uma vida emocionalmente empobrecida. A pessoa pode se ver presa em rotinas solitárias, afastada de oportunidades de crescimento pessoal, afeto verdadeiro e trocas significativas.

O tratamento psicológico é um caminho possível para romper com esse ciclo. Embora muitas pessoas com o transtorno não busquem ajuda por iniciativa própria, quando o fazem, geralmente por pressão externa ou por dificuldades práticas da vida, o acompanhamento pode trazer avanços importantes.

Abordagens psicoterapêuticas centradas no acolhimento, como a terapia humanista, são particularmente indicadas. Isso porque respeitam o ritmo e os limites do paciente, sem forçá-lo a adotar um padrão externo de socialização. O foco está em ajudar a pessoa a desenvolver consciência de seus sentimentos, compreender suas escolhas e, pouco a pouco, construir uma abertura emocional segura. Numa relação terapêutica baseada no respeito e na empatia, o vínculo começa a se formar. E com ele, a possibilidade de novos caminhos.

Vale lembrar que cada ser humano é único. Mesmo dentro de um diagnóstico, há nuances. O objetivo da terapia não é mudar quem a pessoa é, mas ajudá-la a viver de forma mais livre, autêntica e conectada consigo mesma e com os outros, se assim desejar.

A solidão, em si, não é um problema. Mas quando se torna uma prisão, é sinal de que algo pode e merece ser olhado com cuidado.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

O incômodo de perceber que mudou

 Mudar parece uma coisa bonita quando acontece nas frases. A pessoa amadurece, aprende, supera, encontra novos caminhos e segue em frente. Tudo muito organizado, como se cada mudança viesse acompanhada de uma explicação e de uma placa indicando a direção correta.

Na vida, porém, quase nunca acontece assim.

Às vezes, percebemos que mudamos quando uma música que já significou muito toca e não provoca mais nada. Quando voltamos a um lugar do qual sentíamos saudade e descobrimos que ele ficou pequeno. Quando encontramos alguém que fez parte da nossa história e a conversa já não acontece com a mesma naturalidade. Não houve briga, decepção ou despedida. Apenas alguma coisa deixou de estar onde sempre esteve.

É estranho perceber que certas coisas continuam iguais, mas nós já não conseguimos enxergá-las da mesma forma.

Talvez o maior incômodo da mudança esteja justamente nisso. Passamos tanto tempo tentando preservar aquilo que somos que, quando finalmente percebemos que já somos outra pessoa, sentimos como se tivéssemos traído uma versão antiga de nós mesmos.

Aquela pessoa tinha sonhos, certezas, gostos, amigos e uma ideia razoavelmente definida de como seria o futuro. Algumas dessas coisas se realizaram, outras desapareceram no caminho, e muitas perderam a importância antes mesmo que pudéssemos decidir o que fazer com elas.

Um dia você gostava de sair, conversar, conhecer gente nova. Depois começa a preferir o silêncio, a própria casa e a companhia de poucas pessoas. Ou acontece o contrário. Aquilo que parecia suficiente deixa de ser. A rotina começa a incomodar. As opiniões mudam. A paciência diminui para algumas coisas e aumenta para outras. Até os medos mudam de endereço.

O problema é que nem sempre estamos preparados para conhecer essa nova pessoa que aparece no espelho.

Há uma espécie de constrangimento em admitir que já não queremos o que dizíamos querer. Parece incoerência, fraqueza ou falta de personalidade. Então insistimos em hábitos, relações e escolhas que combinavam com quem fomos, mas já não conversam com quem nos tornamos.

Continuamos frequentando lugares dos quais desejamos ir embora. Mantemos conversas que terminaram há muito tempo. Defendemos ideias nas quais já não acreditamos completamente. Fazemos tudo isso porque reconhecer a mudança pode exigir explicações que nem nós sabemos dar.

As pessoas também cobram alguma permanência. Gostam de dizer que você mudou como quem apresenta uma acusação. E talvez tenham razão. Você mudou. Só não significa necessariamente que tenha se tornado melhor ou pior. Significa apenas que o tempo passou por você e deixou marcas.

Nem toda mudança representa crescimento. Algumas são cansaço, proteção, decepção ou simples perda de interesse. Outras acontecem tão devagar que só percebemos quando já não conseguimos voltar. E talvez nem queiramos voltar, embora ainda sintamos saudade.

