segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Quem lucra com as Fake News?

Uma notícia falsa não precisa convencer todo mundo. Basta encontrar pessoas dispostas a acreditar nela.

A verdade exige provas, contexto e disposição para ouvir. A mentira precisa apenas confirmar aquilo que alguém já desejava acreditar. Por isso, as fake news encontram terreno fértil em uma sociedade dividida, apressada e emocionalmente envolvida com suas próprias certezas.

Quem cria uma notícia falsa conhece bem essa fragilidade. Sabe que a indignação se espalha mais rapidamente do que a dúvida. Sabe que o medo reduz a capacidade de reflexão. Sabe, principalmente, que muitas pessoas compartilham uma informação antes mesmo de verificar se ela é verdadeira.

Existe quem lucre financeiramente. Cada clique gera audiência, publicidade e dinheiro. Quanto mais absurda a notícia, maior a curiosidade. Quanto maior a revolta, mais comentários, compartilhamentos e visualizações. A mentira deixou de ser apenas um desvio moral e se tornou um modelo de negócio.

As plataformas também lucram. Seus algoritmos mantêm as pessoas diante das telas oferecendo conteúdos capazes de provocar alguma reação. A serenidade produz poucos cliques. A raiva, o medo e o escândalo mantêm os dedos em movimento. A verdade informa. A mentira bem construída envolve, mobiliza e prende.

Também existe o lucro político. Uma fake news pode destruir reputações, transformar adversários em inimigos e convencer milhões de pessoas de que qualquer crítica representa uma ameaça. Quem controla a versão dos fatos não precisa provar que está certo. Precisa apenas fazer com que a verdade pareça duvidosa.

Esse é um dos efeitos mais perigosos das fake news. Elas não precisam substituir completamente a realidade. Basta enfraquecê-la. Quando todas as informações parecem suspeitas, cada pessoa escolhe a verdade que melhor protege suas crenças. Os fatos perdem importância e a identidade passa a decidir aquilo que será aceito.

Há ainda um lucro psicológico. A notícia falsa oferece respostas simples para problemas complexos. Escolhe culpados, alimenta ressentimentos e confirma preconceitos. Quem acredita sente que finalmente compreendeu o mundo. Pouco importa se a explicação é falsa, desde que produza a confortável sensação de estar certo.

O compartilhamento também oferece pertencimento. A pessoa envia a mensagem para mostrar de que lado está. Recebe concordância, aprovação e a sensação de fazer parte de um grupo. Nesse processo, a verdade se torna menos importante do que a fidelidade aos semelhantes.

As fake news lucram com a preguiça de verificar, com a pressa de concluir e com a necessidade humana de proteger as próprias convicções. Lucram, sobretudo, quando alguém acredita que ser enganado é menos doloroso do que admitir o próprio engano.

Combater uma mentira exige mais do que apresentar fatos. Exige disposição para rever certezas, reconhecer manipulações e suportar o desconforto de descobrir que aquilo em que acreditamos pode estar errado.

Muita gente ganha com as fake news. Quem as cria ganha dinheiro. Quem as espalha conquista poder. Quem as utiliza reúne seguidores. E quem acredita recebe a ilusão de estar protegido pela verdade.

O prejuízo fica para uma sociedade que já não consegue distinguir informação de conveniência.

A mentira dá lucro porque a verdade ainda exige coragem. 

Cantinho do ódio


Sentado no cantinho do ódio.
Cercado por paredes que roubam meu ar.
Meu estômago dói, mas e daí?
O que importa é o que eu vejo do outro lado.

Sou eu mesmo, mas em molde de barro.
Sim, fico com medo quando me vejo.
Deformo meu rosto com velas vermelhas.

Sombras dançam ao redor.
As velas queimando no cantinho do ódio.
Quando garoto cometi um erro.
E meu céu se tornou cinza para sempre.

Tudo o que queria era brincar.
Mas toda hora, era hora de rezar.
Eu não me importo.
Apenas perdi o controle.
 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Psicologia do Perdão

 

Perdoar é uma das atitudes mais desafiadoras da vida emocional. À primeira vista, parece um gesto voltado ao outro, mas, na verdade, o perdão é um movimento íntimo e profundo que ocorre dentro de quem foi ferido. A psicologia compreende o perdão não como esquecimento ou absolvição, mas como um caminho de autocuidado e saúde mental.

Muitos confundem perdoar com "deixar para lá", como se fosse uma simples decisão racional. Mas na prática, o perdão costuma passar por fases: raiva, dor, negação, tristeza e, por fim, uma possível aceitação do que aconteceu. Esse processo pode levar tempo e, muitas vezes, precisa de apoio terapêutico. Especialmente quando as feridas são profundas.

