segunda-feira, 26 de maio de 2025

Remexendo as cartas do passado

Por esses dias, enquanto vasculhava as minhas pastas antigas em buscas dos meus primeiros textos para retirar frases para o meu e-book, eu inevitavelmente remexi meu passado. 

E remexer o passado não foi só reencontrar frases antigas. Foi abrir envelopes que estavam lacrados há anos dentro de mim. Às vezes encontrei palavras que nem lembrava que eram minhas, e ainda assim, reconheci cada letra como se tivesse acabado de escrever. Em outras, precisei reler três vezes para acreditar que fui eu mesmo quem sentiu aquilo um dia.

Junto das frases, vieram as memórias. O cheiro do papel envelhecido, a caligrafia torta de quem não sabia se era poeta, futuro psicólogo ou só alguém tentando desabafar. Vieram também as cenas, as pessoas, as versões antigas de mim. Muitas me deram saudade, outras, um certo alívio por já terem ficado para trás.

Foi estranho perceber que, mesmo depois de tanto tempo, algumas palavras ainda me doem. Ou talvez o que doa seja a lembrança de quem eu era quando as escrevi em determinados momentos. E é nesse ponto que tudo se confunde. Porque ao mesmo tempo que eu queria guardar tudo com carinho, também senti vontade de rasgar algumas folhas. Como se, rasgando o papel, eu pudesse apagar o resquício de dor que ainda insiste em existir quando me lembro de uns poucos dias.

Mas escolhi não rasgar nada. Nem esconder. Porque cada frase, cada pedaço, cada carta esquecida em uma gaveta qualquer, é parte da minha história. E eu não preciso fugir dela. Pelo contrário, talvez seja justamente nela que eu reencontre o que ficou pelo caminho.

Remexer as cartas do passado é descobrir que a felicidade permanece, dor amadurece, a raiva amansa e até a solidão envelhece. Mas tudo isso só acontece quando a gente tem coragem de abrir as gavetas e encarar o que ainda está guardado lá dentro. Sem pressa, sem culpa. Apenas com verdade.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Síndrome de Todd


Você já ouviu falar da síndrome de Todd? Talvez o nome não soe tão familiar, mas essa condição é super interessante, rara e, ao mesmo tempo, desafiadora. Ela também é conhecida como "Síndrome de Alice no País das Maravilhas". Sim, isso mesmo, como o famoso livro! Quem vive com essa síndrome pode ter distorções visuais, sentindo que o corpo ou objetos ao redor mudam de tamanho, como se estivessem em um mundo de fantasia. Imaginar viver em um cenário assim pode parecer curioso, mas para quem passa por isso, a sensação é bem real e certamente assustadora.

Mas de onde vem isso? Essa síndrome está relacionada a alterações neurológicas e, muitas vezes, pode ser desencadeada por enxaquecas, infecções ou até mesmo pelo estresse. E como é que se lida com isso? Aí entra um lado mais profundo da coisa: a nossa mente.

É aqui que a psicologia pode fazer a diferença, e principalmente a linha humanista. Esse ramo da psicologia acredita no potencial de cada pessoa para crescer, se desenvolver e encontrar suas próprias respostas. Ao invés de focar só nos sintomas, a psicologia humanista trabalha para entender o ser humano como um todo, respeitando a individualidade de cada um.

No caso da síndrome de Todd, o tratamento pode incluir, além do acompanhamento médico, um olhar mais gentil e compreensivo através dessa linha da psicologia. O terapeuta pode ajudar a pessoa a entender melhor suas experiências, lidar com o medo e o desconforto que surgem, e até encontrar formas de ver a situação por outra perspectiva. É sobre ajudar a pessoa a se reconectar consigo mesma, a entender suas emoções e a buscar uma vida mais equilibrada, mesmo em meio às distorções que a síndrome pode trazer.

A chave aqui é acolhimento e empatia. Saber que cada um tem sua jornada e que, com o suporte certo, é possível encontrar caminhos para lidar melhor com as situações desafiadoras. A psicologia humanista não oferece uma receita pronta, mas caminha junto com a pessoa para que ela mesma possa descobrir suas respostas, se fortalecer e viver de maneira mais plena.

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terça-feira, 13 de maio de 2025

Síndrome de Ekbom

 

A Síndrome de Ekbom, também conhecida como delírio de infestação, é um transtorno psiquiátrico raro em que a pessoa acredita estar infestada por parasitas, insetos ou outros pequenos organismos, mesmo que não haja nenhuma evidência real dessa infestação. Essa condição pode causar grande sofrimento, levando a pessoa a ter comportamentos obsessivos, como coçar-se constantemente, procurar por "insetos" na pele ou em objetos pessoais, e até danificar a pele na tentativa de remover esses supostos parasitas.

