segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Pessoas matam outras pessoas... Todos os dias.

Há algum tempo, publiquei na minha página pessoal do Facebook uma frase na qual disse que, enquanto houver preconceito e precisarmos nomear grupos, tais como "ricos", "pobres", "brancos", "negros" e todos os demais, não conseguiremos nos considerar apenas pessoas.

Alguns dos comentários que recebi mostram como é importante reconstruir esse país do "zero", começando, desta vez, da forma correta: pela educação.

Debates políticos invadem qualquer tipo de publicação e, quando "desenhamos" sobre a ausência de qualquer conotação política, ainda rebatem e querem que você mude a sua própria interpretação do que você mesmo escreveu.

Essas e tantas outras pessoas são as que mais me assustam e me preocupam. São as que dizem que armas não matam, que machismo e feminicídio não existem e comparam um assassinato cometido por uma mulher contra um homem com os ataques sofridos pelas mulheres, que acontecem a cada minuto.

Pois sim, armas matam. E não adianta usar o argumento estúpido de que nenhuma arma dispara sozinha, pois até isso elas fazem. Mas, nas mãos de alguém que se acha superior, que não aceita contestação em suas opiniões, que interpreta o fim de um relacionamento como desrespeito e que, por isso, acha que a mulher deve escolher entre viver ou ficar amarrada a um relacionamento infeliz, as armas matam, e muito, todos os dias.

Os odiosos programas de sensacionalismo mostram isso todos os dias e vão continuar, pois a desgraça dá audiência. Muitas pessoas são como urubus em busca de carniça, querendo sempre ver a desgraça alheia, as lágrimas nos olhos das pessoas humildes que, naquelas situações, nem sabem direito o que está acontecendo.

Pessoas matam pessoas. Com armas, ainda mais. Matam por ciúme, por insegurança, por dinheiro, por divergência política, por torcer para um time de futebol diferente. Para roubar um relógio ou um telefone celular, matam. Matam por matar. Matam porque não há punição, matam porque, depois de um tempo, podem matar de novo, ou porque encontram Deus e recebem perdão. Matam porque não há justiça.

Fundamentalmente, matam porque a vida humana perdeu o valor há muito tempo.

Mais educação, menos armas, menos violência e mais compreensão.

Boa semana!


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Loners

Há um tempo atrás recebi um link para uma reportagem que mudou a minha perspectiva sobre mim mesmo, pois, mesmo estando no ramo da psicologia e mesmo tendo convivido comigo a vida toda, nunca tinha encontrado uma palavra que me definisse tão bem. Descobri que sou um loner.

E que não estou sozinho no mundo. Existem muitas pessoas com características muito semelhantes às que tenho.

Os loners são pessoas com amor próprio acima de tudo, têm personalidade reclusa e evitam voluntariamente, de forma consciente e sempre que possível, a vida social.

Por terem essa personalidade, os loners vivem em paz consigo mesmos e com seus pensamentos, evitando a proximidade do drama das outras pessoas. Por vezes chamados de lobos solitários, os loners normalmente têm tudo o que precisam para viver bem consigo mesmos, e isso significa muito mais do que para a maioria das pessoas que precisam de outras para se sentirem bem.

E, diferente do que vocês podem pensar, os loners não são solitários, não precisam estar solteiros e nem são necessariamente tímidos ou fechados. Apenas escolhem passar a maior parte do tempo em paz e consigo mesmos.

Existem seis características principais presentes nos loners.

A primeira é o ódio pelo drama. Um loner não tem tempo nem paciência para os dramas da humanidade. Não consegue conversar com pessoas irracionais, cheias de dúvidas em relação ao mundo e a si mesmas. Por isso, normalmente se dá muito bem com outras pessoas que preferem a vida solitária àquelas que tentam ter muitas pessoas ao redor. Esse ódio pelo drama o afasta de lugares com muita gente, o que não o torna antissocial, e sim um bom ouvinte para conversas genuínas, produtivas, profundas e com objetivos.

Outra, mas não menos importante, é a valorização do tempo. Do próprio tempo e do tempo das outras pessoas. Os loners são pontuais, eficientes e detestam desperdícios. Em virtude disso, são ótimos no gerenciamento do próprio tempo. Isso os torna confiáveis, faz com que os outros os respeitem e permite que exerçam cargos gerenciais, pois também cuidam do tempo das demais pessoas.

O terceiro ponto é que os loners são altamente conscientes. Por passarem muito tempo consigo mesmos, conhecem bem seus defeitos e qualidades, sabem exatamente o que gostam e o que não gostam, portanto o que vão fazer e o que não vão, independentemente da vontade alheia.
A autoconsciência lhes proporciona calma nos momentos mais tensos e, enquanto a maioria das pessoas se desespera com o problema, eles buscam ativamente a solução.

Os limites são outro fator predominante nos loners. Se alguém tenta entrar em seu mundo particular sem consentimento, eles se sentem desconfortáveis. Consideram invasão perguntas e conselhos não solicitados e preferem o silêncio para resolver sozinhos os próprios problemas. O oposto também é verdadeiro. Um loner não invade o espaço das outras pessoas, não se aproxima sem ser convidado e não pergunta nem opina se não for necessário. Isso reafirma ainda mais o respeito que as pessoas têm por eles, pois sabem que o loner é um companheiro que conhece e respeita limites.

