domingo, 25 de março de 2018

Por que Psicólogos precisam de terapia?


O índice de desistência de cursos superiores no Brasil chega a inacreditáveis 49% na média entre todos os cursos.
Claro que isso é um reflexo da educação preparatória, que a cada dia é mais claudicante, mas também pela falta de certeza do aluno sobre o que gosta e o que quer fazer.
E, em psicologia, além dos problemas citados acima, a maior “decepção” dos alunos é saber que a faculdade não o prepara para cuidar e tratar de si mesmo.
Muitas pessoas ainda se matriculam no curso, não pelo fato de gostarem do tema, se sentirem aptos a ouvir e cuidar dos outros, mas sim porque não tem coragem, são muito tímidos para procurar um profissional, ou por um sentido inócuo de autossuficiência, acabam achando que o curso vai lhes dar a faculdade de fazer uma “autoterapia”.
Assim como cardiologistas enfartam, oncologistas fumam, advogados são presos e garis jogam lixo no chão, psicólogos também sofrem, também têm problemas familiares, emocionais e acreditem, são humanos como todas as outras pessoas.
Até mesmo no lado profissional o terapeuta pode precisar de ajuda para aliviar a sua carga emocional.
O mais interessante é que para os estudantes de psicologia, fazer terapia é quase uma obrigação, pois assim ele pode começar a entender e se familiarizar com o ambiente de trabalho que terá pela frente. Claro que o processo terapêutico neste caso é da pessoa que está em frente ao terapeuta e do aluno de psicologia, que já deve começar a aprender a se separar como profissional e indivíduo.
Depois de recém-formado, pode ser muito importante, também, o trabalho de supervisão, mas nesse caso sim, o supervisor vai ajudar com o paciente do iniciante e não apenas com as situações internas dele mesmo.
Caso o aluno opte por trabalhar diretamente sem os passos acima, corre o sério risco de acabar se “projetando” no seu paciente, ou seja, usando suas próprias crenças, pensamentos e emoções para tentar resolver o problema trazido em consulta, o que, obviamente não vai dar certo. Fazendo a sua própria terapia, psicólogos evitarão esse sentimento e poderão trabalhar com imparcialidade.
No trabalho voltado à linha de Carl Rogers, que é a que eu particularmente sigo, se não houver a empatia, ou seja, se eu não me abrir completamente para aceitar o outro do jeito que ele é e não do jeito que eu gostaria que ele fosse, seria impossível realizar o meu trabalho.
Espero ter mostrado a todos que visitam o blog as razões pelas quais a pessoa, que também nas horas de trabalho chamamos de psicólogo, também deve fazer terapia.

domingo, 18 de março de 2018

Higiene


Até pouco tempo atrás, um pouco mais da metade, isso mesmo, metade da população brasileira ainda morava em lares sem esgoto. Em 14 Estados o número de casas com esgoto era menor do que 25%. Isso me soa assustador, enquanto pessoas se matam nas redes sociais em nome de políticos ou participantes de reality shows.

Junte-se a isso o fato de que apenas 50% dos alunos matriculados nas escolas públicas do País demonstraram o aprendizado adequado de português para o 5º ano e esse número cai para 30% no 9º ano ( Fonte QEdu.org.br ), sem falar nos míseros 14%  no aprendizado de matemática que não vem ao caso e ainda levando em conta o fato de termos essa miserável progressão continuada criada exatamente para mascarar esses números, podemos entender porque o assunto higiene é muito pouco levantado e debatido.

Por isso não acaba sendo estranho e nem uma novidade encontrar banheiros depredados, destruídos e imundos em eventos, escolas e praças públicas. Até mesmo em empresas muitos colaboradores precisam de orientação visual para manter os banheiros limpos, para lavar as mãos, para dar descarga! E ainda assim existem situações que causam náusea e repulsa em quem trabalha na manutenção e cuidados dos banheiros.

 Mas como cobrar higiene de quem não esgoto em casa? Como cobrar higiene de quem nem sabe o que significa a palavra?

Como cobrar limpeza em uma casa que não recebe água, porque em 13 Estados, mais de 20% da população não recebe água em casa.
Isso explica, também, o caos na saúde, as epidemias e pandemias que se criam em locais lotados de lixo, as doenças causadas por alimentos estragados, vencidos, entre tantas outras coisas.

