segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Catapulta

Abro os olhos e de repente me vejo sozinho.
Ainda ontem ela estava aqui.
Vai ver ainda estou dormindo.
Certamente ela ainda estará ao meu lado quando eu acordar.

Eu não posso estar sozinho.
Eu quero ser a faca que corta quando está nas minhas mãos.
E espalhar tudo o que eu cortar em uma catapulta.
Sou apenas um grande bebê, por favor me salve.

Se você demorar, não vai achar ninguém em casa.
Apenas vozes baixas e vazias falando sobre o que viram.
Eu não vou aguentar quando a fome chegar.
Tenho uma faca e escolhas estúpidas na minha cabeça.

Estou sozinho e ninguém vai me dizer quando devo parar.
Eu quero desapontar ninguém.
Mas serei uma luz tão brilhante que vai queimar seus olhos.
Afinal, só eu sei o que há dentro de mim.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Pertencimento

Muitas vezes nos sentimos estranhos à algum lugar ou em contato com algumas pessoas, como se não parecesse correto estar ali naquele momento.

Já, em outros lugares, ou com outras pessoas e ainda té sozinhos conosco, nos sentimos fazendo parte daquele ambiente, do grupo ou, o mais importante, como nós mesmos!

Essa sensação de pertencimento ou de não pertencimento deve ser tratada com todo cuidado e atenção, pois de nada adianta tentar se encaixar em algum lugar, ou agradar uma pessoa, se não fazemos parte daquilo, daquele lugar ou sentimento.

Devemos, sempre, valorizar o nosso espaço e as nossas pessoas, sem tentar conquistar nada por obrigação ou de forma não natural.

Precisamos nos sentir queridos, aceitos e não apenas suportados, ou ficar em um lugar por obrigação.

Temos o nosso próprio espaço, o nosso grupo e ainda assim, se não nos encontrarmos em nenhum outro lugar, se estivermos em dia com nosso amor próprio, teremos sempre a n[os mesmos.

Não lute para ficar onde você não cabe, não se corte nem se molde para caber na vida de alguém, não tente ser quem você não é apenas para agradar.

Senão você nunca encontrará o seu verdadeiro lugar...

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

1997 - Ano 25

 Depois da "farra" dos axés de 1996, no ano seguinte retornei à faculdade, o que obviamente foi a melhor decisão profissional da minha vida, apesar de naquela época eu ainda não saber disso.

Ainda estava namorando a mesma pessoa, mas foi um ano conturbado em relação aos relacionamentos e sentimentos.

Minha namorada foi demitida e foi passar um tempo com a família em Cruz das Almas, na Bahia. Combinamos que ela ficaria por lá por uns dois meses até minhas férias e eu iria para lá conhecer sues pais e depois voltaríamos juntos.

E isso realmente aconteceu, mas não voltamos juntos. Ela resolveu ficar por lá mais um tempo e eu voltei para trabalhar duas semanas depois e nesse tempo em que ela ficou lá e eu aqui, uma outra menina apareceu na minha vida. E acabamos ficando juntos por alguns meses, até que outra menina apareceu na minha vida, de forma inesperada, aleatória e eu fiquei completamente perdido nos meus sentimentos e atitudes. E na hora do aperto, entre as três, acabei escolhendo ficar com a última, com quem tive quase três anos de um ótimo relacionamento, até que veio o casamento, mas isso estava muito no futuro e escreverei depois.

A volta à faculdade foi boa, de certa forma tranquila, o pessoal da turma nova era tão legal quanto a anterior, mas as melhores e mais fortes amizades ficaram mesmo com o pessoal dos dois primeiros anos, porque nos dois últimos, antes do ano de estágio obrigatório, minha vida profissional me tirava todo o tempo possível e mal tinha tempo para uma coxinha na faculdade, muito menos para amizades e conversas paralelas.

E o fim do ano foi o primeiro em que passei o ano novo "longe de casa", pois a minha confusão de relacionamentos fez com que o Natal eu passasse com a minha namorada que tinha voltado da Bahia e o ano novo, na casa do meu irmão, com a namorada que se tornaria a minha esposa...

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Conto em Gotas - Parte 16

Diana deu cem reais para Bianca e pediu para ela ir ao mercado comprar um pacote de sacos de lixo de 100 litros e pediu para ela mais dois lençóis ou cobertores.

Ela só tinha mesmo mais dois lençóis, um na cama, já bem sujo e o outro guardado para ela trocar enquanto lavava o primeiro. Diana prometeu que compraria outro, novo, para ela nunca mais deitar sobre um lençol onde aquele maldito também tenha deitado.

Enquanto Bianca ia ao mercado, ela desceu o homem sobre os sacos de lixo ensaguentados e enrolou tudo nos dois lençóis. Depois que Bianca chegou com os sacos de lixo, ela colocou um na parte do tronco, outro na parte das pernas, com a fita Silver Tape prendeu os dois da melhor maneira possível e disse para Bianca que iriam agora alugar um carro e comprar seu novo jogo de lençol.

Trancaram a casa e foram até a rodoviária, que era o único lugar para alugar um carro, mas para a tristeza de Diana, o único disponível era um Gol, que ela sabia não ter espaço suficiente no porta malas, mas teria que ser esse mesmo.

Já passava das 17:00 e não havia mais nenhuma loja aberta, então Diana disse que levaria Bianca para Limeira e lá, no shopping, comprariam seu jogo de lençol. Ela, mesmo ainda desacorçoada, pareceu ficar iluminada, pois nunca tinha entrado em um shopping.

Voltaram para a casa de Bianca, ela desceu e abriu o portão para Diana entrar no gramado que deveria ser uma garagem e lá dentro, as duas, colocaram com um esforço gigante, o homenzarrão morto no banco de trás do carro.

Se trocaram, pois ainda havia pequenas manchas de sangue nas roupas das duas e foram para Limeira, com Diana ainda sem saber ao certo o que faria com aquele corpo...


Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...