Mas o que diferencia positivamente os loners são a empatia e a intuição. Orientados por sua intuição, eles são sensíveis à energia positiva que recebem das outras pessoas. São conscientes de suas palavras e atitudes, pois têm muito tempo para pensar, o que facilita suas decisões. A empatia faz com que sejam gentis e boas pessoas para lidar com as emoções dos outros. Conseguem ver o mundo com os olhos das outras pessoas, sem julgar e sem entrar em fofocas.

Por fim, e talvez o mais importante, os loners se amam. Aceitar a si mesmo é o ponto alto da autoconsciência, e aceitar é amar. Não é possível viver em paz sem amar a si mesmo.
E, como vivem de forma mais isolada, as poucas pessoas que permitem fazer parte de suas vidas têm um significado muito importante para eles. Se um loner o aceita, saiba que você faz parte de um grupo privilegiado de pessoas.

E aí, quantas dessas características vocês têm?

Boa semana!








segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O verdadeiro deficiente é aquele que não enxerga em si mesmo deficiência nenhuma

Tempos atrás escrevi aqui sobre respeito, mais precisamente sobre a falta de respeito em que vivemos nos dias atuais.

Além da falta de respeito, muitos humanos também não têm empatia e não conseguem enxergar a dor e o sofrimento das pessoas que vivem fora da sua bolha.

Um dos grandes exemplos disso é a falta de consideração com pessoas com deficiência, com dificuldades de locomoção ou de entendimento.

E conseguimos ver esses exemplos desde as coisas mais simples, como usar vagas especiais em estacionamentos sem nenhuma vergonha, até o desrespeito com crianças portadoras de algum tipo de deficiência cognitiva.

Ao mesmo tempo, é reconfortante perceber que muitas das pessoas chamadas de deficientes são muito mais produtivas, proativas e, fundamentalmente, muito mais felizes do que os chamados perfeitos. Vemos atletas que competem com garra e determinação, que não enxergam defeitos em si mesmos, mas diferenças. Pessoas que não se entregaram, não abriram mão e não desistiram do dom de viver.

Além disso, em pessoas com autismo, síndrome de Down e algumas outras características, encontramos muito mais pureza, mais inocência, mais honestidade e, principalmente, mais amor.

Os defeitos que são vistos pelos olhos são muito menores do que os defeitos incorrigíveis de quem não vê nada de errado no espelho, mas carrega todos os defeitos do mundo na mente, no coração, no seu interior.

Boa semana e até a próxima.




segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Respeito

Nada melhor do que debater sobre o respeito.

Palavrinha tão simples, tão propagada, mas, ao mesmo tempo, tão ignorada pela maioria das pessoas.

Pessoas que pedem respeito, mas não respeitam os outros, parecem se multiplicar. Talvez sempre tenham sido assim e apenas tenham encontrado mais espaço para se manifestar.

Nunca vivi nada parecido com isso. Opinião virou ofensa e, muitas vezes, até mentira. Se o que falamos não é aquilo que alguém quer escutar, rapidamente nos tornamos quase inimigos. Hoje se faz guerra por qualquer coisa. Antigamente, dizia-se que política, religião e futebol não se discutiam. Hoje podemos incluir nessa lista o tipo de comida, o horário de verão, os esportes em geral, a preferência por profissionais de qualquer área e até youtubers.

Divergências de opinião sempre existiram e sempre vão existir. São essas diferenças que criam novas perspectivas, novos ensinamentos e evolução. Se não houvesse quem pensasse diferente, provavelmente ainda estaríamos muito longe do estágio em que nos encontramos. Da mesma forma, se não houvesse quem preservasse determinadas tradições, talvez já tivéssemos ultrapassado alguns limites importantes.

Pessoas andam formando verdadeiros exércitos para defender indivíduos que nunca viram, não conhecem e nem sabem se realmente praticam aquilo que dizem, tudo em busca de uma resposta ou de uma curtida de algum ilustre desconhecido famoso. Existem aqueles que defendem políticos de forma incondicional, apoiando qualquer atitude de seus candidatos, talvez pela dificuldade de admitir que estavam errados. Acabam se contradizendo de maneira constrangedora quando passam a defender exatamente aquilo que antes criticavam, apenas porque agora foi feito por seu ídolo.

Enfim, vivemos tempos estranhos. O respeito parece cada vez mais raro. Encontrar alguém disposto a se levantar para ajudar um idoso, respeitar um professor ou demonstrar consideração pelos próprios pais tornou-se algo menos comum do que deveria.

Nessas horas, penso que não existe solução rápida para a nossa sociedade. Pelo contrário, a impressão é de que seguimos caminhando para mais intolerância, mais violência por discussões de trânsito, conflitos entre vizinhos e até crimes motivados pela incapacidade de aceitar o fim de um relacionamento.

Às vezes parece que a humanidade precisaria de um "reset". O problema é que separar aqueles de coração realmente bom dos demais seria uma tarefa praticamente impossível.

Como essa solução não existe, resta fazer a nossa parte: afastar-nos de discussões inúteis, ignorar aqueles que se julgam donos da verdade e manter o respeito pelas diferenças.

Depenado

A vida ainda não achou um jeito de sair daqui. O suor brota da minha testa. Escorre pelos meus olhos e cai. Onde está minha família? O exérc...