Esse é outro incômodo difícil de explicar. Podemos sentir saudade de quem fomos sem desejar ser aquela pessoa novamente.

Tenho saudade de algumas versões minhas. Da ingenuidade com que acreditavam em certas coisas, da facilidade com que se encantavam e até dos erros que cometiam sem imaginar as consequências. Mas eu sei que já não caberia nelas. Seria como tentar vestir uma roupa antiga que ainda guardamos por carinho, mesmo sabendo que não serve mais.

Perceber que mudamos também significa admitir que algumas partes da nossa história terminaram sem cerimônia. Não houve uma última vez anunciada, uma despedida adequada ou qualquer aviso. Apenas fizemos alguma coisa pela última vez e seguimos vivendo sem saber.

Talvez seja por isso que mudar incomode tanto. Porque toda mudança carrega uma pequena despedida, e nem sempre sabemos de quem estamos nos despedindo.

Às vezes, daquilo que fomos.

Em outras, daquilo que imaginávamos que ainda seríamos.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Psicologia da Autoestima


A autoestima é uma das peças-chave do bem-estar emocional. Embora muitos a associem apenas à vaidade ou à autoconfiança, ela vai muito além disso. Ter autoestima não significa se achar melhor do que os outros, nem viver sem críticas internas. Trata-se de reconhecer o próprio valor, aceitar imperfeições e compreender que é possível ser digno de amor, respeito e cuidado, exatamente como se é.

Do ponto de vista psicológico, a autoestima é construída desde a infância. Nossos primeiros contatos com o mundo moldam a forma como nos enxergamos. O modo como fomos acolhidos, elogiados, repreendidos ou ignorados deixa marcas profundas. Pais que reconhecem os esforços dos filhos, mesmo quando eles erram, ajudam a formar uma base de autoestima mais sólida. Já ambientes onde o amor é condicionado ao desempenho ou à obediência absoluta tendem a gerar adultos que duvidam do próprio valor.

Mas nem tudo está definido na infância. A autoestima é algo que pode ser fortalecido ou enfraquecido ao longo da vida. Relações amorosas, amizades, ambiente de trabalho e até o modo como nos comparamos com os outros nas redes sociais influenciam diretamente nessa construção interna. Pessoas que se cobram em excesso, que se anulam para agradar ou que têm medo constante de decepcionar alguém, geralmente carregam feridas nessa área.

A psicologia humanista, linha que utilizo em meu trabalho, nos convida a olhar para a autoestima como um reflexo da nossa autenticidade. Carl Rogers, um dos principais nomes dessa abordagem, acreditava que todo ser humano tem dentro de si uma tendência natural à autorrealização, mas que muitas vezes é interrompida por exigências externas. Quando tentamos nos encaixar em modelos que não respeitam quem somos, passamos a nos ver como inadequados. Isso fere nossa autoestima.

O processo terapêutico, nesse sentido, é o caminho para resgatar o amor-próprio. Ao criar um espaço de escuta empática, livre de julgamentos, a terapia nos permite identificar as crenças limitantes que nos acompanham desde sempre. É comum descobrirmos, por exemplo, que aquela sensação de “não ser suficiente” não veio de dentro, mas foi aprendida. E o que é aprendido, pode ser transformado.

Fortalecer a autoestima não é sobre se convencer de que tudo está bem. É sobre se permitir ser humano. É aprender a ser gentil consigo mesmo nos dias bons e, principalmente, nos dias difíceis. É poder dizer “eu errei” sem se anular, e também “eu mereço” sem culpa. É respeitar os próprios limites e reconhecer suas conquistas, mesmo que pequenas.

Um ponto importante é entender que autoestima não é estática. Ela pode oscilar. Há fases em que nos sentimos mais seguros e outras em que duvidamos de tudo. Isso é natural. O que importa é perceber essas variações sem se perder nelas. Ter consciência das próprias emoções, desenvolver autocompaixão e estar cercado por vínculos saudáveis faz toda a diferença.

Se você sente que sua autoestima tem sido um desafio constante, saiba que não está sozinho. Muitas pessoas vivem com dúvidas profundas sobre seu valor, mesmo que do lado de fora pareçam fortes. Buscar apoio psicológico pode ser o início de uma jornada transformadora. Não para se tornar outra pessoa, mas para se reencontrar com quem você sempre foi.