A causa exata da Síndrome de Ekbom não é totalmente compreendida, mas existem alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento desse transtorno:

Problemas Neurológicos: Alguns estudos sugerem que alterações no cérebro, como aquelas causadas por doenças neurológicas (por exemplo, demência, lesões cerebrais, ou doença de Parkinson), podem estar relacionadas à Síndrome de Ekbom. Essas alterações podem afetar a maneira como a pessoa percebe sensações na pele, levando à interpretação errônea de estímulos como coceira ou formigamento.

Transtornos Psiquiátricos: A síndrome também pode ser associada a outros transtornos mentais, como esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), depressão severa ou transtorno bipolar. Essas condições podem influenciar a percepção e interpretação da realidade, fazendo com que o indivíduo acredite na infestação imaginária.

Fatores Psicossociais: Situações de estresse elevado, isolamento social, traumas e até o abuso de substâncias como álcool e drogas podem contribuir para o aparecimento da síndrome. A falta de apoio social e o estresse podem agravar a percepção de sintomas inexistentes.

Idade e Condições Médicas Preexistentes: A Síndrome de Ekbom é mais comum em pessoas idosas, o que pode estar relacionado a uma série de condições médicas e psicológicas que se tornam mais comuns com o envelhecimento.

O tratamento para a Síndrome de Ekbom é complexo e geralmente envolve uma combinação de abordagens. Isso ocorre porque é necessário lidar tanto com os sintomas físicos que o paciente acredita ter quanto com a raiz psicológica ou psiquiátrica do problema.

Intervenções Medicamentosas: O tratamento farmacológico pode incluir o uso de antipsicóticos, antidepressivos ou ansiolíticos, dependendo dos sintomas apresentados pelo paciente. Esses medicamentos ajudam a estabilizar o humor, reduzir os delírios e tratar outras condições subjacentes, como ansiedade e depressão.

Terapia Cognitivo-Comportamental: A TCC é uma abordagem eficaz para muitos transtornos mentais e pode ser útil para pacientes com Síndrome de Ekbom. Através dessa terapia, os pacientes aprendem a reconhecer e desafiar seus pensamentos distorcidos sobre a infestação, substituindo-os por percepções mais realistas. A terapia também pode ajudar a melhorar a gestão do estresse e a resiliência emocional.

Abordagem Humanista: A terapia humanista, que foca no indivíduo como um todo, ajudando-o a desenvolver um senso de autoaceitação e autocompreensão, pode ser muito útil. Essa abordagem é centrada na pessoa, com o objetivo de explorar as emoções e experiências do paciente, ajudando-o a encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com seus pensamentos e sentimentos. Ela pode ser particularmente útil para desenvolver a empatia e o apoio social necessários para o tratamento.

Suporte Social e Psicossocial: A participação de familiares e amigos no tratamento pode ser muito importante. A criação de um ambiente de apoio, compreensão e segurança pode ajudar a reduzir o estresse e o isolamento social que muitas vezes agravam a síndrome.

Educação do Paciente e da Família: É fundamental que tanto o paciente quanto seus familiares entendam a natureza da síndrome, suas causas e o que esperar do tratamento. Isso ajuda a reduzir a frustração e a aumentar a adesão ao plano terapêutico.

A Síndrome de Ekbom é um transtorno desafiador, tanto para o paciente quanto para os profissionais de saúde. No entanto, com uma abordagem integrada que inclui medicação, terapia, apoio social e educação, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida daqueles que convivem com essa condição. A terapia desempenha um papel crucial no tratamento, ajudando os pacientes a reconectar-se com a realidade e a encontrar maneiras saudáveis de lidar com seus sentimentos e percepções.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

2011 - Ano 39

Como eu disse na postagem anterior, os anos começaram a ficar muito repetitivos, sem grandes notícias ou novidades. O que de certa forma era bom.

2011 foi assim, cheio de trabalho, namoro à distância, viagens pra lá e pra cá para ver a namorada e pelo menos uma vez por mês para o Rio de Janeiro, onde ficava nosso maior cliente.

Eventualmente um ou outro show com minha amiga, que virou afilhada de casamento e o início da preocupação com a saúde. Eram muitas horas de trabalho por dia, com pouca paz e pouco descanso, mas isso não acabaria nesse ano...

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Por que voltar?

Ela tenta escrever uma carta.
Mas em uma parede, não uma folha.
Ela ainda é uma criança.
E outras crianças ainda passarão por isso.

Ela se sente como se estivesse há séculos nesse lugar.
Ela é maluca, diziam alguns doutores.
E sua mãe acreditou.
Por que, então, querer voltar pra casa/?

A solidão a fez mais forte.
Mas eles a querem cada vez mais fraca.
Ela prefere fingir para agradar.
Como se fosse seu próprio clone.

O que ensinaram pra ela?
- Não me tire daqui.
- Não venha me visitar, mãe.
Afinal para que voltar pra casa?

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...