segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Vencer é fácil quando se sai muito na frente

Imaginem uma corrida de 100 metros rasos. Em uma raia eu, Elso Pini com quase 50 anos e 95kg. Na outra Usain Bolt, recordista mundial, atleta, patrocinado por várias empresas, que, mesmo tendo passado por desafios na sua vida pregressa, no seu auge teve médicos, nutricionistas, uma equipe inteira que o ajudou a atingir seus planos.

Nós dois, depois do tiro de largada, temos que cruzar a mesma linha final. De mil corridas, posso no máximo, ganhar uma, em um dia que ele esteja mal, com preguiça, com problemas emocionais e, mesmo assim, depois de eu me esforçar muito, mas muito mesmo.

Contudo, pela lógica de algumas pessoas eu deveria conseguir ganhar mais vezes. Mesmo sem tempo para treinar, sem nutricionista, fisioterapeuta, ajuda externa. Para essess, eu que não me esforcei o bastante para bater o recorde mundial.

Agora, imagine que a linha de chegada é uma Universidade Pública e que os corredores são um filho de médico, recém saído de um colégio particular, com cursinho de reforço, aulas particulares, café da manhã, almoço e janta prontos e em fartura todos os dias, podendo sair com os amigos para refrescar a cabeça sem nenhuma outra preocupação, e tempo para estudar, pois não precisa ajudar com nada em casa. O seu concorrente é um jovem filho de mãe solteira, diarista, que com toda dignidade do mundo lutou para que ele pudesse estudar na escola pública. Mas ele não pode fazer cursinho, nem todo dia tinha almoço e janta, não podia comprar livros, sua internet é escassa e lenta e há muitos problemas e preocupações para lidar.

Os dois farão o vestibular no mesmo dia. Um chega de carro, com o sono em dia, sua garrafa de água e um lanche. O Outro chega correndo do ponto de ônibus ou do metrô, depois de acordar muito cedo para não perder a hora, por vezes sem dnheiro para comprar uma garrafa d´água e nem pensar em alguma coisa para comer durante a prova.

Será mesmo que os dois tem chance igual de passar na prova, será mesmo que se o filho do médico passar e seu concorrente não foi por falta de esforço?

Existem lindas histórias de superação, como também enormes fracassos de quem deveria ser bem sucedido, mas as exceções conformam as regras e não o oposto.

Falar em meritocracia é muito fácil, quando na maioria dos casos, o mérito vem do berço...

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Exposição

Hoje em dias nossas vidas estão cada vez mais expostas, por nós mesmos.

Fotos, desabafos, brigas com desconhecidos em todas as redes sociais possíveis.

Mostramos vários de nossos lados, algumas vezes de propósito, mas em outras, sem ter a exata noção de como nos mostramos tão internamente, sem ao menos perceber e sem desejar que isso acontecesse.

Mostramos nossos bons momentos, as vezes até mais do que deveríamos, mas em algumas palavras deixamos transparecer, também, alguns de nossos lados mais sombrios.

Não vamos, e nem conseguimos mais, nos livrar da modernidade, dos compartilhamentos, da exposição. Mas precisamos ficar mais atentos com o que mostramos e para quem estamos fazendo isso.

As redes sociais não devem ter um papel muito relevante em nossas vidas, senão esquecemos do essencial, que é viver, para criar uma neurose quase patológica de registrar todos os seus momentos para que os outros vejam uma vida artificial.

É preciso, também, ter muito cuidado com o que publicamos por impulsividade, quando alguma coisa, ou alguém, nos irrita e ao invés de pensar, se afastar do celular e respirar, fazemos exatamente o contrário e vamos lá mostrar para todo mundo nossa indignação.

Se não tomarmos cuidado, ficaremos mais preocupados em conseguir filmar momentos do que apreciá-los e quando pararmos para nos dar conta, vamos perceber que ao invés de apreciar coisas bonitas, interessantes e por vezes únicas, com nosso olhos, acabamos vendo da mesma forma que mostraremos para as outras pessoas, ou seja, apenas pela tela do celular.

Mais vida, menos fotos, mais verdade, menos poses para atrair curtidas!


terça-feira, 7 de setembro de 2021

Observar

Nem sempre o que os olhos veem, refletem a realidade.
Muitas pessoas preferem não ver, ou fingir cegueira.
Alguns se viram de costas, para fugir da responsabilidade que os olhos veriam.
Outras pessoas preferem o silêncio, apesar de observar tudo com olhos atentos.

Infelizmente muitos só abrem os olhos quando surge algo que os interessa.
Quando o que está à frente dos olhos algo que o desagrada, fecha os olhos.
Esquecem o coletivo e com sua ignorância esquecem que dependem de muitos que ignoram.
Eu só observo, com desprezo, esses egoístas que acreditam nas mentiras que lhes convém.

Patrões esquecem que dependem dos funcionários.
Gerentes acham que podem virar patrões.
Funcionários mendigam por seus salários baixos.
E quase ninguém observa o sofrimento daqueles que são trocados pelo lucro maior.

Quando se derem conta, mal terão como vender a mercadoria que produzem.
Os verdadeiros ricos não sustentam um mercado.
Quando a fome for maior que as vagas de emprego, não haverá segurança para suas crianças.
Se acham tão inteligentes, mas não observam o erro que estão cometendo.

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...