segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Enjoy The Silence - 5

             A notícia pelo jeito se espalhou rápido. Pouco depois de ser obrigado a tirar as digitais e a clássica foto com a placa da Prisão, ele foi acomodado em uma cela com mais dois caras mal encarados, que pelo jeito já sabiam o que tinha acontecido, mas em uma versão diferente da que ele imaginava. Engraçado, como as pessoas poderiam saber de uma coisa que ele fez, que nem mesmo ele sabia.

                Mas estupradores não são muito bem vistos pelos seus colegas de prisão e ele estava sendo acusado de estupro seguido de morte. Segundo os boatos que já chegavam, foram encontradas marcas de violência no corpo da Moça, como se ela tentasse se defender e por fim, sêmen por toda a cama e dentro dela, provavelmente vindo dele.

                Ele ficou em um canto, sem abrir a boa e sem fechar os olhos ainda marejados, o que gerou mais gracinhas ainda vindas de seus colegas, mas com os ouvidos lutando para diferenciar as palavras que ouvia do barulho que ainda habitava sua mente.
                Mas logo o carcereiro o chamou dizendo que ele tinha uma visita. Os outros dois riram e disseram – Já chegou o advogado da moça? E riram muito. Mal sinal.
                Mas isso nem foi tão ruim. O pior foi a visita. Não era o advogado, que provavelmente não estava com nenhuma pressa para ajudar Caio, era muito pior..
                O Sr. Mendonça estava na frente dele com uma expressão furiosa e ele nem teve tempo de reação quando o homem olhou para a sua cara. Foi um murro certeiro, com toda força que o pobre homem poderia ter, que pegou Caio desprevenido e o fez desabar no chão, causando uma dor indizível no homem já destruído pelos acontecimentos do dia. Uma das poucas coisas que ele pode notar, foi a cara de satisfação do guarda que em tese devia ter afastado o Sr. Mendonça dele.
                - Porque, porque, por que você fez isso com a minha criança, porque você matou a minha Princesa.. – E as lágrima começaram a escorrer pelo rosto do velho.
                - Não fui eu, eu não fiz nada, há duas semanas que eu não via a Marcela...
                - Cachorro mentiroso! – Disse o Pai dela preparado para um novo embate, mas desta vez contido pelo policial que espreitava a tudo, que depois calmamente disse: - Nós vamos cuidar para que ele tenha o que merece.

                Ele voltou para a cela com um hematoma a mais e com respostas a menos, e com o mesmo medo de encarar os dois malucos que ansiavam por ele na cela.
                Para o seu alívio, mesmo que momentâneo, o advogado chegou pouco depois, e fez com que o carcereiro fosse obrigado a afastar os dois de perto dele, mas ele sabia que isso não seria suficiente, ele precisaria sair dali.
                Quando ele viu Theobaldo, sua vontade foi de ajoelhar-se na frente dele, mas ele se conteve, agradeceu pela presença e disse logo de cara: - Não posso ficar na cela em que me colocaram, aqueles dois caras vão me comer a noite inteira e vão me matar em uma semana.
                O advogado parece não ter ouvido uma única palavra dita por Caio e devolveu em seguida: - O Paulo, quando me ligou, disse que você está ruim de grana, como pretende me pagar?
                Caio pareceu não acreditar no que estava ouvindo – Porra Theo, quanto eu já ajudei a você ganhar dinheiro com os processos em cima do jornal! E agora você quer me foder também!? Primeiro me tira daqui, depois conversamos sobre pagamento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...