Na porta delegacia uma pequena multidão se acotovelava, máquinas fotográficas, telefones, tablets, filmadoras e curiosos de todos os tipos estavam lá para ver a chegada do assassino, que estuprara a ex-noiva ao descobrir que ela estava saindo com outro, depois dela ter tentado se defender e o afastar dela sem sucesso. Depois do estupro, ainda com sangue frio, ou muito quente, ele a arremessara para a janela, quebrando as persianas e depois a jogara na parede. Ainda havia dado bons murros no rosto dela e a sufocado, ainda não se sabe com o que, mas haviam marcas no pescoço dela, que estava quase quebrado e a causa da morte foi atribuída à asfixia. Depois de tudo isso o cara de pau ainda teve coragem de dormir tranquilamente com ela ao lado, provavelmente esperando amanhecer para sumir com o corpo, se não fossem as denúncias de vizinhos que chamaram a polícia pela manhã após acharem estranho o silêncio depois de tanta briga e barulho durante a noite.
Todas essas afirmações o
bombardeavam com a mesma pergunta: - Como eles podem saber tanto sobre uma
coisa que nem eu mesmo sei?
Dentro da delegacia a conversa
foi rápida e ele foi direto para sua nova cela. Menor do que a primeira, mas
isolada das demais e ele agradeceu a Deus e a seus pais por ter concluído a
faculdade de jornalismo, que dava direitos especiais para os presos na
categoria dele.
Apenas proforma o Delegado perguntou
a ele o que aconteceu naquela noite e ele não soube responder, o que para ele
era verdade, mas para o delegado uma mentira que não o ajudaria em nada.
Theobaldo se despediu e
disse que iniciaria o trabalho de defesa perguntando ao vigia do prédio sobre o
dia da fatalidade e a polícia, por sua vez, iria investigar de quem poderia ser
o sêmen encontrado no corpo de Marcela, além do dele.
Foi exatamente isso o que Theobaldo
fez logo que saiu da delegacia, foi ao prédio em que Caio mora, ou morava e
perguntou para o Porteiro se ele havia visto alguma coisa, ou escutado alguma
coisa no dia 23, em qualquer horário, claro, que tenha vindo do apartamento de Caio,
ou se ele ao menos tinha visto Marcela.
A resposta foi negativa
para os dois casos, ele disse que Caio nem saiu, ou nem voltou para o seu
apartamento naquele dia e que não via a Dona Marcela há uns 15 dias.
Theobaldo achou estranho,
mas pelo menos foi a única coisa positiva que ele tinha por enquanto. Agora ia
esperar o anoitecer para conversar com Dan, que ficava lá de 19:00 às 07:00,
apesar de ter ficado até por volta de 11 da manhã no dia em que Caio foi preso.
Com Dan a situação foi bem
diferente. Ele disse que Caio chegou ao lado de Marcela na noite do dia 23, com
um saco de Supermercado com garrafas dentro e que já parecia estar bem bêbado e
que Marcela certamente também estava. Disse que eles subiram rápido. Depois
disse que seu interfone tocou por volta de 2 da manhã, era um morador reclamando
do barulho. Ele, então, teria interfonado para o apartamento de Caio e como
este não atendeu, ele resolveu subir para tocar a campainha. Chegando lá, ele
disse ter ouvido um baque e um grito, algo como “Cale a boca Cadela!” Depois
ouviu Marcela soluçar, certamente estava chorando. Disse que tocou
insistentemente a campainha, mas que não houve retorno e que então se fez o
silêncio. Ele se arrepende de não ter chamado a polícia, mas pensou que tudo
tinha ficado bem.
Alguma coisa naquela história
incomodava Theobaldo, mas foi a mesma versão que Dan utilizou até o final, o
seu final.
15 dias depois Dan foi encontrado
morto em sua casa, que estava toda revirada. Um tiro na testa, que perfurou seu
cérebro e encheu de massa encefálica a parede atrás dele.
Era consenso que fora um
acerto de contas, visto que ele estava acumulando dívidas sem conseguir pagar
nenhuma e em nenhum momento esse fato foi relacionado à morte de Marcela, até
quando, não se sabe...
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