segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Violência Doméstica


Covardia — essa é a melhor definição para violência doméstica. Apesar de, por definição, não ser cometida apenas contra mulheres e crianças, a esmagadora maioria dos casos envolve uma dessas duas vítimas. É sempre fundamental lembrar que a violência não é apenas física, mas também psicológica. Agressões verbais podem causar tanto mal quanto um soco; humilhações diante de amigos ou parentes podem ferir tanto quanto um chute, e abusos podem gerar traumas mais profundos que a dor física momentânea.
As agressões contra crianças e idosos são tão absurdas e detestáveis quanto as praticadas contra mulheres, mas este artigo vai focar nesse último grupo, já que, nos últimos meses, os casos de violência contra esposas, namoradas e até ex-esposas parecem ter se multiplicado — algo extremamente preocupante. Bandidos disfarçados de homens acreditam que um relacionamento é uma aquisição, e não uma parceria. Eles buscam, não uma companheira, mas uma propriedade, algo que possam controlar, abusar, ignorar e, em casos extremos, matar.
Infelizmente, essa cultura tem raízes profundas. Antigamente, as mulheres eram vistas como mercadorias e leiloadas por seus pais para se casarem com famílias ricas, independentemente do amor ou do desejo. Aos homens era permitido ter outras mulheres "para diversão", enquanto a esposa ficava em casa, cuidando da casa, dos filhos e do próprio marido. Com a evolução do mundo e o fortalecimento do movimento feminista, os homens começaram a perder boa parte desse "poder". No entanto, em muitos, essa mentalidade de controle permanece enraizada — e esses são os mais perigosos. São aqueles que dizem: "Se não for minha, não será de mais ninguém" ou "Em mulher minha mando eu", referindo-se não apenas às esposas, mas também às filhas, e até às amantes.
Particularmente, eu não gosto nem do termo "minha esposa", "minha mulher" ou "minha namorada". Embora seja uma forma coloquial de se referir ao relacionamento, essa linguagem carrega uma conotação de posse. No entanto, ninguém é dono de ninguém — exceto de si mesmo.
Meninas e mulheres, nunca permitam que seus companheiros se apropriem de vocês, dos seus desejos e da sua vida. Se logo no início do relacionamento perceberem atitudes invasivas, não deixem a situação avançar. Não existe amor que justifique o sofrimento causado por um controlador obsessivo que busca alguém para mandar, e não para estar ao lado. Fiquem atentas a padrões de comportamento abusivo por parte do parceiro, sejam eles físicos, verbais, emocionais, econômicos ou até tentativas de imposição religiosa. Brincadeiras de mau gosto sobre aparência física ou sexual, sutis ou agressivas, também são sinais. E lembrem-se: ameaças, sufocação, mutilação e abusos de qualquer tipo não são brincadeira.
Infelizmente, a violência doméstica não é exclusividade do Brasil. Recentemente, descobrimos, durante a Copa do Mundo, que na Rússia o marido “tem o direito” de espancar sua esposa uma vez por ano! E isso não é exagero. Se houver uma “justificativa”, como infidelidade, a violência passa a ser não apenas aceita, mas também apoiada. O mais surpreendente é que algumas mulheres concordam com isso.
Não acredito que minha geração verá o fim dessa barbárie, mas temos a obrigação de conscientizar as novas gerações. A violência precisa ser reprimida, denunciada e punida com rigor. Se não agirmos agora, o futuro será ainda mais opressor.
Mais amor, por favor. Boa semana!

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Quem paga para trabalhar?


Existe trabalho voluntário, algo digno de ser feito e exaltado. Pessoas que doam seu tempo e, às vezes, até arcam com custos para ajudar outras pessoas, muitas vezes desconhecidas. Médicos, dentistas e até psicólogos, entre tantas outras profissões, eventualmente prestam serviços sem receber por isso.

Mas esta não é a regra. Normalmente, as pessoas acordam cedo e saem de suas casas para trocar sua força de trabalho por salário e benefícios. Além disso, mesmo no trabalho voluntário, os profissionais doam uma parte de seu tempo sem retorno financeiro.

Por que será, então, que, aqui no nosso país, pessoas gastam, além do execrável fundo partidário, dinheiro pessoal para fazer campanha política? Por que temos candidatos que prometem — e, pelo menos por um tempo, até cumprem — que vão doar integralmente seus salários para a "caridade"?

Seria caridade? Vontade de ver o país crescer, evoluir? Não, amigos, é porque ser eleito é um baita negócio! Você pode doar seu salário e investir dez vezes mais do que ganharia, que ainda assim vai terminar com um lucro gigantesco.

Verbas de gabinete, verbas para votar leis, verbas para assinar documentos e, a grande cereja do bolo, as propinas! Ganham fortunas para superfaturar obras, e quem paga são os desafortunados que votaram — e também os que não votaram. Pagam valores irreais por propriedades que não valem nada e ganham "brindes" milionários como recompensa. Além disso, governam em causa própria. Perdoam dívidas, cortam do orçamento verbas da saúde, da educação, e acabam com as pesquisas. Afinal, nada disso importa para eles, já que, ao serem eleitos, ganham atendimento VIP nos melhores hospitais, contam com seguranças particulares, têm imunidade parlamentar (que, na verdade, significa permissão para roubar) e podem enviar, às nossas custas, seus filhos para estudar e morar no exterior.

