O Advogado novamente pareceu ignorar Caio e disse – Caio, sem o pagamento garantido, não há defesa, pelo pouco que conversei com o Delegado antes de vir aqui, sua situação é muito ruim, por menos de R$ 50.000,00 não entro nessa.
- Porra! R$ 50.000,00 eu
não tenho isso!
- Então boa sorte e boas
noites para você, até conseguir um advogado de defesa indicado pelo Estado.
- Não, espera, meu
apartamento, vale R$ 280.000,00, se você me tirar daqui eu vendo e vou morar
com meus país até arrumar um novo...
- Ok, então vamos
conversar. Assine o contrato e em seguida responda as minhas perguntas. Lembre-se,
sou seu advogado, tudo o que você esconder ou qualquer detalhe que escapar
podem te prejudicar.
Ele assinou o contrato sem
ler e disse: - Tudo bem, mas acho que vai ser difícil, pois eu não me lembro de
nada. Eu cheguei em casa na terça-feira 22 de Setembro por volta de 11 da noite
e aparentemente acordei por volta de 11 da manhã do dia 24 de Setembro. Um dia
sumiu do meu calendário!
- Não é um bom começo Caio.
Parece que você não me entendeu. Eu sou seu advogado. É natural você estar com
medo, mas não adianta partir para essa linha. Vamos fazer o seguinte, volte
para a sua cela, vou pedir uma liminar de soltura garantindo que você ficará à
disposição até que os exames que estão sendo feitos fiquem prontos. Por
enquanto você é suspeito, mas deverá ser indiciado por homicídio. Em duas horas
você deve sair daqui e conversamos em meu escritório.
Caio assentiu, mas para
ficar longe dos dois colegas de cela do que qualquer outra coisa, pois sabia
que a conversa seria longa.
Pouco mais de três horas após a
conversa, depois de presenciar até um início de briga sobre quem seria o
primeiro a desfrutar do corpo do pobre Caio, chegou o carcereiro emburrado e o
chamou. – Vamos, seu advogado conseguiu fazer com que você saia ileso esta
noite, mas amanhã ou depois, você estará de volta.
Perplexos os dois colegas
da cela se entreolharam e cada um foi para seu canto, abatidos pela notícia de
que a noite deles seria como todas as outras.
Theo colocou Caio no seu carro e
enquanto iam para seu escritório disse: - Você não pode voltar para a sua casa,
está interditada até a Polícia decidir que as evidências podem ser removidas. –
O Corpo foi liberado e reconhecido e o velório, depois o enterro serão amanhã.
Claro que você não vai.
Caio não protestou, não tinha
cabeça no momento para pensar em enterros, ele queria primeiro entender o que
havia acontecido.
O Escritório de Theobaldo
era muito bonito e apesar dos muitos encontros que tiveram antes, ele nunca
tinha ido até lá. A secretária também era muito bonita, mas olhou para ele com
cara de nojo, assim que ele entrou no escritório.
A conversa seria longa e
Theobaldo fez mais de 30 perguntas e as respostas sempre eram “Não sei” ou “Não
lembro”.
- Eu não posso fazer nada
por você, se você não me ajudar. Esse caso vai para julgamento e você vai pegar
mais de 100 anos com essa história de “não sei” e “não lembro”. Para isso você
nem precisava me contratar, serão os R$ 50.000,00 mais fáceis da minha vida.
- Porra Theo, mas é
verdade, eu juro! Você precisa descobrir o que aconteceu neste dia. Como eu
posso ter saído para comprar as garrafas de Whyski sem dinheiro e nem cartão e
mesmo assim, se eu tivesse ido, poderia até apagar depois de tomar todas, mas
pelo menos de sair para comprar eu lembraria.
- Ok Caio, tente dormir e
amanhã cedo conversamos, vou te deixar em um hotel, qual você quer?
- Não tenho dinheiro para
pagar nenhuma diária, deixe-me dormir aqui no seu escritório, eu me viro.
- De jeito nenhum. Vou pagar uma diária aqui
no muquifo do centro para você, incluo nas despesas da defesa. Amanhã cedo eu
te pego de volta.
- Posso pelo menos pegar uma roupa limpa em
casa?
- Não, não pode, eu faço isso para você.
- Podemos ao menos passar
em uma farmácia, estou com uma dor de cabeça sem fim, preciso tomar algo.
- Tem uma farmácia aqui na
esquina, desce e compra um maldito remédio. Não, espera, eu mando comprar pra
você, melhor não deixar você sozinho por aí.
- Porra Theo, acha que eu vou fugir? –
Disse Caio indignado.
- Não, mas acho que alguém
pode te achar e sua fama não é das melhores hoje. Vou mandar o boy ir buscar.
Tem alguma marca preferida?
- Não, pode ser qualquer
um, desde que seja rápido.
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