segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Ninguém sabe onde aperta o calo dos outros

Volto aqui a falar sobre julgamentos. Hoje, sobre pessoas que se colocam no lugar de julgar a dor e o sofrimento alheio, comentar dificuldades financeiras ou criticar comportamentos que nem dizem respeito a elas.

Só sabemos onde aperta o nosso calo. Sabemos o que sentimos e a intensidade com que sentimos.

Quem realmente se aproxima do outro com empatia escuta, procura entender e, quando possível, oferece ajuda. Não expõe, não minimiza, não transforma a dor do outro em argumento.

Muita gente, em vez de compaixão, cria um verdadeiro concurso de desgraças. Sempre aparece alguém tentando mostrar que sofreu mais, como se isso fosse mérito. Alguém conta que quebrou um dedo, e surge o competidor dizendo que já quebrou os dez, como se estivesse apresentando um troféu.

Dor não é competição. Sofrimento não é ranking.

Cada pessoa sente de um jeito. Cada um lida à sua maneira com o luto, com a dor física, com a dor emocional e com as frustrações.

Ser empático é respeitar isso.

Escute mais. Questione menos. Julgue menos ainda.

Se puder ajudar, ajude.
Se não puder, ofereça presença.
E, quando nada disso for possível, o silêncio já é um grande gesto.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Quem educa os filhos de quem não pode cuidar deles?

Cada vez se torna mais comum, seja pela vontade, seja pela necessidade, que os pais não consigam estar próximos dos seus filhos pequenos.

Normalmente, pai e mãe trabalham ou, em alguns casos, mesmo que apenas um dos dois trabalhe, o outro tem atividades particulares que acabam demandando tempo e a consequente distância das crianças.

Crianças essas que acabam indo para creches, sendo deixadas com vizinhos ou avós, ou ainda ficando com babás, no caso de famílias com essa possibilidade.

Por vezes, os pais só vão ver seus filhos à noite ou pela manhã, e conheço casos em que a necessidade faz um dos genitores ver sua cria apenas aos fins de semana, pois, na esperança de poder lhe prover uma vida melhor, se sacrifica em jornadas de trabalho que o obrigam a sair de casa muito cedo, com a criança ainda dormindo, e a voltar para casa já depois do horário em que ela foi para a cama.

A pergunta importante aqui é realmente quem educa essas crianças, quais traços de personalidade estão sendo inseridos nos pequenos nas fases mais importantes para a formação deles como indivíduos.

Não importa quem o filho chama de pai ou mãe, e sim quem ele conhece como a pessoa que o protege, que o alimenta, que o distrai, isso sempre pensando nas cuidadoras boas, que não agridem, maltratam ou deixam de lado a criança, preocupadas apenas com o salário no final do mês.

É muito comum ouvirmos de pais a expressão: "Não sei onde ele aprendeu isso". Ora, se não podem estar com ele, não saberão mesmo.

Depois que as crianças entram na escola, muitos pais querem que as professoras, ou até mesmo a própria instituição, sejam as responsáveis pela educação dos filhos, quando, na verdade, na escola os alunos devem aprender, além da alfabetização e das demais matérias, apenas o conceito de amizade. O respeito, a educação, o senso de bondade e de igualdade devem vir de casa.

Mas como virão de casa se, em casa, não há ninguém para educar as nossas crianças?

Caso seja possível algum esforço, algum aperto, abrir mão de algumas coisas, pelo menos um dos pais deve ficar mais tempo com as crianças pequenas. Passar aos poucos seus valores e ensinamentos, efetivamente educar, para depois não se surpreender e dizer: "Não foi assim que eduquei meus filhos".

Boa semana!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Quanto custa o dinheiro que você ganha?

Praticamente tudo na vida tem um preço, um valor.

Algumas coisas pagamos por obrigação, outras gostaríamos de pagar, mas não sobra dinheiro, e até existem aquelas que pagamos com prazer.

Até o dinheiro que ganhamos tem um custo, um valor que muitas vezes não é atribuído e nem nos damos conta, mas que por vezes é mais caro do que ele realmente vale.

A condição que temos em nosso país há muito tempo não permite ao trabalhador normal a possibilidade de avaliar o preço do seu esforço, pois em grande parte dos casos, ele não tem escolha. A procura por trabalho é muito maior que a oferta de vagas e boa parte dos empresários, mais interessados em si mesmos do que nas pessoas que possibilitaram a eles terem o que tem, não se envergonham em pagar sempre o mínimo possível, para ficar cada vez com mais.

Mas, hipoteticamente, se fosse possível medir, será que o dinheiro que você ganha vale mais do que ele custa?

Será que o suor que se derrama, os riscos que cada um de nós corre só por sair de casa, os engarrafamentos, as enchentes ou o calor escaldante compensam o que vem no holerite no começo do mês?

Quantos casos presenciamos de pessoas que pagaram com a própria vida pelo dinheiro que ganharam, infartando pela pressão e estresse do trabalho, ou entrando em depressão por trabalhar demais e não conseguir viver fora do trabalho, perdendo a família, a vida social, etc.

Em países como o Japão, muitos suicídios são cometidos por diretores e pessoas com outros bons cargos que são demitidos e perdem o rumo da vida.

No meio de tantas preocupações, boletos, contas, desejos de viagens e consumo, pare um pouco, respire e pense no valor que você dá hoje à sua vida, comparado com o valor que coloca nos bens materiais, nas fotos que tira, na vida que quer mostrar ou fazer os outros acreditarem que tem.

O bem mais precioso que temos, recebemos de graça e acabamos gastando demais para cuidar da saúde do que ganhamos para aproveitar a vida.

Carpe Diem!

Boa semana!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Ser Antissocial

Antissocial é considerado todo aquele que não se adapta no meio em que vive, prefere muitas vezes ficar sozinho do que rodeado por pessoas ou quem é contrário às coisas do ambiente em que convive.

Diferente do Loner, sobre o qual escrevi há duas semanas, o antissocial muitas vezes não apenas prefere estar sozinho, mas não tem ferramentas internas disponíveis para não ser assim.

Fazendo um paralelo, enquanto o Loner consegue conviver muito bem ao lado das pessoas que escolhe, o antissocial pode ter vontade de se encaixar em algum grupo, mas não consegue.

Nos dias de hoje é bastante comum que o antissocial sofra bullying por sua forma de se expressar, muitas vezes através da forma de se vestir, de sua postura solitária, por não tirar o fone dos ouvidos, entre outras coisas. Isso pode aumentar ainda mais o problema do indivíduo e, se houver alguma patologia mental envolvida, seu caso se agrava.

O antissocial não se encaixa nos padrões, não procura e nem consegue mudar seu comportamento e, em muitas ocasiões, vai precisar de ajuda para ter uma vida social futura, mesmo que mínima.

Assim como com qualquer outra pessoa, não devemos e nem podemos julgar alguém que achamos ser antissocial, pois não sabemos o que o levou a ser assim, além de certamente não existir a certeza sobre a definição correta do termo.

Deixemos em paz as pessoas para que cada um escolha ser da forma que melhor lhe convier e aconselhando diretamente a quem imaginamos que precise de nossa ajuda.

Boa semana!





Depenado

A vida ainda não achou um jeito de sair daqui. O suor brota da minha testa. Escorre pelos meus olhos e cai. Onde está minha família? O exérc...