A autoestima é um exercício diário. Começa ao se olhar no espelho com mais acolhimento e se perguntar: “O que posso fazer hoje por mim?”. Às vezes, o simples fato de se permitir descansar, dizer não ou pedir ajuda já é um grande passo.

Você não precisa provar seu valor para ninguém. Você já tem valor. E merece reconhecê-lo.


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Enterrado


Queria apenas que fosse possível voltar de onde eu vim.
E então não precisaria me entregar a você dessa forma.
Os grãos de areia se misturam com as lágrimas dos meus olhos.
Sentado sobre meu próprio túmulo, com as flores que eu mesmo comprei.

Desisti da salvação.
Entreguei meu coração.
Queriam tanto que eu fosse alguém,
Mas me abandonaram como se eu fosse ninguém.

Enterrado no fundo da minha própria alma,
Me sinto tão pequeno.
Eu queria ser livre,
Mas cortaram as minhas asas.

Enterrado e com pedras por cima de mim.
Mas mesmo assim o sol me atinge e sinto o sal do suor.
Me declaro culpado por me fazer sofrer.
E a minha sentença agora é o silêncio.
 

Os 4 Tipos do Transtorno de Personalidade Borderline

 


O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição mental complexa, caracterizada por instabilidade emocional, dificuldade nos relacionamentos, autoimagem negativa e comportamentos impulsivos. No entanto, dentro desse diagnóstico, especialistas identificam diferentes subtipos, conhecidos como os 4 tipos do transtorno borderline, que ajudam a compreender as nuances dessa condição. Conhecer esses tipos pode auxiliar no desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais personalizadas.

1. Borderline Impulsivo

O tipo impulsivo é marcado por comportamentos de risco e impulsividade extrema. Pessoas com esse perfil podem agir sem pensar nas consequências, envolvendo-se em atividades perigosas, como abuso de substâncias ou direção imprudente. Além disso, é comum que enfrentem dificuldades para controlar explosões de raiva.

2. Borderline Desesperado ou Dependente

Este tipo apresenta características de dependência emocional e medo intenso de abandono. A pessoa pode se esforçar excessivamente para agradar os outros, mesmo que isso a prejudique. Esse padrão muitas vezes resulta em baixa autoestima e comportamentos que buscam validação constante.

3. Borderline Persecutório ou Paranoide

Aqui, os indivíduos podem apresentar pensamentos paranoides e sentimentos de desconfiança em relação aos outros, especialmente em situações de estresse. Eles podem interpretar comportamentos neutros como hostis ou rejeitadores, o que contribui para conflitos nos relacionamentos.

4. Borderline Autodestrutivo ou Depressivo

O tipo autodestrutivo é caracterizado por comportamentos que sabotam o próprio bem-estar, como automutilação, negligência pessoal e pensamentos suicidas. Esses indivíduos frequentemente experimentam um sentimento profundo de vazio e desesperança, tornando a vida cotidiana um desafio constante.

Independentemente do tipo, o Transtorno de Personalidade Borderline requer um tratamento estruturado que combina psicoterapia e, na maioria dos casos, medicação. A terapia é uma ferramenta fundamental para ajudar os indivíduos a compreenderem seus padrões de comportamento e desenvolverem habilidades emocionais e sociais.

A Terapia Comportamental Dialética (DBT), por exemplo, é amplamente utilizada no tratamento do TPB. Essa abordagem foca em ensinar habilidades práticas, como regulação emocional, tolerância ao estresse e melhoria nos relacionamentos interpessoais. Além disso, ela ajuda a pessoa a construir uma vida que considere significativa, reduzindo comportamentos autodestrutivos.

Outras abordagens, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Terapia Humanista e a Psicoterapia Baseada em Mentalização, também são eficazes. Estas ajudam a pessoa a reavaliar pensamentos distorcidos, entender suas emoções e melhorar a forma como interpreta as intenções dos outros.

Embora a psicoterapia seja o pilar do tratamento, em alguns casos, a medicação é indicada para gerenciar sintomas específicos, como ansiedade, depressão ou impulsividade extrema. Antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos podem ser prescritos, dependendo das necessidades individuais do paciente.