Depois, quando a situação parece ficar insustentável e a cadeia parece inevitável, sempre existe um Supremo Juiz para liberar qualquer um e, depois, desfrutar do seu justo "pagamento" nas boas terras de Portugal.

Sim, amigos, se você tem dinheiro, ser candidato é um bom investimento! Se for eleito, rende mais do que qualquer aplicação existente no mercado. Pague para trabalhar, mas, na verdade, receba muito sem fazer nada...

Esse é o nosso país.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

56 Anos de Psicologia no Brasil

Dia 27 de Agosto é comemorado o dia do psicólogo. E não é por acaso. Agosto é o mês do aniversário da Psicologia no Brasil e em 2018 a profissão completa 56 anos por aqui.

Nos dias atuais a profissão já é vista, aceita e utilizada por um grande número de pessoas, bem menor do que deveria, mas, acredite, já foi bem pior.

Eu mesmo senti na pele a dificuldade de entendimento das pessoas com a profissão e objetivamente um trabalho tão importante. Quando escolhi o curso de psicologia, na minha própria família houveram narizes torcidos, pois “não dava dinheiro”, “ia mexer com louco” e etc...

E hoje não há nada que me orgulhe mais do que essa minha escolha.

A Psicologia foi reconhecida como ciência no Brasil em 1962, mas ainda com uma característica completamente diferente do que é hoje e com um foco de trabalho voltado apenas para a elite da época, com o objetivo de “ajustar” os indivíduos ao seu meio.

As mudanças que nos trouxeram ao patamar de hoje se iniciaram nos anos 70, quando os psicólogos começaram a perceber que o serviço deveria e precisava ser evoluído e que precisava chegar a toda sociedade.

Primeiro veio a Psicologia da saúde, que hoje é um dos grandes grupos de trabalho dos psicólogos, tanto como prevenção, como para a cura no tratamento direto com pacientes ou com seus familiares.

Depois disso vieram as ramificações e hoje, além da psicologia clínica, temos a escolar, organizacional, forense, social, hospitalar e as mais novas, como por exemplo a psicologia do esporte.

Mas ainda estamos muito longe do ideal, ainda somos dependentes das classes sociais mais abastadas ou dedicamos nosso tempo , quando temos, com amor para o atendimento voluntário ou pro bono. 
Mesmo sendo fundamental, por vezes até mais do que outras especialidades, a psicologia ainda é vista como algo supérfluo e que pode ficar em segundo plano.

Espero que não sejam necessários outros 56 anos para que alcancemos novos avanços e conscientização.

De qualquer forma, parabéns para nós psicólogos, que amamos nosso trabalho e procuramos fazer mais leves os dias das outras pessoas!

Boa semana a todos nós!

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Desarmamento


Em virtude da enorme criminalidade e da falta de segurança, muito se critica o desarmamento no nosso país. Combinando o armamento pesado dos bandidos com o medo da população, algumas figuras públicas apresentam como solução o armamento 'das pessoas de bem'.

Admito que é difícil ir contra essa ideia quando vemos na TV pessoas sendo assassinadas sem dó, assaltos no meio do trânsito, nas portas de suas casas, nas escolas onde ficam seus filhos.

Contudo, é preciso refletir profundamente quando tratamos do armamento de pessoas comuns, pois existem muitos fatores que passam despercebidos para aqueles que acreditam que uma arma lhes trará mais paz e segurança.

Primeiro, porque os bandidos não vão desaparecer nem desistir de assaltar. Pelo contrário, terão mais receio de encontrar um cidadão armado que possa reagir. Portanto, tendem a ser mais violentos e, ao escolher uma vítima, podem atirar primeiro para não correr o risco de virar alvo.

Segundo, manusear uma arma de fogo não é tão fácil quanto parece. Acertar a mira e suportar o recuo de uma arma não é para qualquer um.

Terceiro, o risco de acidentes domésticos aumenta significativamente. Armas em locais de fácil acesso a crianças, em brigas de casais, em festas com amigos e muito álcool são potenciais bombas-relógio para tragédias.

Quarto, e o mais fundamental, é a falta de educação do nosso povo. Vivemos em um estresse diário por motivos que deveriam ser banais, parte de um cotidiano absolutamente normal, como uma fechada no trânsito caótico, uma brincadeira sobre a derrota do time de futebol, uma cantada infeliz a uma mulher acompanhada, entre tantas outras situações. Tudo isso pode virar motivo para os valentões de plantão sacarem suas armas e 'acertarem as contas' com o outro. Momentos de raiva e tensão podem desencadear em pessoas desequilibradas um enorme prazer em fazer justiça com as próprias mãos. E não há nenhuma estimativa segura sobre quantas pessoas assim existem na população.

Por fim, uma arma de fogo não é barata, assim como o processo para conseguir o porte. A liberação da venda pode criar um comércio paralelo ilegal e endividar aqueles que tentarem fazer a aquisição pelo caminho certo.

Eu só vejo uma solução, a mesma que resolveria praticamente todos os nossos problemas: investimento pesado em educação, saúde mental, lazer e desenvolvimento pessoal. Como isso é demorado, infelizmente ainda é preciso investir muito em segurança. As armas devem estar nas mãos de pessoas preparadas, treinadas e capacitadas para agir, e não nas mãos de quem não acredita mais na ação desses profissionais e, portanto, sente que precisa garantir sua segurança sozinho.

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...