A distância por vezes é muito relativa. Em tempo de pandemia é ainda mais.
No meio dessa loucura toda, estar longe foi o mais perto que pudemos ficar, mesmo se quem queríamos ao nosso lado estivesse do outro lado da rua, ou até mesmo da porta.
Mas como se mede a distância de um coração para o outro? Do amor de um filho para sua mãe, de uma avó para seu neto, de amigos que se viam toda semana e passaram mais de um ano sem poder trocar um abraço, mesmo que separados por alguns degraus de escada.
Conviver com essa distância foi, e ainda está sendo, um desafio para todo mundo que abriu mão da proximidade em favor da responsabilidade.
Mas a inquietude de alguns mais velhos, o impeto dos mais jovens e a inépcia dos governantes, transformou o mundo em um hospício ao ar livre.
A necessidade do alimento aliada ao egoísmo de quem não conseguiu deixar de lado a necessidade de colocar suas fotos no Instagram, criaram uma batalha idiota entre a obrigação de pegar um ônibus lotado, pela ineficiência dos governos em obrigar que os empresários da área de transporte diminuíssem seus lucros e a possibilidade pegar um sol na praia também lotada. Tão perto, todos, do vírus, tão longe de casa, nos hospitais já lotados e sobrecarregados.
Tão perto, na sala de espera, a raiva de quem fez tudo certinho encontra o remorso daquele que resolveu jogar uma partidinha em um cassino clandestino, pegou o vírus, não percebeu, mas passou para a namorada, jovem, internada, ao lado da avó do garçom que era obrigado a servir a bebida naquele dia para comprar meio quilo de carne e um quilo de arroz.
Perto de desinformações e longe da ciência muitas vidas se perderam, tão próximas e foram para tão longe, apesar de jamais saírem de dentro do coração.
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