É importante ressaltar que a medicação não é uma solução isolada. Ela funciona melhor quando combinada com a terapia, permitindo que o paciente lide com os sintomas enquanto trabalha nas causas subjacentes do transtorno.

O TPB afeta profundamente a vida do indivíduo e suas relações, tornando um tratamento abrangente indispensável. A integração da terapia com a medicação cria um ambiente de suporte onde o paciente pode aprender a reconhecer e modificar padrões prejudiciais, além de aliviar os sintomas que dificultam o progresso.

Além disso, o apoio de familiares e amigos é fundamental no processo de recuperação. A conscientização sobre o transtorno pode reduzir o estigma e promover interações mais empáticas, favorecendo o bem-estar emocional do paciente.

Embora o Transtorno de Personalidade Borderline seja desafiador, é importante lembrar que ele não define quem a pessoa é. Com um tratamento adequado, combinado com terapia, medicação e apoio, é possível alcançar estabilidade emocional, construir relacionamentos saudáveis e viver uma vida significativa. Cada passo no caminho da recuperação é uma vitória e deve ser celebrado como tal.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Síndrome de Korsakoff

 


A Síndrome de Korsakoff é um distúrbio neuropsiquiátrico grave caracterizado pela perda significativa de memória e confabulação, ou seja, a criação de histórias para preencher lacunas de memória. Comumente associada ao alcoolismo crônico, essa condição está relacionada à deficiência de tiamina (vitamina B1), essencial para o funcionamento adequado do cérebro.

A principal causa da Síndrome de Korsakoff é, portanto, a carência de tiamina, frequentemente associada ao abuso de álcool prolongado. O álcool não só reduz a absorção dessa vitamina no trato gastrointestinal, mas também afeta a sua conversão em uma forma utilizável pelo organismo. Além disso, a má alimentação comum entre pessoas com dependência alcoólica contribui para a deficiência nutricional.

Embora o alcoolismo seja a causa mais comum, a síndrome também pode surgir em outras condições que afetam a absorção ou o uso de tiamina, como desnutrição severa, anorexia nervosa, cirurgias bariátricas, e doenças crônicas que prejudicam o metabolismo.

A Síndrome de Korsakoff compromete principalmente a memória de curto e longo prazo. Os pacientes apresentam dificuldade em criar novas memórias e frequentemente preenchem essas lacunas com informações inventadas, sem a intenção de enganar. Além da amnésia, outros sintomas incluem desorientação, mudanças de humor e dificuldades na coordenação motora.

O impacto na vida social e profissional é significativo. As pessoas com essa síndrome podem se tornar dependentes de cuidados constantes, pois a capacidade de realizar atividades diárias de forma independente é severamente afetada. As relações familiares também podem ser prejudicadas, uma vez que a falta de reconhecimento de eventos ou pessoas gera frustração e sofrimento tanto para o paciente quanto para seus entes queridos.

O tratamento da Síndrome de Korsakoff envolve a administração de tiamina por via oral ou intravenosa, especialmente nas fases iniciais. Além disso, é crucial interromper o consumo de álcool para evitar a progressão da doença. Suplementos vitamínicos, alimentação balanceada e acompanhamento médico contínuo são essenciais para a recuperação.

A reabilitação cognitiva também desempenha um papel importante. Técnicas que ajudam a melhorar a memória residual e a desenvolver estratégias de compensação são frequentemente utilizadas por terapeutas ocupacionais e neuropsicólogos.

Embora a recuperação total das funções cognitivas seja rara, a terapia humanista pode desempenhar um papel importante no bem-estar emocional e social do paciente. Focada na valorização do ser humano como um todo, essa abordagem busca compreender o indivíduo em sua totalidade, promovendo um ambiente terapêutico acolhedor e empático.

No contexto da Síndrome de Korsakoff, a terapia humanista pode ajudar o paciente a lidar com a frustração, o isolamento e o sentimento de inadequação. Trabalhar a autoaceitação e a resiliência é fundamental para promover uma melhor qualidade de vida, mesmo diante das limitações. A abordagem humanista também pode envolver a família no processo terapêutico, ajudando-os a compreender a condição e a desenvolver estratégias de apoio mútuo.