A psicologia entende que o perdão não depende da outra pessoa pedir desculpas, reconhecer o erro ou mudar de atitude. É um processo que acontece dentro de quem decide perdoar. Isso não significa concordar com o que houve, muito menos justificar atitudes inaceitáveis. Significa, sim, não deixar que a dor continue sendo protagonista da sua história.

Guardar ressentimentos por longos períodos pode adoecer o corpo e a mente. Emoções como mágoa crônica, rancor ou desejo de vingança consomem energia vital e criam um ciclo interno de sofrimento. Ao contrário do que muitos pensam, o perdão não enfraquece. Ele fortalece. Porque permite que a pessoa retome o controle emocional da sua própria vida, sem que o passado continue ditando os sentimentos do presente.

No consultório, é comum ouvir: "Mas como perdoar alguém que me destruiu?", ou "Se eu perdoar, vou estar dizendo que estava tudo bem?". Essas perguntas são legítimas e merecem respeito. Nenhuma dor deve ser apressada ou silenciada. O perdão nunca deve ser imposto. Ele precisa ser construído, passo a passo, no tempo certo de cada um.

A abordagem humanista, baseada no respeito à experiência individual e na confiança na capacidade de crescimento de cada ser humano, compreende que o perdão é um movimento de cura. Quando há espaço para que a dor seja validada, o ressentimento perde força. Quando há escuta empática, o sofrimento se transforma. E, nesse processo, a decisão de perdoar pode surgir como um gesto de libertação, não como uma obrigação moral.

Vale lembrar que perdoar não implica manter vínculos com quem causou a dor. Em alguns casos, perdoar significa também se afastar, preservar limites e reconstruir a vida em outro lugar. O perdão não anula o discernimento. Pelo contrário, amplia a clareza. Tira o peso da raiva e abre espaço para escolhas mais conscientes.

Também é importante pensar no auto perdão. Muitos carregam culpas antigas por erros cometidos, palavras ditas no calor da emoção ou decisões tomadas em momentos difíceis. Perdoar a si mesmo é tão essencial quanto perdoar os outros. É reconhecer que falhar faz parte da condição humana e que crescer também significa aprender com o que passou.

A psicologia do perdão nos ensina que o alívio não está em mudar o passado, mas em mudar a forma como nos relacionamos com ele. E, ao contrário do que muitos pensam, perdoar não é sinal de fraqueza. É sinal de maturidade, de coragem e de amor-próprio.

Perdoar é dar a si mesmo a chance de seguir em frente sem carregar o peso do que não pode mais ser mudado. É permitir que o coração se cure sem depender da atitude de quem feriu. E, acima de tudo, é um ato de respeito consigo mesmo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Um homem doente


Quem sou eu?
Ou o que sou?
Aquele que vê demais?
Ou uma mosca em busca de paz?

Será que tenho sorte por estar vivo?
Mesmo me sentindo doente?
Minha vida me leva.
Mas não sou eu que dirijo.

Tenho medo apenas dos meus pensamentos.
Como eu sou tolo.
De nada adianta.
Afinal, o final é o mesmo.

Não tenhO nenhum problema.
Mas mentalmente sou doente.
Quem eu sou?
Atrás do meu muro, encontro a paz.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Ablutofobia


A ablutofobia, ou o medo intenso e irracional de lavar-se ou tomar banho, é uma fobia específica que, embora incomum, pode causar grande sofrimento para quem a enfrenta. Esse transtorno é mais prevalente em crianças, mas também pode persistir na vida adulta. Ele interfere significativamente na higiene pessoal, nas relações sociais e até na saúde física, devido à falta de cuidados básicos com o corpo.

Como outras fobias, a ablutofobia pode ter sua origem em experiências traumáticas. Uma criança que sofreu um acidente durante o banho, ouviu histórias assustadoras ou foi exposta a comportamentos punitivos relacionados à higiene pode desenvolver esse medo. Além disso, fatores genéticos e predisposições à ansiedade também podem estar associados ao problema.

Alguns dos principais sinais da ablutofobia são:

  • Ansiedade extrema antes ou durante a tentativa de se lavar.
  • Evitação completa de banhos ou da higiene pessoal.
  • Palpitações, tremores, suor excessivo e até crises de pânico ao se deparar com a necessidade de tomar banho.
  • Dificuldades em atividades diárias devido à falta de higiene, como no ambiente de trabalho ou escola.

Esses sintomas não só afetam a vida do indivíduo, mas também podem gerar estigmas e isolamento social.

Além das consequências sociais, como afastamento de amigos e familiares, a ablutofobia pode levar a problemas de saúde, incluindo infecções cutâneas e mau funcionamento do sistema imunológico. O impacto psicológico também é significativo, pois o indivíduo pode sentir vergonha e culpa, agravando o sofrimento emocional.