Vivemos uma guerra civil, com crimes, execuções e pessoas preocupadas em culpar ideologias ao invés de se preocupar em punir culpados. Vivemos em um momento de egoísmo completo, julgamento individual e extrema falta de respeito e empatia.

E isso nos afasta da preocupação com as coisas mais básicas e mais simples que deveriam ser essenciais em todos os lares do país.

Pobres de nós, que além de tudo não temos sequer higiene mental.

domingo, 11 de março de 2018

Terapia Breve



Assim como na terapia tradicional a terapia breve segue uma linha definida, um padrão, de acordo com a teoria utilizada pelo terapeuta.

Mesmo sendo chamada de breve a terapia não é de forma alguma superficial, afinal não é o tempo, menor ou maior que define o alcance e o trabalho desenvolvido em terapia, e sim a técnica aplicada. Na minha opinião, inclusive o termo ‘breve’, não é o melhor para descrever esta forma de psicoterapia porque, o tempo máximo para uma terapia breve é de um ano, o que não podemos classificar como breve na acepção pura e simples da palavra.

O ponto principal da chamada terapia breve é a busca da compreensão de si mesmo, dos sentidos, das associações. Entender para poder agira e realizar.

Talvez a grande diferença entre a terapia tradicional e a breve seja a intervenção direta ao ponto levantado pelo paciente.

A terapia comportamental é uma das mais efetivas dentro das terapias breves, ela trabalha com o pressuposto de que o comportamento responde a estímulos específicos. 

Aprendizagem, condicionamento com reforço positivo ou negativo do comportamento ou fobia. Mudanças de comportamento a partir de treinamentos de comportamentos mais próximos do desejado, gradativamente. 

O início do trabalho se dá pela busca das causas dos sintomas do paciente.

Ainda assim, como na terapia tradicional, o trabalho é individualizado e o resultado e tempo de trabalho se dão de acordo com cada paciente.

Se você precisa resolver um medo recorrente, síndrome do pânico, mudar um comportamento indesejado, procure ajuda profissional!


domingo, 4 de março de 2018

Não se chateie com quem só te procura quando precisa



Já ouvi muitas vezes de amigos e parentes a velha frase: - Fulano só aparece quando precisa de alguma coisa, depois some, nem lembra mais que eu existo!

Sim, isso acontece, e muito. Comigo também já aconteceu, acontece e tenho certeza que ainda vão acontecer outras vezes, mas eu não consigo pensar só de forma negativa nessas pessoas, prefiro sempre lembrar que mesmo sendo procurado apenas quando as pessoas querem algo, ainda assim sou lembrado, ainda assim tenho um papel importante.

Infelizmente é tolice esperar de todos gratidão e reciprocidade, mas também é tolice fazer qualquer coisa pensando nisso. Então, sempre que possível, ajude. Ajudar faz bem não só para quem recebe a ajuda, mas também para quem faz, doa, ajuda.

Se pararmos para pensar, é bom saber que alguém lembra de você em uma situação de necessidade ou desconforto, pois nas horas comuns e felizes da vida das pessoas, qualquer um aparece e qualquer um entra.

Mas uma coisa é inaceitável, quando aquele que só lembra quando precisa e ainda acha que é obrigação do outro ajudar. Quando tenta se intrometer nos seus assuntos e quer se achar mais importante do que outros planos e projetos que você pode ter para si. Nesse caso a situação já muda de figura e já fica difícil considerar qualquer possibilidade de voltar a ajudar quem se comporta dessa maneira. Pessoas incapazes de ouvir um “não”, são aquelas mais propensas a não se preocupar com seus atos e atitudes, são aquelas com maior dificuldade em perceber em si mesmas muitos dos defeitos que costumam enxergar nos outros, se sentem blindadas por achar que sempre haverá alguém para jogar a corda quando chega o fundo do poço.

Mas nem que aconteça isso contigo, você deve se deixar levar, pois as pessoas são diferentes e nem todas devem pagar pelo erro e arrogância de outras.

Continuemos fazendo sempre o possível para quem precisar, mesmo que essa seja a única forma que algumas pessoas têm de lembrar de você...


Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...