A Síndrome de Korsakoff é uma condição debilitante, mas o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem minimizar seus efeitos. Além da intervenção médica, o suporte emocional e psicológico é essencial para melhorar a qualidade de vida do paciente e de sua família. A combinação de cuidados médicos e a abordagem humanista reforça a importância de tratar o ser humano em sua integridade, promovendo dignidade e esperança, mesmo diante das dificuldades.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Neuropsicologia do Desenvolvimento

 

A neuropsicologia do desenvolvimento é um campo da psicologia que estuda como o cérebro humano amadurece ao longo do tempo e como esse processo está diretamente ligado ao comportamento, às emoções e à aprendizagem. Diferente da neuropsicologia tradicional, que foca em lesões ou alterações em cérebros já formados, essa área volta seu olhar especialmente para crianças e adolescentes, ou seja, para cérebros que ainda estão em construção.

O objetivo é compreender como funções como atenção, memória, linguagem, raciocínio, controle emocional e habilidades motoras se desenvolvem. E mais do que isso, entender o que pode interferir nesse processo e como intervir precocemente quando algo não está evoluindo da forma esperada.

Sabemos hoje que o desenvolvimento cerebral não acontece de maneira uniforme. Há momentos em que determinadas regiões se desenvolvem com mais intensidade, como por exemplo o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento, pelo controle dos impulsos e pela tomada de decisões, que só atinge a maturidade total no fim da adolescência ou início da vida adulta. Esse dado ajuda a explicar, por exemplo, por que adolescentes podem ter comportamentos impulsivos mesmo quando já entendem o que é certo ou errado.

A neuropsicologia do desenvolvimento também é essencial para identificar possíveis dificuldades desde cedo. Questões como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtornos de Aprendizagem, Autismo e atrasos no desenvolvimento da linguagem, por exemplo, podem ser mais bem compreendidos e manejados a partir dessa perspectiva.

Os profissionais que atuam nessa área utilizam avaliações neuropsicológicas que analisam, de forma detalhada, o funcionamento cognitivo da criança ou do adolescente. A partir dessas avaliações, é possível traçar um perfil neuropsicológico que vai orientar pais, educadores, médicos e terapeutas em relação ao melhor caminho de acompanhamento e intervenção.

Mas vale lembrar que o foco da neuropsicologia do desenvolvimento não é rotular. Pelo contrário. O objetivo é compreender o indivíduo em sua singularidade, respeitando seu tempo, suas potencialidades e suas limitações, para que ele possa se desenvolver da melhor forma possível.

Além disso, esse campo tem uma contribuição enorme para a educação. Ao entender como o cérebro aprende e processa informações em diferentes fases da vida, é possível adaptar métodos de ensino, favorecer a inclusão e oferecer estratégias mais eficazes para crianças com necessidades específicas.

A neuropsicologia do desenvolvimento nos convida a olhar para o crescimento humano com mais profundidade, empatia e ciência. E nos lembra que, por trás de cada dificuldade de comportamento ou de aprendizagem, pode haver um cérebro em desequilíbrio, pedindo ajuda para se organizar melhor.

Por isso, mais do que identificar problemas, essa área propõe caminhos. Caminhos que respeitam a infância, acolhem os desafios da adolescência e promovem oportunidades reais de desenvolvimento saudável, para que cada ser humano possa florescer no seu próprio ritmo.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

2022 - Ano 50

Sim cinquentei!

E o que mudou?

Quase nada.

Só sinto que foi um marco em que a idade e o meu comportamento se uniram. Comecei a ter menos vontade de fazer as coisas que eu faia sem vontade, ou seja, me respeitar mais.

Entendi que um sorriso em uma presença forçada, vale menos do que a tranquilidade de momentos de paz...

É, amigos, o tempo vai passando, vamos amadurecendo, os pensamentos mudam, a perspectiva muda e precisamos nos adaptar a nós mesmos e não mais ao que os outros esperam de nós...

2021 - Ano 49

A pandemia começou a afrouxar. A vida nunca mais seria a mesma, mas as coisas precisavam caminhar.
Voltei a viajar, mas não voltei a trabalhar presencialmente.
Os atendimentos online viraram a minha única forma de trabalho.
O alívio veio, mas não completo, minha mãe passou por essa, mas as perdas dos anos anteriores também deixaram marcas...

