segunda-feira, 29 de abril de 2024

2001 - Ano 29

Eu me acostumei com uma rotina quase escravizante nos meus últimos meses de Carrefour, que nem estranhei quando em 2001 já me via trabalhando mais de 15 horas por dia.

O casamento já não ia bem, quase desde o início, mas ainda dava para levar.

O único fato mais marcante desse ano foi mesmo o ataque às Torres Gêmeas, que eu vi no trabalho.

Me lembro da minha ex-esposa me ligando do trabalho dela, chorando, achando que o mundo ia acabar.

No fim do ano, nada de diferente, Natal com uma família, ano novo com outra.

Mas um erro eu cometi, e só descobri tarde demais, me afastei dos meus amigos e colegas, passei a viver em função apenas do trabalho e do casamento e anos depois percebi que não vivi 2001, apenas engordei como nunca antes e deixei o tempo passar...

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Boa Noite

Me perdi durante a tarde, esperando por um trem.
Eu acordei despedaçado e ela simplesmente sumiu.
Queria ela aqui comigo.
Mas espero que esteja bem.

Tomara que esteja descansando calmamente.
Eu apenas queria desejar uma boa noite.
Nem todos podem ser heróis.
Mas alguns, como eu, podem ser palhaços.

Alguns conseguem dançar no meio do caminho.
Outros apenas vagueiam entre cidades.
Eu gostaria que todo mundo tivesse algum talento.
Eu, apenas faço minhas orações.

Para me acender, me jogo no fogo.
Andando no limite de novo.
Apenas para poder tentar dizer:
Boa noite...



segunda-feira, 15 de abril de 2024

Ídolos Acima de Tudo!

Ídolos sempre existiram, provavelmente desde sempre.

Mas como passar do tempo, foram se multiplicando e hoje existem vários ídolos, de poucas pessoas.
Esportistas, músicos e artistas sempre tiveram seus fãs clubes, mas hoje em dia, a esses grupos se juntaram políticos! (Sim, tem gente que idolatra político!), participantes de reality shows, os chamados influenciadores, imitadores de personagens e mais tudo que se possa imaginar.

E isso nem seria um problema, se muitos desses ídolos não fossem influências muito negativas, seja para crianças, para jovens e até mesmo adultos com carência e falta de amor próprio, que imaginam uma vida que na verdade não existe.

Quando uma pessoa se torna um ídolo, suas atitudes se tornam referências. Vimos isso em casos de atletas, por exemplo, que cometeram crimes, e apesar de serem julgados culpados pela justiça, são absolvidos pelos seus fãs, que não acham suas atitudes incorretas e as copiaram facilmente.

Mas, na minha e somente minha humilde opinião, o pior caso é a idolatria de políticos. Discussões acaloradas, violentas, ofensas de todos os tipos para defender aqueles que nem sabem da existência dos tontos que brigam por eles.

Chegamos ao cúmulo de assistirmos assassinatos, como se nos últimos 50 anos alguma coisa tivesse efetivamente melhorado mesmo para qualquer pessoa abaixo da linha da pobreza.

O mundo seria bem melhor se as pessoas pudessem apenas admirar as outras, independente do status de estrela, craque ou o quer que seja, mas enxergassem que atrás daquela imagem há um humano, falível, cheio de problemas e que não deve ser imitado, nem apoiado em caso de transgressões.

O exemplo deveria vir de casa, da escola, das boas pessoas nas comunidades, mas hoje em dia o que se busca é ganhar muito fazendo pouco, como se todos pudessem ser políticos...






segunda-feira, 8 de abril de 2024

A Cultura do Cancelamento

No momento em que vivemos, a chamada era digital, surgiu a chamada cultura do cancelamento, que é como um fenômeno complexo presente interações online, mas também nas esferas públicas. O termo refere-se à prática de boicotar, ofender ou desconsiderar indivíduos ou instituições que expressaram opiniões ou comportamentos considerados socialmente inaceitáveis ou ofensivos para determinados grupos. Com o intuito descabido de supostamente promover responsabilidade e justiça social, a cultura do cancelamento frequentemente desencadeia debates acalorados sobre liberdade de expressão, tolerância e poder de influência das redes sociais.

Um dos aspectos mais controversos da cultura do cancelamento é sua natureza punitiva e muitas vezes implacável. Enquanto algumas campanhas de cancelamento podem parecer justificadas, visando expor comportamentos prejudiciais ou injustiças, outras podem parecer desproporcionais, levando à censura excessiva e à falta de espaço para o diálogo construtivo. A rapidez com que as redes sociais podem amplificar acusações e mobilizar massas contribui para uma dinâmica muitas vezes desequilibrada, na qual um deslize pode resultar em consequências devastadoras para a reputação e o bem-estar emocional.

Além disso, a cultura do cancelamento às vezes se desvia do objetivo inicial de justiça social, tornando-se um mecanismo para promover agendas pessoais, alimentar conflitos e inflamar a polarização. O cancelamento pode ser seletivo, direcionado principalmente a figuras públicas enquanto deixa passar comportamentos semelhantes entre indivíduos menos conhecidos. Essa inconsistência acaba com a credibilidade do movimento e desencoraja qualquer reflexão verdadeira sobre as questões em jogo.

Sabemos que existem, claro, defensores da cultura do cancelamento e eles gostam de dizer que  ela é apenas uma ferramenta para responsabilizar aqueles que abusam de seu poder ou perpetuam preconceitos e discriminação. Ao expor e condenar comportamentos prejudiciais, a cultura do cancelamento pode ajudar a criar normas mais inclusivas e progressistas na sociedade. No entanto, a eficácia desse método para promover mudanças significativas a longo prazo permanece um tópico de debate.

Em última análise, a cultura do cancelamento reflete as complexidades e tensões inerentes à interseção entre liberdade de expressão, responsabilidade social e poder nas plataformas digitais. Para que seu impacto seja construtivo, é fundamental que os indivíduos e comunidades envolvidos adotem uma abordagem crítica e reflexiva, buscando um equilíbrio entre a justiça e a empatia, o escrutínio e a reconciliação.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

O preço da Saúde ou o Preço da Vida?

Temos no Brasil um dos melhores projetos de saúde popular do mundo, mas mesmo assim ele tem seus problemas, muito porque fica sobrecarregado, afinal são muitas pessoas para poucos postos de saúde e profissionais.

Por outro lado, pessoas com uma condição de vida muito superior aos demais, cerca de 5% da população, se cuidam em hospitais cuja diária é mais cara do que um salário mínimo, que recebe o usuário do SUS;

E existe uma parte da população que em virtude do trabalho ou de escolha, possuem planos de saúde, que estão cada vez mais caros.

E por isso me pergunto, afinal o que vale mais, o lucro das empresas ou a vida de quem depende delas?

Dizem que viver não tem preço, mas isso está bem longe de ser verdade. Aliás, é ao contrário, o preço da saúde é alto demais.

Até consumir os chamados produtos saudáveis, é caro.

Temos que dar valor à nossa vida, porque se dependermos apenas de quem tem o poder sobre a nossa saúde, ficaremos limitados ao valor que temos em nossas contas correntes...

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...