Tratamento Psicológico

O tratamento da ablutofobia pode ser altamente eficaz, especialmente com o suporte da psicoterapia.

Baseada em empatia e acolhimento, a abordagem humanista da psicologia oferece um espaço seguro para que o paciente explore os sentimentos associados à fobia.

O terapeuta trabalha para fortalecer a autoestima do paciente e promover autocompreensão, ajudando-o a desenvolver ferramentas internas para enfrentar o medo.

Para crianças e adolescentes, o envolvimento da família é crucial. A criação de um ambiente acolhedor, sem críticas ou punições, pode ajudar no progresso do tratamento.

Embora pareça um medo trivial para quem não o enfrenta, a ablutofobia pode ter impactos profundos na qualidade de vida. Por isso, buscar ajuda psicológica é essencial. O tratamento permite que o indivíduo recupere não só a higiene pessoal, mas também a confiança em si mesmo e a capacidade de interagir socialmente.

Se você ou alguém que conhece enfrenta esse desafio, saiba que é possível superá-lo com o acompanhamento adequado. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo, e dar o primeiro passo pode transformar vidas.

Sua saúde mental merece atenção!


O Impacto do Luto Prolongado


Lidar com a morte de alguém significativo é uma das experiências mais desafiadoras da vida. O luto é natural e esperado. É um processo emocional que permite à pessoa reorganizar internamente o mundo após uma perda. No entanto, quando o sofrimento se torna constante, impede o movimento da vida e não apresenta sinais de melhora com o tempo, estamos diante do que se chama de luto prolongado.

O luto prolongado não tem a ver com a intensidade da dor, mas com o quanto essa dor se cristaliza e impede o sujeito de retomar sua rotina, seus vínculos e seu sentido de existir. A tristeza se transforma em uma presença contínua. A vida parece ter parado no tempo da perda. O passado toma conta do presente, e o futuro se dissolve em incertezas.

É importante destacar que o tempo do luto é único para cada pessoa. Não existe um prazo “correto” para se estar triste. O problema não está na duração em si, mas na ausência de movimento psíquico, na repetição dolorosa dos mesmos pensamentos, nas imagens mentais que não cessam, na culpa que paralisa, e no isolamento que se intensifica.

Pessoas que vivem um luto prolongado podem apresentar sintomas parecidos com os da depressão, como insônia, desinteresse por atividades antes prazerosas, sensação de inutilidade, perda de apetite e apatia. Mas diferentemente da depressão clínica, no luto prolongado a dor está sempre ligada à perda específica. O vazio tem nome, rosto, história.

O impacto desse estado vai além da saúde emocional. Relações afetivas enfraquecem, o desempenho profissional pode cair, e a conexão com a própria identidade fica comprometida. É como se o sujeito deixasse de ser quem era antes da perda, mas também não conseguisse se tornar outra coisa. Fica preso em um entrelugar doloroso, que chamamos de estagnação.

Sob a ótica da psicologia humanista, esse sofrimento precisa ser acolhido sem julgamento. O terapeuta não deve tentar “apressar” o processo ou oferecer fórmulas de superação. Pelo contrário, é preciso escutar com presença, dar espaço para o que dói, e ajudar o outro a reconstruir sua história sem a presença física da pessoa que se foi, mas com a preservação do vínculo simbólico.

Esse vínculo simbólico é fundamental. A perda não precisa significar rompimento total. Em muitos casos, é possível ressignificar a ausência, reconhecendo o valor daquilo que foi vivido, sem negar a dor que a ausência provoca. A terapia possibilita que a pessoa se reconcilie com a ideia de continuidade, mesmo diante da ausência. E isso só é possível quando há espaço para ser quem se é, com todas as emoções presentes.

O luto não é para ser vencido. É para ser vivido. Quando ele se prolonga de maneira patológica, não significa fraqueza. Significa que aquela perda tocou camadas profundas, talvez nunca acessadas antes. E é nesse ponto que o sofrimento pode se transformar em processo de autoconhecimento.

Buscar ajuda profissional nesse momento não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Porque encarar o que machuca exige mais força do que esconder o que se sente. A dor que é escutada tem mais chance de encontrar caminhos de alívio.

Se você sente que o luto não passa, que a vida ficou congelada e que não há mais motivação para seguir, saiba que há formas de caminhar com a dor sem deixar que ela guie todos os seus passos. O apoio emocional é possível. O reencontro com o sentido também.


Depenado

A vida ainda não achou um jeito de sair daqui. O suor brota da minha testa. Escorre pelos meus olhos e cai. Onde está minha família? O exérc...