Enfim, é a vida. E ela continua.

E o fato de continuarmos, foi a coisa mais marcante desse ano,

terça-feira, 21 de julho de 2026

Terapia Assistida por Animais


Em um mundo marcado por pressa, cobranças e excesso de estímulos, é reconfortante perceber que o vínculo entre humanos e animais pode se transformar em um verdadeiro instrumento de cuidado emocional. A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma prática cada vez mais reconhecida por profissionais da saúde e da psicologia como um complemento valioso no processo terapêutico.

Não se trata apenas de ter um animal por perto. Na TAA, cães, gatos, cavalos e até coelhos são cuidadosamente selecionados, treinados e inseridos em ambientes terapêuticos para ajudar no desenvolvimento emocional, social e, em alguns casos, até físico dos pacientes. Eles não substituem o terapeuta. Mas tornam a experiência mais acessível, acolhedora e, muitas vezes, mais potente.

O que acontece quando um animal entra em cena é difícil de explicar apenas com palavras. Crianças com dificuldades de comunicação se abrem. Adultos com traumas se sentem seguros para lembrar. Idosos com depressão voltam a sorrir. Existe ali um tipo de troca que ultrapassa o raciocínio lógico. Um olhar, um carinho, um silêncio compartilhado... e a confiança começa a nascer.

Essa confiança é fundamental no processo terapêutico. Muitas pessoas, ao iniciarem uma jornada de autoconhecimento, carregam medos, inseguranças, bloqueios. Ter um animal como facilitador nesse caminho pode tornar a experiência mais leve, menos intimidante. O toque de um focinho, a maciez de um pelo, o simples fato de não ser julgado. Tudo isso pode ajudar a criar um ambiente emocionalmente seguro.

A abordagem humanista, que valoriza a escuta, a empatia e o respeito pelo tempo e pela história de cada pessoa, encontra um terreno fértil nessa prática. Porque a TAA não impõe. Ela convida. E o convite é sempre gentil: "Vamos juntos, no seu ritmo, sem pressa e com cuidado."

Além dos benefícios emocionais, estudos mostram que a presença dos animais pode reduzir a ansiedade, estabilizar a pressão arterial, melhorar o humor e até diminuir sintomas de depressão. Nas sessões, o animal atua como um elo de ligação, quebrando barreiras e estimulando interações mais autênticas.

É importante lembrar que esse tipo de intervenção precisa ser conduzido por profissionais capacitados, com acompanhamento técnico e ético. Cada animal passa por avaliação, e o bem-estar dele também é prioridade. Afinal, é uma relação de troca. O terapeuta guia, o animal acolhe, e o paciente se permite.

A Terapia Assistida por Animais nos ensina que o cuidado pode vir de muitas formas. Às vezes, vem de uma escuta atenta. Outras, de um latido sereno ou de um ronronar suave.

Porque no fim das contas, o que todos buscamos é conexão. E algumas conexões têm quatro patas e um coração imenso. 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Uma viagem. Divina?


Quem se importa com um homem que pergunta demais?
Um espantalho com as costas quebradas.
E quem se importaria com algum deles?
Ambos olham fixo para o nada e não vão escapar.

Existem pessoas que se acham infalíveis.
Mas nenhuma mentira é eterna.
O que você fez com a sua vida?
Enquanto seu braço dormente  aponta, ou serve de galho.

É muito mais fácil amar um cavalo.
Do que um humano sem destino.
Que desdenha enrolando os cabelos.
E enrolado por eles também.

Quem sabe ainda seja possível enxergar.
E lembrar de quem ficou para trás.
Mas eu sempre estarei aqui.
Para quando Deus te devolver.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Última Saída


Todos têm que nascer
Não importa se vão conseguir viver.
Olhem ,pessoas, Estou desabando!
Ninguém se pergunta se valeu a pena.

Pode durar muito pouco.
Mesmo que seja apenas para segurar nos braços.
E depois ver indo embora muito rápido.
Para o bem ou para o mal.

Por mais que as intenções sejam boas
Nem o mais vasto oceano limpa os erros do passado.
Quatro dias talvez seja o limite.
E depois vai embora.

