segunda-feira, 26 de abril de 2021

As Idades e a Expectativa

 A expectativa é um problema que nasce praticamente junto com a gente.

Quando aprendemos a saciar a fome, ou a sanar o sono quando dormimos, criamos as primeiras expectativas. Esperar o peito materno, a tranquilidade de uma grande noite de sono, porém, são pequenos problemas.

A tendência da expectativa é crescer junto com a criança, que é educada a esperar o presente do papai noel, os ovos do coelhinho da páscoa, o nariz crescer quando fala uma mentira, entre tantas outras coisas.

O problema é que junto com a expectativa, vem a frustração e ela também aumenta com o passar do tempo, quando o presente do papai noel não era o que ela queria, quando o coelhinho deixa uma caixa de bombom no lugar do ovo que ela queria e etc.

Na adolescência a expectativa explode e pode levar à necessidade de ajuda profissional. Quem espera demais dos outros, tende a ter frustrações perigosas e abrir mão das próprias vontades e decisões, para tentar alcançar a expectativas que criou, mesmo sabendo que não depende só dela conseguir.

A parte boa, é que depois de sofrer muito com as expectativas, algumas pessoas aprendem e passam a ter mais paz e tranquilidade na fase adulta e no caminho para a chamada "terceira idade".

Quem consegue lidar com seus atos e consequências, entende seu papel no mundo e o que não pode mudar, tem muito mais facilidade para viver em paz sues dias futuros.

Eu mesmo, depois de quase 50 anos bem vividos, só tenho uma expectativa na vida, começar a virar jacaré...

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Quando o Cérebro fala e o Coração não Escuta

Existem pessoas que são muito emocionais e outras muito racionais.

Os emocionais demais, normalmente, não dão muita atenção a detalhes que no futuro podem ser importantes. Se entregam mais facilmente, sem se importar muito com as consequências.

Quando não "dão sorte", o que acontece muitas vezes, acabam frustrados, tristes e começam a caçar desculpas e culpados pelo "erro", para o fracasso do relacionamento, da amizade ou qualquer outra coisa ou pessoa para a qual se entregou fácil demais.

Muitas pessoas ignoram a história, o passado, os exemplos, a lógica e tantas outras coisas racionais, quando tratam de situações emocionais, mas apesar da vida não ser matemática, ela não é completamente ilógica, nem deve depender apenas da sorte, acaso ou destino.

Para poder firmar um contrato, ou até mesmo uma simples venda, por vezes são feitas muitas consultas, para verificar a idoneidade da pessoa ou da empresa. E se essa pessoa, ou empresa, não for uma boa pagadora, é preciso ter muito cuidado na hora de fechar o negócio.

Com os relacionamento a situação, por muitas vezes, é semelhante. Uma pessoa que tem histórico de traição,violência ou comportamento abusivo, tem grande chance de repetir essa característica nos relacionamentos seguintes.

É um erro, acreditar tão facilmente na mudança de personalidade de uma pessoa. Essa mudança, quando existe, é lenta, gradual e sujeita à muitos deslizes.

É muito comum, por exemplo, casais que se formam durante uma traição, terminarem por causa de outra. As pessoas tendem a cometer o erro de achar que o problema estava no parceiro, ou parceira anterior e não em quem estava traindo, que no relacionamento deles, mesmo tendo nascido de uma traição, não haveria um deslize ou uma repetição.

O pior é que o cérebro percebe, tenta mostrar, mas o coração, cego e surdo, ou apenas falso, finge não entender e o pior, depois para tentar se defender coloca a culpa no cérebro, com aquela celebre frase: - Estava na minha cara, não sei como não percebi..."

Pois é, pode ter sido por falta de entendimento, não por falta de aviso...


segunda-feira, 12 de abril de 2021

Tão Perto, Tão Longe

 A distância por vezes é muito relativa. Em tempo de pandemia é ainda mais.

No meio dessa loucura toda, estar longe foi o mais perto que pudemos ficar, mesmo se quem queríamos ao nosso lado estivesse do outro lado da rua, ou até mesmo da porta.

Mas como se mede a distância de um coração para o outro? Do amor de um filho para sua mãe, de uma avó para seu neto, de amigos que se viam toda semana e passaram mais de um ano sem poder trocar um abraço, mesmo que separados por alguns degraus de escada.

Conviver com essa distância foi, e ainda está sendo, um desafio para todo mundo que abriu mão da proximidade em favor da responsabilidade.

Mas a inquietude de alguns mais velhos, o impeto dos mais jovens e a inépcia dos governantes, transformou o mundo em um hospício ao ar livre.

A necessidade do alimento aliada  ao egoísmo de quem não conseguiu deixar de lado a necessidade de colocar suas fotos no Instagram, criaram uma batalha idiota entre a obrigação de pegar um ônibus lotado, pela ineficiência dos governos em obrigar que os empresários da área de transporte diminuíssem seus lucros  e a possibilidade pegar um sol na praia também lotada. Tão perto, todos, do vírus, tão longe de casa, nos hospitais já lotados e sobrecarregados.

Tão perto, na sala de espera, a raiva de quem fez tudo certinho encontra o remorso daquele que resolveu jogar uma partidinha em um cassino clandestino, pegou o vírus, não percebeu, mas passou para a namorada, jovem, internada, ao lado da avó do garçom que era obrigado a servir a bebida naquele dia para comprar meio quilo de carne e um quilo de arroz. 

Perto de desinformações e longe da ciência muitas vidas se perderam, tão próximas e foram para tão longe, apesar de jamais saírem de dentro do coração.


segunda-feira, 5 de abril de 2021

Uma Distração

São tantas coisas com as quais temos que nos preocupar.
Outras tantas com as quais nos preocupamos e não deveríamos.
Algumas que deixamos de lado e não poderíamos.
E o tempo, que passa, por vezes nos enganando, como se fosse devagar.

No meio desse deserto, precisamos encontrar um oásis.
Algo que nos tire um pouco da pressão, do medo, das obrigações.
Por uma hora, um minuto, um segundo, uma fração, uma distração.
Para podermos sonhar, mesmo em um piscar de olhos, com outro lugar.

Um passa-tempo para o tempo parar, um descuido em sua rotação.
Um livro, um jogo, um filme, uma olhadela no espelho.
Tudo para fugir daquilo que nos segue o dia todo, dia após dia.
Dormir, sentir dor nas costas, levantar e olhar para frente, depois para trás.

Dois minutos, uma distração, nenhuma mudança de direção.
Mas mesmo assim foi bom, não foi?
Nada aconteceu, aqui, ou talvez aí, mas por esse tempo você esqueceu.
Do que? De tudo que agora lembrou. Que pena.

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...