segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Enjoy The Silence - 6

         O Advogado novamente pareceu ignorar Caio e disse – Caio, sem o pagamento garantido, não há defesa, pelo pouco que conversei com o Delegado antes de vir aqui, sua situação é muito ruim, por menos de R$ 50.000,00 não entro nessa.

- Porra! R$ 50.000,00 eu não tenho isso!
            - Então boa sorte e boas noites para você, até conseguir um advogado de defesa indicado pelo Estado.
            - Não, espera, meu apartamento, vale R$ 280.000,00, se você me tirar daqui eu vendo e vou morar com meus país até arrumar um novo...
             - Ok, então vamos conversar. Assine o contrato e em seguida responda as minhas perguntas. Lembre-se, sou seu advogado, tudo o que você esconder ou qualquer detalhe que escapar podem te prejudicar.
                Ele assinou o contrato sem ler e disse: - Tudo bem, mas acho que vai ser difícil, pois eu não me lembro de nada. Eu cheguei em casa na terça-feira 22 de Setembro por volta de 11 da noite e aparentemente acordei por volta de 11 da manhã do dia 24 de Setembro. Um dia sumiu do meu calendário!
               

- Não é um bom começo Caio. Parece que você não me entendeu. Eu sou seu advogado. É natural você estar com medo, mas não adianta partir para essa linha. Vamos fazer o seguinte, volte para a sua cela, vou pedir uma liminar de soltura garantindo que você ficará à disposição até que os exames que estão sendo feitos fiquem prontos. Por enquanto você é suspeito, mas deverá ser indiciado por homicídio. Em duas horas você deve sair daqui e conversamos em meu escritório.
             Caio assentiu, mas para ficar longe dos dois colegas de cela do que qualquer outra coisa, pois sabia que a conversa seria longa.

Pouco mais de três horas após a conversa, depois de presenciar até um início de briga sobre quem seria o primeiro a desfrutar do corpo do pobre Caio, chegou o carcereiro emburrado e o chamou. – Vamos, seu advogado conseguiu fazer com que você saia ileso esta noite, mas amanhã ou depois, você estará de volta.
            Perplexos os dois colegas da cela se entreolharam e cada um foi para seu canto, abatidos pela notícia de que a noite deles seria como todas as outras.

Theo colocou Caio no seu carro e enquanto iam para seu escritório disse: - Você não pode voltar para a sua casa, está interditada até a Polícia decidir que as evidências podem ser removidas. – O Corpo foi liberado e reconhecido e o velório, depois o enterro serão amanhã. Claro que você não vai.

Caio não protestou, não tinha cabeça no momento para pensar em enterros, ele queria primeiro entender o que havia acontecido.
            O Escritório de Theobaldo era muito bonito e apesar dos muitos encontros que tiveram antes, ele nunca tinha ido até lá. A secretária também era muito bonita, mas olhou para ele com cara de nojo, assim que ele entrou no escritório.
            A conversa seria longa e Theobaldo fez mais de 30 perguntas e as respostas sempre eram “Não sei” ou “Não lembro”.
            - Eu não posso fazer nada por você, se você não me ajudar. Esse caso vai para julgamento e você vai pegar mais de 100 anos com essa história de “não sei” e “não lembro”. Para isso você nem precisava me contratar, serão os R$ 50.000,00 mais fáceis da minha vida.
            - Porra Theo, mas é verdade, eu juro! Você precisa descobrir o que aconteceu neste dia. Como eu posso ter saído para comprar as garrafas de Whyski sem dinheiro e nem cartão e mesmo assim, se eu tivesse ido, poderia até apagar depois de tomar todas, mas pelo menos de sair para comprar eu lembraria.
             - Ok Caio, tente dormir e amanhã cedo conversamos, vou te deixar em um hotel, qual você quer?
            - Não tenho dinheiro para pagar nenhuma diária, deixe-me dormir aqui no seu escritório, eu me viro.
            - De jeito nenhum. Vou pagar uma diária aqui no muquifo do centro para você, incluo nas despesas da defesa. Amanhã cedo eu te pego de volta.
            - Posso pelo menos pegar uma roupa limpa em casa?
            - Não, não pode, eu faço isso para você.
            - Podemos ao menos passar em uma farmácia, estou com uma dor de cabeça sem fim, preciso tomar algo.
            - Tem uma farmácia aqui na esquina, desce e compra um maldito remédio. Não, espera, eu mando comprar pra você, melhor não deixar você sozinho por aí.
            - Porra Theo, acha que eu vou fugir? – Disse Caio indignado.
            - Não, mas acho que alguém pode te achar e sua fama não é das melhores hoje. Vou mandar o boy ir buscar. Tem alguma marca preferida?
            - Não, pode ser qualquer um, desde que seja rápido.

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