Na boca de quem não sente o sofrimento alheio,
Toda palavra é um guia.
Mas ninguém oferece nada além de palavras.
E palavras não são pecados...



segunda-feira, 13 de julho de 2026

A transformação de tudo em conteúdo

Houve um tempo em que a comida chegava à mesa e a primeira reação era comer. Às vezes, alguém ainda elogiava a aparência do prato, reclamava da quantidade de cebola ou estendia o garfo para experimentar o que o outro havia pedido. Hoje, antes de qualquer movimento, surge o telefone.

É preciso encontrar o melhor ângulo, afastar o copo, ajeitar o guardanapo, verificar a iluminação e pedir que ninguém toque em nada. A fome pode esperar. O prato ainda não está pronto para ser comido porque, antes, precisa cumprir sua função pública: virar conteúdo.

Não há nenhum grande problema em fotografar uma refeição bonita. Também registro momentos, lugares e coisas das quais quero me lembrar. Uma fotografia pode guardar uma memória, dividir uma descoberta ou simplesmente revelar um pouco da beleza encontrada em um dia comum. O problema começa quando deixamos de registrar o que vivemos e passamos a viver principalmente aquilo que pode ser registrado.

Agora tudo parece precisar de uma legenda.

A viagem não começa quando chegamos ao destino, mas quando publicamos a foto da estrada. O exercício precisa aparecer no aplicativo. O presente precisa ser exibido. O aniversário precisa ter provas. O livro precisa ser fotografado, mesmo que jamais seja lido. Até o descanso ganhou a obrigação de parecer interessante.

Aos poucos, a experiência deixa de ser suficiente. Não basta saborear, encontrar, contemplar ou sentir. É preciso mostrar que saboreamos, encontramos, contemplamos e sentimos. E, mais do que mostrar, precisamos torcer para que alguém reaja.

Talvez tenhamos transformado a vida em uma espécie de prestação de contas permanente. Estamos sempre demonstrando que fizemos alguma coisa, fomos a algum lugar, conhecemos alguém, compramos algo ou tivemos um dia melhor do que aquele que realmente tivemos.

E não é necessário condenar as redes sociais para perceber isso. Elas aproximam pessoas, divulgam trabalhos, registram histórias e nos apresentam lugares aos quais talvez nunca chegássemos. O exagero não está na ferramenta. Está na sensação de que um momento só adquire importância depois de publicado.

Existem experiências que perdem um pouco de sua delicadeza quando são imediatamente expostas. Uma conversa inesperada, uma paisagem silenciosa, um gesto de carinho, uma refeição simples preparada por alguém querido. Nem tudo precisa atravessar uma tela para se tornar verdadeiro.

Nem toda comida precisa virar foto. Algumas podem simplesmente esfriar um pouco enquanto a conversa esquenta. Outras podem desaparecer do prato sem deixar qualquer prova além da satisfação de quem estava ali. E está tudo bem.

Talvez ainda seja possível reaprender a viver acontecimentos que não renderão postagem alguma. Fazer algo sem pensar na legenda. Conhecer um lugar sem procurar o ponto mais fotografável. Vestir uma roupa bonita sem produzir uma imagem. Sentar à mesa e começar a comer antes que o queijo endureça e a batata murche.

Guardar certos instantes apenas para nós não significa desperdiçá-los. Pelo contrário. Pode ser uma maneira de devolvê-los à sua finalidade original: serem vividos.

Porque uma vida sem registro pode ser esquecida, mas uma vida transformada inteiramente em conteúdo corre outro risco: ser muito vista e pouco experimentada. 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sujeira


Nunca me senti tão frustrado como naquele dia.
E o espelho pagou pela minha falta de controle.
Queria te punir, me maltratando.
E te culpar pelo meu enterro.

Se você não se importa,
talvez seja apenas uma miragem.
E eu estava tentando me esconder,
Mas não tinha ninguém para me encontrar.

Tem muita sujeira nas suas armas.
Mas mesmo assim queria sentir aquele gosto.
Queria te levar à loucura.
Assim como você fez comigo.

Você é tão especial,
que perto de ti me sinto pequeno.
Tão pequeno que com a sujeira dos seus pés,
você me enterra vivo.

Depenado

A vida ainda não achou um jeito de sair daqui. O suor brota da minha testa. Escorre pelos meus olhos e cai. Onde está minha família? O exérc...