segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O que perdemos ?


Fotografias são as maçanetas da memória.
Quando abrimos as portas e gavetas do tempo encontramos coisas que ficaram guardadas e quase esquecidas, mas que jamais serão apagadas.

Não vemos apenas aquelas imagens que estão gravadas, mas passamos pelo período na qual foram registradas, sentimos a brisa, o cheiro e até o sabor de cada momento.

Através destas lembranças conseguimos enxergar o que o espelho não nos mostra, enxergamos com nitidez o passar dos dias, dos meses, dos anos.

Conseguimos ver a mudança da moda, dos gostos, do trabalho e de nós mesmos.

Abrimos um sorriso ao ver as roupas e cortes de cabelo dos tempos da adolescência, procurando entender como era possível sair com aquela aparência, para depois lembrar que "era a moda" e era daquele jeito que os casais se montavam, se encontravam, que surgia a paquera.

Mas também, em muitos casos, como o meu, por exemplo, da vontade de chorar ao ver como o físico era melhor, com mais vitalidade, força e energia, menos barriga, mais cabelos, enfim, como as coisas trocaram de lugar.

Fiquei algumas horas, por esses dias olhando fotos, algumas nem tão antigas, mas também compartilhando lembranças e consegui chegar a uma conclusão interessante.

A vida, com o passar dos anos, é uma sucessão de reclamações.

Me lembro, com exatidão, como me achava triste, até mesmo infeliz, nos tempos de escola. Depois, ainda na escola, mas na fase final, no "ápice" da adolescência, já achava que a infância havia sido boa e que aquele momento era muito pior.

Hoje, depois muitos anos e mais muitas reclamações, vejo com extrema alegria, como fui feliz naquela época, em que as preocupações que me deixavam triste eram bobas e que tudo o que aproveitei e fiz foram coisas muito maiores.

As viagens malucas, os jogos de futebol, as diversões, as risadas sem sentido, os colos e ombros que dei e usei, as cartas, cartinhas e bilhetinhos, tudo que li e escrevi, a faculdade, as amizades, as poucas que ficaram, as que se distanciaram mas serão eternas e as que se foram, as paixões, aquelas concretas e aquelas que jamais se concretizaram, enfim, a coragem para andar no parapeito do prédio, o tempo maravilhoso que hoje me mostra como era tudo tão bom.

Prevejo, que no futuro, daqui há mais alguns anos, estarei reclamando da vida e olhando para trás com felicidade, por ver que hoje, toda a responsabilidade do trabalho, pressão, correria, viagens profissionais, falta de tempo e etc..foram momentos melhores do que aqueles que virão e que assim será, sucessivamente, até o dia derradeiro em que verdadeiramente a reclamação será correta, pois não terei nada para frente que seja pior.

Pior do que o fim de uma vida que foi e continuará sendo maravilhosamente boa!

Photo by Maksym Kaharlytskyi on Unsplash

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