Passado algum tempo, o Office Boy
aparece com uma moça linda, de vestidinho e jaleco branco, um crachá pendurado,
um saquinho de papel na mão.
Theo, olha assustado para os dois e o boy se defendendo já logo diz:
- Eu só pedi a dipirona, a
moça que perguntou o problema e eu disse que um cliente nosso estava com dor de
cabeça, ela perguntou se era forte e eu disse que achava que sim.
- Foi isso mesmo – Disse a
moça. – É que neste caso uma injeção de Dipirona pode ser melhor e com ação
mais rápida e com o mesmo efeito.
- Ok, se é assim, melhor
para ele – E Theo abriu a porta e a encaminhou até onde estava o abatido Caio.
Ele se assustou, mas ela explicou e ele levantou a manga da camiseta e sentiu a
agulha. Depois ela lhe entregou um envelope de dipirona em comprimido e disse
que ele poderia tomar um se quisesse. E ainda lhe deu um copo de água mineral.
Aquela farmácia deveria ser a melhor do bairro. Ela se despediu, voltou para a
sala de Theo e em seguida para a recepção. Todos eles ficaram tão encantados,
que nenhum deles se lembrou de perguntar do preço e o boy acabou ficando com os
R$ 10,00 que Theo tinha dado para ele buscar os comprimidos.
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Mais tarde eles foram para o
“hotel”, Caio se despediu de Theo e os dois combinaram que ele ia para o
escritório do advogado no dia seguinte pela manhã. Caio garantiu a Theo que ele
não precisaria se preocupar, que ele iria caminhando sozinho. Seu rosto não era
tão conhecido assim para ele se preocupar. Theo concordou.
Caio
só despertou depois que o Dono da espelunca que eles chamavam de Hotel quase
pôs a porta abaixo. Tinha demorado demais para dormir e agora não sabia o
quanto tinha dormido. Gritou um “Já vai” para a porta e procurou um relógio,
não encontrou, vestiu a cueca e foi abrir a porta. O Dono do hotel o fitava com
expressão de raiva e disse – Seu Advogado está te esperando, impaciente.
- Que horas são? – Caio
perguntou.
- Tarde – Respondeu o chato e foi descendo.
- Sou um advogado ocupado Caio,
e sua vida está em jogo, você acha que tudo isso aqui é brincadeira? Acha que
eu sou seu Pai para ficar te carregando pelas mãos por ai? Ah...
- Desculpe Theo, não consegui
dormir de jeito nenhum e por causa do cansaço, provavelmente apaguei.
- É apagou, sei. Vamos logo,
tenho que te levar à Delegacia, as evidências estão prontas e dessa vez não há
jeito, você vai ficar preso pelo menos por um tempo. Vou tentar um habeas
corpus para você ficar em liberdade até o dia do julgamento, mas duvido que
você vá conseguir, pelo menos garanti uma cela individual para você.
- Nossa, como eles foram
rápidos, não demorou nem um dia para terminarem os testes.
- Não foram tão rápidos assim,
poderiam ter ficado prontos ontem, mas pelo jeito só hoje de manhã que
conseguiram terminar e o sangue no seu corpo era de Marcela, o sangue no corpo
dela e por todo o apartamento é de vocês dois. A única coisa estranha e chata,
para você, é que o sêmen encontrado em Marcela era seu e de mais outra pessoa,
que vamos demorar um bocado para descobrir, principalmente se você não ajudar.
- Calma Theo, devagar por
favor, não estou conseguindo organizar os pensamentos. Primeiro, ontem você me
deixou naquela espelunca já no fim da tarde e disse que hoje os testes não
ficariam prontos e agora me diz poderiam ter ficado prontos ontem mesmo,
segundo...
Theo olha espantado para Caio,
pede silêncio e diz: - Caio, eu te levei
para o Hotel anteontem e ontem você me deu o cano e não apareceu no escritório
para conversarmos...
Caio dessa vez olhou assustado demais para seu advogado e disse : - Como é que
é? Eu não sai daquele quarto, sei que demorei para dormir, mas não dormi 24
horas, isso é impossível! O que está acontecendo, está todo mundo querendo
brincar comigo, por acaso isso é o show de Truman, onde estão as câmeras!?
- Caio, sua ex-noiva foi
encontrada morta na sua cama, o sangue dela estava pela sua casa toda, você
estava todo machucado, sua pele estava nas unhas dela... E você acha que isso é
brincadeira, que tal comprar um jornal, aquele mesmo para o qual você escreve e
ver a sua cara lá, estampada na primeira página.
Ele olhou de relance para
onde apontava o dedo do advogado e viu mesmo a foto dele saindo da delegacia e
escrito em letras garrafais na capa pendurada na banca “ ASSASSINO”.
- Tentar usar a amnésia
como desculpa para o dia do assassinato tudo bem, mas sem beber nada, como
justificar. Perguntei ao dono do hotel e ao Porteiro com quem ele reveza e você
não saiu do quarto e não pediu nenhuma bebida, além de uma garrafa de água logo
depois que eu fui embora anteontem.
- Nossa, por falar nisso
estou morrendo de sede e de fome... Disse Caio
- E está com um hálito insuportável... Completou o advogado
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