Eu gosto de olhar fotos antigas. Uma ou duas vezes por ano passo algumas horinhas em frente ao computador vendo fotos de anos atrás.
Desde as mais antigas, que quando digitalizei já estavam amareladas pelo tempo, até as mais recentes, tiradas com celulares com qualidade de imagem maior do que as polaroids do passado.
E observo como eu era há 50 anos atrás, apenas um bebê sem certeza de nada, passando pelas poucas fotos da infância e da adolescência e depois nas dezenas de milhares tiradas nos últimos 20 anos digitalmente, desde as primeiras câmeras digitais, até os celulares potentes de hoje.
E vou, período a período, vendo as marcas do tempo, as diferenças na pele, a cor dos cabelos e da barba, os traços de uma juventude que se perdem nas rugas de hoje.
Por vezes me pergunto: Como eu mudei tanto e nem percebi, quando os cabelos embranqueceram, quando essas olheiras tomaram o lugar dos olhos espertos, como o tempo me mudou, se todo dia passo por ele sem perceber mudança nenhuma...
Esse é o segredo do tempo, segredo que percebemos nos outros, quando ficamos algum tempo sem ver algumas pessoas, mas não percebemos no nosso espelho.
Descobrimos a mudança pelas fotos, pelas lembranças, mas não pelo espelho. Nele dia após dia, ao pentear os cabelos ou escovar os dentes nos enxergamos exatamente iguais como éramos ontem, mas não somos.
Todos os dias nascemos diferentes, mas essa diferença é tão sutil que nem percebemos, não notamos e nos perdemos nos detalhes que deixamos passar, e que de detalhes se transformam em grandes diferenças, mas que só enxergamos nas fotos e em nossas lembranças...