segunda-feira, 31 de março de 2025

Vivo!

Quase nada sabemos, pois existem muitos segredos.
Até mesmo aquilo que deveria ser nosso, muitas vezes é escondido.
Mentiras são contadas por aqueles que nos deveriam a verdade.
Depois, por culpa ou remorso, ouvimos pedidos de desculpa

E lágrimas que escorrem de alívio pelo desabafo e tristeza pela traição.
E no final, tudo que dizem é:
-  Agradeça por estar vivo!
Vivo?

Visitas erroneamente perdidas na juventude.
Pensamentos impulsivos que não levavam em conta o futuro.
E um trauma, que apaga tudo o que aconteceu, na verdade quase tudo.
Exceto um olhar vazio, aquele olha. E o futuro.

Devo supor o medo naquele olhar.
E talvez agradecer, porque estou vivo.
Mas há algo de errado.
Justamente porque estou vivo...

 

quarta-feira, 26 de março de 2025

Síndrome da Pessoa Rígida

 

A Síndrome da Pessoa Rígida (SPR), também conhecida como Síndrome da Pessoa Enrijecida, é uma condição neurológica rara e complexa caracterizada por rigidez muscular progressiva e espasmos musculares dolorosos. Essa condição afeta o sistema nervoso central e pode levar a uma grave incapacidade. A SPR geralmente se apresenta entre os 30 e 60 anos, sendo mais comum em mulheres do que em homens.

Os principais sintomas da SPR são:

- Rigidez muscular, frequentemente nas costas e nas pernas.

- Espasmos musculares dolorosos, que podem ser desencadeados por estímulos inesperados, como ruído ou toque.

- Dificuldade em caminhar e movimentos anormais, muitas vezes levando a quedas.

- Ansiedade e medo devido aos espasmos inesperados e à dor crônica.

O diagnóstico da SPR é difícil devido à raridade da doença e à semelhança de seus sintomas com outras condições neurológicas. O diagnóstico a ser feito segue os seguintes passos:

- Exame clínico detalhado.

- Testes de sangue para detectar auto anticorpos específicos.

- Eletromiografia para avaliar a atividade elétrica dos músculos.

- Exames de imagem, como ressonância magnética, para excluir outras condições.

O tratamento da SPR deve ser multidisciplinar, envolvendo neurologistas, fisioterapeutas e psicólogos. As etapas do tratamento são:

1. Medicação:

   - Benzodiazepínicos para reduzir a rigidez muscular.

   - Imunossupressores para diminuir a resposta autoimune.

   - Terapias intravenosas com imunoglobulina.

2. Fisioterapia:

   - Exercícios de alongamento e fortalecimento muscular.

   - Técnicas de relaxamento para reduzir a rigidez e melhorar a mobilidade.

3. Psicologia:

   A intervenção psicológica é essencial no tratamento da SPR devido ao impacto emocional e psicológico significativo da doença. Os principais objetivos da terapia são:

   - Redução da Ansiedade: A SPR pode causar ansiedade intensa devido aos espasmos imprevisíveis e à dor crônica. Técnicas como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) podem ajudar a diminuir a ansiedade, reestruturando pensamentos negativos e desenvolvendo estratégias de enfrentamento.

  

   -Manejo da Dor: A dor crônica associada à SPR pode levar a depressão e desesperança. Intervenções psicológicas, como a Terapia de Aceitação e Compromisso e técnicas de comportamento, podem ajudar os pacientes a aceitar a dor e encontrar maneiras de viver uma vida plena apesar dela.

      -Apoio Emocional: A doença pode levar ao isolamento social e à sensação de perda de controle. A terapia de grupo e o apoio psicossocial são fundamentais para fornecer um espaço seguro para a expressão de sentimentos e troca de experiências.

      - Educação do Paciente e Família: Informar o paciente e sua família sobre a doença e seu tratamento pode reduzir o medo e a incerteza. Workshops educacionais e sessões de aconselhamento familiar podem ajudar a criar um ambiente de suporte.

A Síndrome da Pessoa Rígida é uma condição debilitante que requer uma abordagem de tratamento abrangente e individualizada. A intervenção psicológica desempenha um papel vital no controle da ansiedade, da dor crônica e no fornecimento de apoio emocional. O tratamento eficaz da SPR envolve uma colaboração estreita entre profissionais de saúde e uma abordagem centrada no paciente para melhorar a qualidade de vida daqueles que vivem com essa condição.

Lembre-se, precisando de ajuda, procure terapia!

segunda-feira, 24 de março de 2025

Sair do Armário

"Sair do armário" é um processo profundamente pessoal, que envolve muito mais do que simplesmente contar para o mundo sobre sua identidade. Para muitas pessoas LGBTQIA+, essa decisão é cercada por medos intensos, que podem fazer com que o momento seja adiado por anos ou até mesmo para sempre.

Um dos maiores medos é o da rejeição. O desejo de ser aceito e amado é universal, e o receio de perder o apoio da família, dos amigos ou da comunidade pode ser paralisante. O medo de que aqueles que sempre estiveram por perto virem as costas ou passem a tratar a pessoa de forma diferente é um peso emocional que muitos carregam.

