segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Era uma Vez

Eu admito. Tenho coisas a dizer.
Mas quero reviver isso sem dor.
Ela estava do outro lado da rua.
E há uma bomba que vai explodir. Dentro de mim.

Posso ter uma arma.
Sou jogador.
Era uma vez o tempo em que eu podia me controlar.
Na verdade eu só conseguia me perder.

Tento imitar tudo o que é estranho.
Sou insano.
Me pergunto: Onde vou parar?
Me sinto em Bombaim no verão, mas odeio o calor.

Tem uma moça sentada ao meu lado.
Minha mão está no bolso.
Eu rezo.
Pois houve um tempo em que eu podia me controlar.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Menopausa

A menopausa é um processo natural que marca uma transição significativa na vida de toda mulher. É o momento em que o ciclo menstrual se encerra, geralmente por volta dos 45 a 55 anos, e simboliza o fim da fase reprodutiva. Mas muito além de um marco biológico, é uma etapa que carrega desafios e oportunidades de crescimento pessoal.

Essa fase costuma ser acompanhada por mudanças físicas, como ondas de calor, alterações no sono e até mesmo variações de humor. É comum ouvir relatos de mulheres que se sentem mais vulneráveis ou incompreendidas. No entanto, é importante lembrar que a menopausa não é uma doença, mas uma transição. O corpo, de forma sábia, está se adaptando a um novo equilíbrio hormonal, e compreender essas mudanças é o primeiro passo para viver esse período com mais leveza.

Emocionalmente, a menopausa também pode trazer reflexões profundas. Muitas mulheres se deparam com sentimentos de perda ou de dúvidas sobre sua identidade. Afinal, vivemos em uma sociedade que, por muito tempo, vinculou o valor da mulher à sua capacidade reprodutiva ou juventude. Mas é essencial redefinir esse olhar. A menopausa também é uma oportunidade para a redescoberta. É o momento de cuidar de si mesma, de se reconectar com seus sonhos e paixões, muitas vezes deixados de lado em meio às demandas da vida.

O suporte é fundamental nessa jornada. Compartilhar sentimentos com amigas, familiares ou até mesmo em grupos de apoio pode ser uma forma de encontrar acolhimento. Além disso, a terapia pode ajudar a trabalhar as emoções e a enxergar essa fase como um renascimento.

É também o momento de dar atenção ao corpo. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e, quando necessário, acompanhamento médico, podem fazer uma diferença enorme no bem-estar. Hoje, existem muitas alternativas para lidar com os sintomas físicos da menopausa, e buscar orientação especializada é um ato de autocuidado.

A menopausa, no fim das contas, é um lembrete de que cada fase da vida tem sua beleza e seus desafios. É um convite para acolher as transformações com amor próprio e curiosidade, permitindo-se ser a protagonista de uma nova história.

Lembre-se: a vida não perde a cor na menopausa; ela apenas muda os tons, revelando uma paleta rica e cheia de possibilidades.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Assexualidade

 Você já ouviu falar sobre assexualidade? É um tema que, embora esteja ganhando mais espaço, ainda é cercado por dúvidas e até preconceitos. Então, vamos descomplicar!

Ser assexual significa não sentir atração sexual por outras pessoas, mas isso não quer dizer que a pessoa não possa se apaixonar ou ter relacionamentos. A assexualidade é mais uma das várias formas de ser e estar no mundo, e cada pessoa vive isso de maneira única.

Por exemplo, algumas pessoas assexuais (ou aces, como gostam de ser chamadas) podem desejar um relacionamento romântico, enquanto outras preferem ficar sozinhas. Há quem goste de carinho, abraços e beijos, mas sem envolver o sexo. E tudo isso é completamente válido.

Muita gente acha que ser assexual é o mesmo que celibato, mas as coisas são bem diferentes. O celibato é uma escolha pessoal de não praticar sexo, enquanto a assexualidade é uma orientação sexual, parte de quem a pessoa é.

O mais importante é entender que a assexualidade não é algo a ser "corrigido" ou "tratado". Cada um tem sua forma de se relacionar e se sentir confortável no mundo. E sabe o que faz diferença? Respeitar as escolhas de cada um, sem julgamentos.

