Volto aqui a falar sobre julgamentos. Hoje, sobre pessoas que se colocam no lugar de julgar a dor e o sofrimento alheio, comentar dificuldades financeiras ou criticar comportamentos que nem dizem respeito a elas.
Só sabemos onde aperta o nosso calo. Sabemos o que sentimos e a intensidade com que sentimos.
Quem realmente se aproxima do outro com empatia escuta, procura entender e, quando possível, oferece ajuda. Não expõe, não minimiza, não transforma a dor do outro em argumento.
Muita gente, em vez de compaixão, cria um verdadeiro concurso de desgraças. Sempre aparece alguém tentando mostrar que sofreu mais, como se isso fosse mérito. Alguém conta que quebrou um dedo, e surge o competidor dizendo que já quebrou os dez, como se estivesse apresentando um troféu.
Dor não é competição. Sofrimento não é ranking.
Cada pessoa sente de um jeito. Cada um lida à sua maneira com o luto, com a dor física, com a dor emocional e com as frustrações.
Ser empático é respeitar isso.
Escute mais. Questione menos. Julgue menos ainda.
Se puder ajudar, ajude.
Se não puder, ofereça presença.
E, quando nada disso for possível, o silêncio já é um grande gesto.