segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Conto em Gotas -Parte 14

Juliano era forte e ao recuperar a consciência e perceber que estava amarrado e amordaçado, sua fúria foi ainda maior e quase o suficiente para arrebentar a corda de varal que prendia suas mãos e suas pernas, mas foi suficiente para quebrar a cadeira em que ele estava sentado e amarrado.

Diana olho para ele e apenas apontou a ara direto para a sua cabeça. Não teve o efeito que ela esperava, apesar de não entender ada do que ele falava, foi possível perceber que era puro ódio que ele exalava e palavras de vingança, como quem confia na sua força e dúvida da força de uma mulher.

Diana então pegou a pistola de parafusos, apontou para a  coxa dele e atirou. O quase grito foi gutural.

Ele babava e seu olhar era ainda mais desafiador, mas mudou quando ela apontou a pistola com um novo prego para a outra coxa.

- Vai ficar quieto ou vai sangrar até morrer, porque eu vou colocar um prego em cada membro do seu corpo se você não cooperar. - Disse ela calmamente.

Ele sacudiu a cabeça para cima e para baixo, seus olhos brilhando em um misto de dor e raiva.

- Então vamos lá - Continuou Diana - Vou te dar três opções, sendo que em duas delas você sai vivo daqui e na outra vou te cortar pedacinho por pedacinho, botar fogo e te dar quase assado para um cachorro morto de fome. - E com isso tirou a faca de caça da bolsa.

- Você vai ouvir as opções e vai balançar a cabeça para dizer qual delas vai preferir. Entendeu?

Ele menou positivamente a cabeça.

- A primeira possibilidade é você ir acompanhado da sua esposa, agora, e comigo como testemunha, confessar os seus crimes e encarar uns 10 anos de prisão. E quando sair da prisão, não colocar o nariz perto dessa casa, senão você vai ficar sem ele. Depois continuou - A segunda opção é sumir, sai daqui agora, só com essa roupa imunda do corpo, deixar uma confissão por escrito e correr pela estrada até conseguir uma carona para te levar para o raio que o parta. E se aparecer em qualquer cidade aqui perto, vai sofrer as consequências. - Ela terminou.

Ele ficou esperando e ela concluiu:

- Ah, esqueci de mencionar novamente a terceira opção, que é eu te encher de parafusos e esperar você morrer sentindo toda dor que você merece.

Ele fez vários sinais com a cabeça, mas nenhum deles de acordo com o que Diana esperava, então ela colocou a pistola no pescoço dele e tirou sua mordaça.

- Responda o que prefere ou eu mesmo vou escolher o que fazer e pode ter certeza que já sei muito bem qual opção eu prefiro. E com isso apertou a garganta do infeliz.

- Espetar minha perna é fácil, mas você não tem coragem de matar um homem de verdade, você não vai querer ser presa, mas eu, eu tenho coragem e vou esmagar você quando me soltar daqui, mas antes de te matar, vou fazer o que você quer que eu faça, mas não de um jeito que você gostaria, mas de um jeito que você nunca mais esqueceria se continuasse viva! 

Diana enrolou o pano e colocou de volta na boca de ele e atirou de novo, dessa vez afundando um parafuso bem no omoplata do cidadão que se contorceu de dor.

Ele tentou cuspir o pano, mas Diana não deixou e ainda passou em volta da cabeça dele uma enorme faixa de fita Silver tape e parecia se deliciar com a dor do sujeito.

A esposa, em choque, não sabia o que fazer, mas tinha concordado com a situação e no fundo do coração sabia que o preferia morto, porque mesmo que ele dissesse que iria embora, ela sabia que ele voltaria e que seria ainda pior.

Diana disse a ela para pegar um lençol ou cobertor e estender no quintal, que tinha muro alta e nenhuma outra casa para xeretar a situação, e outro para não sujar a sala, já que o sangue começava a se empossar embaixo de Juliano.

- Já que você imagina que vai me violentar como fazia com sua própria filha, seu imundo, vou já acabar com as suas esperanças... - Ela disse e em seguida atirou um parafuso em direção ao pênis de Juliano, que mesmo no milésimo antes de ser atingido já tentava gritar desesperadamente...

E depois fez mais dois disparos na mesma região, fazendo com que ele parasse de tentar falar, de se mexer, provavelmente desmaiado pela dor...