No fim das contas, o que realmente importa é cada pessoa encontrar uma forma de viver que faça sentido para ela. Com ou sem sexo, o essencial é se sentir bem consigo mesmo e com os outros!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Enjoy the Silence - 8

        Na porta delegacia uma pequena multidão se acotovelava, máquinas fotográficas, telefones, tablets, filmadoras e curiosos de todos os tipos estavam lá para ver a chegada do assassino, que estuprara a ex-noiva ao descobrir que ela estava saindo com outro, depois dela ter tentado se defender e o afastar dela sem sucesso. Depois do estupro, ainda com sangue frio, ou muito quente, ele a arremessara para a janela, quebrando as persianas e depois a jogara na parede. Ainda havia dado bons murros no rosto dela e a sufocado, ainda não se sabe com o que, mas haviam marcas no pescoço dela, que estava quase quebrado e a causa da morte foi atribuída à asfixia. Depois de tudo isso o cara de pau ainda teve coragem de dormir tranquilamente com ela ao lado, provavelmente esperando amanhecer para sumir com o corpo, se não fossem as denúncias de vizinhos que chamaram a polícia pela manhã após acharem estranho o silêncio depois de tanta briga e barulho durante a noite.

Todas essas afirmações o bombardeavam com a mesma pergunta: - Como eles podem saber tanto sobre uma coisa que nem eu mesmo sei?

Dentro da delegacia a conversa foi rápida e ele foi direto para sua nova cela. Menor do que a primeira, mas isolada das demais e ele agradeceu a Deus e a seus pais por ter concluído a faculdade de jornalismo, que dava direitos especiais para os presos na categoria dele.
           
            A
penas proforma o Delegado perguntou a ele o que aconteceu naquela noite e ele não soube responder, o que para ele era verdade, mas para o delegado uma mentira que não o ajudaria em nada.

 Theobaldo se despediu e disse que iniciaria o trabalho de defesa perguntando ao vigia do prédio sobre o dia da fatalidade e a polícia, por sua vez, iria investigar de quem poderia ser o sêmen encontrado no corpo de Marcela, além do dele.

Foi exatamente isso o que Theobaldo fez logo que saiu da delegacia, foi ao prédio em que Caio mora, ou morava e perguntou para o Porteiro se ele havia visto alguma coisa, ou escutado alguma coisa no dia 23, em qualquer horário, claro, que tenha vindo do apartamento de Caio, ou se ele ao menos tinha visto Marcela.
                A resposta foi negativa para os dois casos, ele disse que Caio nem saiu, ou nem voltou para o seu apartamento naquele dia e que não via a Dona Marcela há uns 15 dias.
                Theobaldo achou estranho, mas pelo menos foi a única coisa positiva que ele tinha por enquanto. Agora ia esperar o anoitecer para conversar com Dan, que ficava lá de 19:00 às 07:00, apesar de ter ficado até por volta de 11 da manhã no dia em que Caio foi preso.

Com Dan a situação foi bem diferente. Ele disse que Caio chegou ao lado de Marcela na noite do dia 23, com um saco de Supermercado com garrafas dentro e que já parecia estar bem bêbado e que Marcela certamente também estava. Disse que eles subiram rápido. Depois disse que seu interfone tocou por volta de 2 da manhã, era um morador reclamando do barulho. Ele, então, teria interfonado para o apartamento de Caio e como este não atendeu, ele resolveu subir para tocar a campainha. Chegando lá, ele disse ter ouvido um baque e um grito, algo como “Cale a boca Cadela!” Depois ouviu Marcela soluçar, certamente estava chorando. Disse que tocou insistentemente a campainha, mas que não houve retorno e que então se fez o silêncio. Ele se arrepende de não ter chamado a polícia, mas pensou que tudo tinha ficado bem.

Alguma coisa naquela história incomodava Theobaldo, mas foi a mesma versão que Dan utilizou até o final, o seu final.

15 dias depois Dan foi encontrado morto em sua casa, que estava toda revirada. Um tiro na testa, que perfurou seu cérebro e encheu de massa encefálica a parede atrás dele.
                Era consenso que fora um acerto de contas, visto que ele estava acumulando dívidas sem conseguir pagar nenhuma e em nenhum momento esse fato foi relacionado à morte de Marcela, até quando, não se sabe...

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...