Há também o medo da discriminação e da violência. Infelizmente, em muitos lugares do mundo, ser LGBTQIA+ ainda significa correr riscos. Desde insultos e humilhações até agressões físicas ou mesmo ameaças à segurança, o preconceito ainda é uma realidade. Esse medo se estende para o ambiente de trabalho, onde a possibilidade de perder oportunidades ou até mesmo o emprego por conta da identidade de gênero ou orientação sexual ainda é um obstáculo.

O medo da solidão também é comum. Muitas pessoas temem que, ao se assumirem, fiquem isoladas, sem apoio e sem pessoas com quem possam contar. Em algumas situações, especialmente para aqueles que cresceram em ambientes conservadores, essa possibilidade parece muito real.

Além disso, há o medo do autoconhecimento. Para algumas pessoas, reconhecer sua própria identidade é um processo doloroso, pois pode ir contra aquilo que aprenderam a vida inteira sobre o que é "normal" ou "aceitável". O conflito interno entre o desejo de ser autêntico e o medo de enfrentar as consequências pode ser exaustivo.

Apesar de todos esses medos, muitas pessoas encontram força para "sair do armário" e viver suas vidas de forma plena. Para isso, o apoio de amigos, família ou de uma rede de suporte é fundamental. A terapia também pode ser uma ferramenta valiosa nesse processo, ajudando a pessoa a trabalhar suas inseguranças e encontrar caminhos para se sentir segura e acolhida.

O mais importante é lembrar que o tempo de cada um é único. Ninguém deve se sentir pressionado a se assumir antes de estar pronto. O caminho para a autenticidade é um percurso pessoal, mas nunca precisa ser solitário.

segunda-feira, 17 de março de 2025

Coisas demais para escolher

Vivemos em uma época em que nunca tivemos tantas opções. Podemos assistir a filmes de qualquer lugar do mundo, ouvir milhões de músicas, escolher entre infinitas roupas e testar produtos que prometem mudar nossa vida. Parece um sonho, certo? Mas, na prática, esse excesso pode se tornar um problema.

Quantas vezes você passou mais tempo decidindo o que assistir do que, de fato, assistindo algo? Ou ficou paralisado diante do guarda-roupa, sem saber o que vestir? Essa abundância de opções, em vez de facilitar, muitas vezes nos sobrecarrega e nos deixa insatisfeitos.

Isso acontece porque nossa mente não foi feita para lidar com tantas escolhas ao mesmo tempo. Quanto mais opções temos, maior a pressão para tomar a “decisão certa”. E se escolhermos errado? E se houver algo melhor? Esse medo do arrependimento pode gerar ansiedade e até mesmo paralisia – adiamos a escolha ou escolhemos sem aproveitar de verdade.

E isso não se aplica apenas a roupas, filmes e músicas. Nos aplicativos de encontros, por exemplo, a variedade infinita de pessoas para conhecer cria a ilusão de que a próxima pode ser melhor. Assim, em vez de investir em uma conexão real, muitos ficam presos ao ciclo de deslizar para a próxima opção. No fim, o excesso de escolha pode gerar frustração e um vazio emocional, pois a busca por algo "perfeito" nunca se concretiza.

Além disso, quando tudo parece descartável, as relações humanas também se tornam efêmeras. Como há sempre outra pessoa a um toque de distância, o esforço para construir algo duradouro diminui. Em vez de aprofundar laços, muitos se perdem na superficialidade.

Então, como lidar com isso? A resposta está na simplicidade. Reduzir a quantidade de escolhas do dia a dia não significa perder liberdade, mas sim ganhar mais leveza. Escolher menos nos dá mais tempo para aproveitar o que realmente importa.

Talvez a chave esteja em aceitar que não precisamos experimentar tudo, ver tudo, ouvir tudo. Nem conhecer todas as pessoas possíveis. Às vezes, menos é mais – e o que importa não é a quantidade de opções, mas a qualidade da experiência que escolhemos viver.

terça-feira, 11 de março de 2025

2008 - Ano 36

2008 foi um dos anos mais malucos da minha, com certeza.

Vim de um período de seca no trabalho, depois de tantos anos de correria. E depois dos 3 anos de viagens e micaretas, a conta chegou. Na verdade foi chegando, viagem após viagem.

E ponto final foi Salvador. Meu primeiro e único carnaval na terra do Axé.

Foi algo surreal, inesquecível, maravilhoso, mas me levou, literalmente à falência.

Não posso dizer que me arrependo, mas certamente não faria de novo, se pudesse voltar no tempo.

Foram 8 dias de folia, sorrisos e até mesmo lágrimas de emoção. Pessoas queridas, bebida demais e a realização de um sonho.

Depois, mesmo quebrado, ainda fiz mais uma viagem, para a gravação do DVD do ASA em Natal. E lá, no dia 29 de Fevereiro, comecei a namorar, sim, uma menina que morava em Natal.

Foi muito bom, porque sosseguei, porque sabia que não poderia viajar para lá o tempo todo e para colocar a cabeça no lugar.

Foi o início da reconstrução de uma vida, da qual eu não posso reclamar, inclusive, por ter podido viver, mesmo que uma única vez, a maior festa de carnaval do mundo...

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...