Ninguém pode ouvir as batidas do nosso coração, se ele está
calmo ou acelerado, se está em paz ou angustiado.
Ninguém é capaz de ouvir nossos pensamentos, se estão
conexos ou desconexos, se são tranquilos ou desesperados.
Ninguém escuta a nossa dor, ninguém sabe as palavras que se
escondem atrás de um sorriso simpático, ninguém escuta um pedido de ajuda por
trás de um “Bom Dia”.
Apenas nós escutamos os sons do nosso próprio silêncio, ouvimos nossos sonhos e pesadelos e acordamos sabendo
quais são os nossos fantasmas.
Quantas conversas temos conosco enquanto olhamos para o nada,
quantas ideias, quantos roteiros que não conseguimos colocar em prática por
falta de coragem ou oportunidade, quantas cenas que não se concretizam porque
em silêncio falamos para o outro o que ele deve fazer, mas sem escutar ele não
faz.
Quantas lágrimas escorrem no rosto, enquanto soluçamos baixinho para ninguém ouvir, mas internamente escutamos tudo aquilo que
merecíamos e até o que não merecíamos ouvir. Somos nós gritando para nós mesmos.
Reclamando, em silêncio pelas decisões precipitadas, pelos cometidos, por machucar quem nos queria bem, enquanto fomos machucados por quem parecia ser incapaz de fazer isso.
Quantas palavras se perdem ao vento, quantas palavras ditas
pelo silêncio...

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