segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Enjoy the Silence - 7

Passado algum tempo, o Office Boy aparece com uma moça linda, de vestidinho e jaleco branco, um crachá pendurado, um saquinho de papel na mão.
Theo, olha assustado para os dois e o boy se defendendo já logo diz:
                - Eu só pedi a dipirona, a moça que perguntou o problema e eu disse que um cliente nosso estava com dor de cabeça, ela perguntou se era forte e eu disse que achava que sim.
              - Foi isso mesmo – Disse a moça. – É que neste caso uma injeção de Dipirona pode ser melhor e com ação mais rápida e com o mesmo efeito.
             - Ok, se é assim, melhor para ele – E Theo abriu a porta e a encaminhou até onde estava o abatido Caio. Ele se assustou, mas ela explicou e ele levantou a manga da camiseta e sentiu a agulha. Depois ela lhe entregou um envelope de dipirona em comprimido e disse que ele poderia tomar um se quisesse. E ainda lhe deu um copo de água mineral. Aquela farmácia deveria ser a melhor do bairro. Ela se despediu, voltou para a sala de Theo e em seguida para a recepção. Todos eles ficaram tão encantados, que nenhum deles se lembrou de perguntar do preço e o boy acabou ficando com os R$ 10,00 que Theo tinha dado para ele buscar os comprimidos. _____________________________________________________________________

Mais tarde eles foram para o “hotel”, Caio se despediu de Theo e os dois combinaram que ele ia para o escritório do advogado no dia seguinte pela manhã. Caio garantiu a Theo que ele não precisaria se preocupar, que ele iria caminhando sozinho. Seu rosto não era tão conhecido assim para ele se preocupar. Theo concordou.

                Caio só despertou depois que o Dono da espelunca que eles chamavam de Hotel quase pôs a porta abaixo. Tinha demorado demais para dormir e agora não sabia o quanto tinha dormido. Gritou um “Já vai” para a porta e procurou um relógio, não encontrou, vestiu a cueca e foi abrir a porta. O Dono do hotel o fitava com expressão de raiva e disse – Seu Advogado está te esperando, impaciente.
             - Que horas são? – Caio perguntou.
             - Tarde – Respondeu o chato e foi descendo.
            - Sou um advogado ocupado Caio, e sua vida está em jogo, você acha que tudo isso aqui é brincadeira? Acha que eu sou seu Pai para ficar te carregando pelas mãos por ai? Ah...
            - Desculpe Theo, não consegui dormir de jeito nenhum e por causa do cansaço, provavelmente apaguei.
            - É apagou, sei. Vamos logo, tenho que te levar à Delegacia, as evidências estão prontas e dessa vez não há jeito, você vai ficar preso pelo menos por um tempo. Vou tentar um habeas corpus para você ficar em liberdade até o dia do julgamento, mas duvido que você vá conseguir, pelo menos garanti uma cela individual para você.
            - Nossa, como eles foram rápidos, não demorou nem um dia para terminarem os testes.
           - Não foram tão rápidos assim, poderiam ter ficado prontos ontem, mas pelo jeito só hoje de manhã que conseguiram terminar e o sangue no seu corpo era de Marcela, o sangue no corpo dela e por todo o apartamento é de vocês dois. A única coisa estranha e chata, para você, é que o sêmen encontrado em Marcela era seu e de mais outra pessoa, que vamos demorar um bocado para descobrir, principalmente se você não ajudar.
          - Calma Theo, devagar por favor, não estou conseguindo organizar os pensamentos. Primeiro, ontem você me deixou naquela espelunca já no fim da tarde e disse que hoje os testes não ficariam prontos e agora me diz poderiam ter ficado prontos ontem mesmo, segundo...
        Theo olha espantado para Caio, pede silêncio e diz: -  Caio, eu te levei para o Hotel anteontem e ontem você me deu o cano e não apareceu no escritório para conversarmos...
Caio dessa vez olhou assustado demais para seu advogado e disse : - Como é que é? Eu não sai daquele quarto, sei que demorei para dormir, mas não dormi 24 horas, isso é impossível! O que está acontecendo, está todo mundo querendo brincar comigo, por acaso isso é o show de Truman, onde estão as câmeras!?
                - Caio, sua ex-noiva foi encontrada morta na sua cama, o sangue dela estava pela sua casa toda, você estava todo machucado, sua pele estava nas unhas dela... E você acha que isso é brincadeira, que tal comprar um jornal, aquele mesmo para o qual você escreve e ver a sua cara lá, estampada na primeira página.
                Ele olhou de relance para onde apontava o dedo do advogado e viu mesmo a foto dele saindo da delegacia e escrito em letras garrafais na capa pendurada na banca “ ASSASSINO”.
                - Tentar usar a amnésia como desculpa para o dia do assassinato tudo bem, mas sem beber nada, como justificar. Perguntei ao dono do hotel e ao Porteiro com quem ele reveza e você não saiu do quarto e não pediu nenhuma bebida, além de uma garrafa de água logo depois que eu fui embora anteontem.
                - Nossa, por falar nisso estou morrendo de sede e de fome... Disse Caio

                - E está com um hálito insuportável... Completou o advogado 

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