Para garantir, ela molhou mais clorofórmio em um pano e novamente colocou no rosto dele e assim, com a ajuda da esposa, o levou sangrando já muito, para o quintal...



segunda-feira, 21 de agosto de 2023

1995 - Ano 23

1995 foi o ano em que o Axé caiu sobre a minha cabeça;

E eu nem esperava por isso e nem tampouco queria ou imaginava que isso seria possível.

Foi também o ano da minha segunda viagem pelos confins do Brasil junto com o meu amigo Ken, a primeira vez no Nordeste, a primeira vez que vi de perto o que era a fome, a miséria e o sofrimento.

Foi também o primeiro namoro sério, de verdade, na faculdade, que tinha quase tudo para dar certo, exceto essa viagem no meio do caminho, durante as férias, que me fez ir para longe e a fez ir para onde os problemas do passado sempre a chamavam, mas que provavelmente deram a ela um futuro muito melhor.

Afinal de contas, namoro e trio elétrico são opostos que quase nunca se atraem.

No trabalho, a maturidade, a percepção da minha capacidade de adaptação, mas também os primeiros medos, as primeiras revoltas, e até mesmo uma mini greve em busca de melhores condições de trabalho e salário.

E a disputa pelo "eu profissional" entre os gerentes de todos os setores me mostrou que eu estava certo.

No fim do ano, já sem namoro e com um amigo completamente pronto para destruir a minha vida, ao mesmo tempo que me fez viver intensamente, tive que tomar uma decisão, e acabei trancando a faculdade, pois mesmo um jovem de 23 anos não conseguia trabalhar 10 a 12 horas por dia, todos os dias da semana, como uma única folga, fazer faculdade e viver atrás dos shows de Axé no antigo e querido Olympia.

Em casa, com a família, tudo seguindo a mesma rotina, pouco tempo em casa, e o pouco tempo dentro do meu mundo, ouvindo reclamações e reclamando e a vida seguindo...

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Trem Fantasma

Como em um desenho animado a bola de canhão me atingiu e me levou para o oceano.
Mas não foi o oceano mais próximo, antes passei pelo deserto para depois ver o brilho do mar.
Afundei e para tomar ar precisei de uma escada tão alta quanto o Everest.
Mas não cheguei ao céu primeiro, antes tive que passar por milhões de corpos enterrados.

Em compensação, quando cheguei no último degrau uma anja me perguntou:
- Como você está?
Você viu, ela perguntou como eu estava!
Eu apenas sorri, o sorriso mais sincero.

Ela também não chegou la por acaso, comprou uma passagem para fugir do frio.
Embarcou naquele trem, porque não queria ser enterrada pela neve.
Senti um tipo diferente de amor.
O amor que é um trem fantasma passando pelos trilhos dentro de um túnel escuro.

Sem responder nada, disse a ela:
- Apenas segure a minha mão e fique comigo, não tenho mais lugar nenhum para ir.
Mesmo sabendo a resposta, ela perguntou se eu estava bem.
- Você está bem? - Disse ela não percebendo meus olhos se fecharem...

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

A Fama Passageira

De uns tempos para cá, algumas pessoas entraram em uma nova descrição criada para aqueles que tiveram seus 5 minutos de fama e depois, com todo respeito, sumiram dos holofotes.

São as chamadas sub celebridades.

Ganhadores ou até mesmo perdedores de reality shows, "cantores" que fizeram sucesso com uma única "música", aventureiros que criaram algum conteúdo chamativo que, outra palavra nova, viralizou e assim por diante.

Na enorme parte das vezes, essas pessoas não têm a mínima ideia de como deveriam lidar com o dinheiro e a fama passageira que conquistaram, deixando a vaidade e a ganância acabar com o pouco que eles achavam que era muito, que conseguiram.

De volta à realidade, muitas vezes com dívidas impagáveis e ao anonimato merecido, correm o risco de entrar em depressão profunda, depois de tentar, desesperadamente emplacar um novo programa, um novo sucesso, um novo vídeo viral sem o mesmo sucesso.

Sem contar nos escândalos, confusões e ate pequenos desvios da lei que cometem propositalmente, para voltar a ter os nome comentado, ou aparecer nos "trending topics".

Vivemos um mundo que é estranho para os mais velhos, mas sem volta, pois a tendencia é cada vez mais existirem nichos de pessoas que criam seus ídolos e que procuram seguir seus passos.

Eu, particularmente, continuo desconhecendo a maioria das sub celebridades e o motivo pelo qual tiveram seus 5 minutos de fama.

Mas, cada um tem um gosto diferente, uma forma de ver a vida e uma forma de imaginar a vida que não vive...


Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...