sábado, 19 de março de 2011

Palavras Jogadas

Cá estou eu, para publicar mais um dos meus textos antigos. Este de 1995.
Por mais estranho que possa parecer, esse é um dos meus preferidos e um dos mais difíceis que escrevi. Tentei, inutilmente, por diversas vezes, repetir este estilo, mas sem sucesso algum.
Espero que gostem e não tentem entender, pois tem sentido, mas sem sentido algum.


Palavras Jogadas

Trovão, chuva e sol. Céu.
Azul, marinho e cavalos no pasto.
Ruas secas, chão molhado, barro e praia, pequena é claro.

Corda no pescoço do enforcado, dinheiro no banco e no bolso.
Serviço acumulado e parado, dias de tempestade.
Copo d´água cheio de vodca.
Ilusão. LSD no futuro, fuga sem saída nem entrada, nem porta.

Porca e parafuso, ponto e parágrafo.
Duas vezes duas tribos e três índios perdidos no espaço sideral. Que Legal!
Vila velha e vila nova em Goiás e Goiatuba.
Mulheres negras que são homens brancos.

Brasil do couro de jacaré, rio mucugezinho da chapada.
Flash de máquina fotográfica, flash do passado.
Passageiro do futuro, passado, o que passou passou.
Roupa limpa e feia, fora da moda, dentro do corpo.

Cinto e sinto muito, muito mesmo.
Tarde demais, o sol se pôs e a Lua se atrasou, esqueceu de passar batom.
Ficou vermelha de vergonha e virou Mercúrio.
Ilumina o machucado e não cura, que droga!

Parece cocaína, mas é falta de porrada.
Bicicleta com quatro rodas e capô.
Mas sem motor, motocicleta, boneca e ursinho de pelúcia.
Que sino, que sina, que sono.

O galo já cantou, mas foi no agreste e vai ficar para o almoço.
O que vai ter de janta?
Ovo de Páscoa trazido pelo Papai Noel.
E se ele não tiver a chave?

Faz parte do show e o Gugu pediu um hambúrguer.
E se não existir mais chave?
Qual a fórmula de disputa do nacional?
Econômico e prejuízo, como sempre, na certa, certeza, absoluta como o rei.

Ouvido tapado, esparadrapo do mato e capim.
Chá de ervas, saúde, boa sorte!
E se eles perderem a chave do hospício?
Como é que eu vou sair daqui?


Elso Luiz Pini Junior - 17/08/1995

2 comentários:

  1. hahaha. Dá para entender sim Elso. É um estilo de grafismo abstrato. O que se lê, não é o que está escrito. Parabéns. Se vc achar a chave me tira também deste hospício.
    Abraços

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  2. Olá Elias,
    Obrigado pela visita e pelo comentário.
    Essa chave perdi há mais de 15 anos, já desisiti de procurar... hahaha.
    Abraço!

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