1995 foi o ano em que o Axé caiu sobre a minha cabeça;
E eu nem esperava por isso e nem tampouco queria ou imaginava que isso seria possível.
Foi também o ano da minha segunda viagem pelos confins do Brasil junto com o meu amigo Ken, a primeira vez no Nordeste, a primeira vez que vi de perto o que era a fome, a miséria e o sofrimento.
Foi também o primeiro namoro sério, de verdade, na faculdade, que tinha quase tudo para dar certo, exceto essa viagem no meio do caminho, durante as férias, que me fez ir para longe e a fez ir para onde os problemas do passado sempre a chamavam, mas que provavelmente deram a ela um futuro muito melhor.
Afinal de contas, namoro e trio elétrico são opostos que quase nunca se atraem.
No trabalho, a maturidade, a percepção da minha capacidade de adaptação, mas também os primeiros medos, as primeiras revoltas, e até mesmo uma mini greve em busca de melhores condições de trabalho e salário.
E a disputa pelo "eu profissional" entre os gerentes de todos os setores me mostrou que eu estava certo.
No fim do ano, já sem namoro e com um amigo completamente pronto para destruir a minha vida, ao mesmo tempo que me fez viver intensamente, tive que tomar uma decisão, e acabei trancando a faculdade, pois mesmo um jovem de 23 anos não conseguia trabalhar 10 a 12 horas por dia, todos os dias da semana, como uma única folga, fazer faculdade e viver atrás dos shows de Axé no antigo e querido Olympia.
Em casa, com a família, tudo seguindo a mesma rotina, pouco tempo em casa, e o pouco tempo dentro do meu mundo, ouvindo reclamações e reclamando e a vida seguindo...
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