A notícia pelo jeito se espalhou rápido. Pouco depois de ser obrigado a tirar as digitais e a clássica foto com a placa da Prisão, ele foi acomodado em uma cela com mais dois caras mal encarados, que pelo jeito já sabiam o que tinha acontecido, mas em uma versão diferente da que ele imaginava. Engraçado, como as pessoas poderiam saber de uma coisa que ele fez, que nem mesmo ele sabia.
Mas estupradores não são
muito bem vistos pelos seus colegas de prisão e ele estava sendo acusado de
estupro seguido de morte. Segundo os boatos que já chegavam, foram encontradas
marcas de violência no corpo da Moça, como se ela tentasse se defender e por
fim, sêmen por toda a cama e dentro dela, provavelmente vindo dele.
Ele
ficou em um canto, sem abrir a boa e sem fechar os olhos ainda marejados, o que
gerou mais gracinhas ainda vindas de seus colegas, mas com os ouvidos lutando
para diferenciar as palavras que ouvia do barulho que ainda habitava sua mente.
Mas logo o carcereiro o
chamou dizendo que ele tinha uma visita. Os outros dois riram e disseram – Já
chegou o advogado da moça? E riram muito. Mal sinal.
Mas isso nem foi tão ruim.
O pior foi a visita. Não era o advogado, que provavelmente não estava com
nenhuma pressa para ajudar Caio, era muito pior..
O Sr. Mendonça estava na
frente dele com uma expressão furiosa e ele nem teve tempo de reação quando o
homem olhou para a sua cara. Foi um murro certeiro, com toda força que o pobre
homem poderia ter, que pegou Caio desprevenido e o fez desabar no chão,
causando uma dor indizível no homem já destruído pelos acontecimentos do dia.
Uma das poucas coisas que ele pode notar, foi a cara de satisfação do guarda
que em tese devia ter afastado o Sr. Mendonça dele.
- Porque, porque, por que
você fez isso com a minha criança, porque você matou a minha Princesa.. – E as
lágrima começaram a escorrer pelo rosto do velho.
- Não fui eu, eu não fiz
nada, há duas semanas que eu não via a Marcela...
- Cachorro mentiroso! –
Disse o Pai dela preparado para um novo embate, mas desta vez contido pelo policial
que espreitava a tudo, que depois calmamente disse: - Nós vamos cuidar para que
ele tenha o que merece.
Ele
voltou para a cela com um hematoma a mais e com respostas a menos, e com o
mesmo medo de encarar os dois malucos que ansiavam por ele na cela.
Para o seu alívio, mesmo
que momentâneo, o advogado chegou pouco depois, e fez com que o carcereiro
fosse obrigado a afastar os dois de perto dele, mas ele sabia que isso não
seria suficiente, ele precisaria sair dali.
Quando ele viu Theobaldo,
sua vontade foi de ajoelhar-se na frente dele, mas ele se conteve, agradeceu
pela presença e disse logo de cara: - Não posso ficar na cela em que me
colocaram, aqueles dois caras vão me comer a noite inteira e vão me matar em
uma semana.
O advogado parece não ter
ouvido uma única palavra dita por Caio e devolveu em seguida: - O Paulo, quando
me ligou, disse que você está ruim de grana, como pretende me pagar?
Caio pareceu não acreditar
no que estava ouvindo – Porra Theo, quanto eu já ajudei a você ganhar dinheiro
com os processos em cima do jornal! E agora você quer me foder também!?
Primeiro me tira daqui, depois conversamos sobre pagamento.
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