segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Assassinato de Alguém

Uma manhã triste.
Como o pó das juntas dos ossos dos dedos.
Mesmo que digam que não estou sozinho.
Dizem apenas que existe um mundo do outro lado da janela.

Ninguém precisa saber,
Mas nós andamos sozinhos,
E fazemos isso devagar.
E dizemos:

Toda a sua vida é uma vergonha,
Todo o seu amor é apenas um sonho.
A felicidade também é apenas um sonho,
Pelo menos no sonho há aconchego e segurança.

Mas no sonho pedem desculpas,
E avisam que estamos errados.
E olhamos para nós mesmos por horas,
Desde o ano em que nascemos.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Romantização do Arrependimento

Romantização é uma palavra que está na moda. É um disfarce para tentar transformar coisas ruins em boas, ou seja, como uma embalagem bonita para um produto vencido, quebrado, estragado ou apenas ruim mesmo.

Sabemos que o arrependimento é um sentimento ruim, sobre algo que as pessoas fazem, ou deixam de fazer. Ele, como todo sentimento, é abstrato e na maioria das vezes não pode ser controlado.

Contudo, algumas atitudes que geram o arrependimento, diria a maioria, não são por acaso, ou sem querer. São atitudes cometidas propositalmente, ou então sem um mínimo pensamento anterior, fruto de impulsividade ou irresponsabilidade mesmo.

E, antigamente, dizíamos que era possível aprender com erros, para não fazer de novo as mesmas coisas e, portanto, não cair de novo em arrependimento.

Mas, hoje em dia, com fãs de qualquer celebridade ou subcelebridade soltos por aí, se arrepender ficou mais difícil, porque tem sempre alguém dizendo que "tudo bem", "ninguém é perfeito", errar é humano e etc.

Esse excesso de "mão na cabeça" de quem era, não serve para nada além de ser um álibi para o mesmo erro ser cometido de novo e em muitos casos, o que era erro vira atitude correta, com tanto apoio por aí.

É preciso, urgentemente, parar de romantizar o arrependimento, deixar que as pessoas voltem a aprender com seus erros e se arrepender genuinamente, pois para cada "ídolo" defendido, há uma vítima esquecida.

E se eles continuarem achando que podem tudo, sempre haverá alguém sem poder se defender.

Mais consciência, menos fãs clubes, por uma vida melhor para todos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Como seus olhos enxergam as minhas cicatrizes

Nossa vida é cheia de batalhas, nem sempre com resultado final positivo, mas se soubermos lidar com nossas derrotas sempre sairemos das batalhas com aprendizados, com marcas, com cicatrizes emocionais.

E se soubermos dar valor ao que passamos e usar o aprendizado para ter sucesso nas próximas batalhas, nada mais nos resta do que ter orgulho das nossas cicatrizes.

Sim, orgulho, pois se não às tivéssemos seria sinal de que desistimos em algum momento ou fugimos das nossas responsabilidades.

Contudo, enquanto temos orgulho das nossas batalhas invisíveis, aos olhos que de quem não lutou ao nosso lado, nossas cicatrizes podem ser apenas algo desagradável, feio, fora de lugar.

Mas elas não estão marcadas em nosso corpo, na nossa mente, para agradar ninguém, não devemos tentar fazer uma plástica, ou seja, fingir não ter a cicatriz para agradar outras pessoas. Independente da maquiagem que se use, a dor, o sentimento, as lembranças sempre estarão lá e quem não compartilho esses sentimentos conosco, não entenderá, nem se importará com os nossos medos, nossas escolhas, nossa coragem e nem nossas dúvidas.

Assim como uma digital, as cicatrizes são únicas, individuais e não importa como cada um as enxerga e sim apenas como você se lembra de ter a conseguido.

Orgulhe-se de suas vitórias, sem ter vergonha de ter caído, quantas vezes fossem necessárias, para chegar onde sempre quis estar!


segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Conto em Gotas - Parte 15

Uma das muitas coisas em que Diana não pensou foi em como se livrar de um corpo.

Ela inocentemente achava que encontraria todos os estupradores e os faria desaparecer, ou como foi em SP, chegar em casa e ligar avisando que ali havia um moribundo...

Mas agora ela se via em uma situação diferente, uma esposa dividida entre alívio e medo e um homem grande, forte, que ainda se debatia e que não poderia ser deixado ali para ser encontrado, pois haveria óbvias complicações para a esposa, que logo contaria a verdade e acabaria com o plano dela de seguir com sua vingança.

Primeiro ela tentou acalmar a esposa, pediu para que ela fosse para dentro, que limpasse os respingos de sangue do chão da sala e que deixasse as coisas com ela agora, mas antes de voltar para dentro da casa ela disse:
- Ele foi o único homem que eu amei. - E começou a chorar copiosamente.

O marido percebeu e começou a se debater ainda mais, lutando para pedir misericórdia para a esposa tola, que sofreria as piores consequências do mundo, caso ele se livrasse da iminente morte.

Mas Diana não deixaria isso acontecer;

Ela também voltou para dentro da casa e enquanto a outra procurava o material de limpeza e a vassoura para começar a limpar a sala, ela foi até a mochila e pegou a corda, mais fita e perguntou se na casa havia algum martelo.

Diana tinha visto um vaso grande, pendurado no quintal, do lado oposto aonde estava o fortão e teve uma ideia, iria tirar o vaso de lá e pendurar o corpo inerte dele, desmaiado pelo clorofórmio, até que ele morresse sufocado, mas sem fazer muito mais barulho.

O mais difícil foi lidar com o peso, do vaso e do homem e ela precisou, contra vontade pedir ajuda para a esposa, que no primeiro momento se recusou, mas acabou sendo persuadida por Diana. Mas ela sabia que estava em risco, pois a mulher estava prestes a colapsar e poderia abrir a boca em breve.

Depois de deixar o homem uma hora pendurado, Diana se certificou que ele não mais respirava. O Sangue que escorria pelas suas pernas através da calça já tinha formado uma enorme poça sobre os sacos de lixo que ela colocou embaixo do corpo. Mas agora vinha parte mais difícil, o que fazer com aquele homem, que fez tanto mal para a esposa e para a filha e ainda estava causando problemas, mesmo morto...


Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...