segunda-feira, 30 de junho de 2025

Por que os ignorantes duvidam dos especialistas?

Vivemos tempos curiosos. Em pleno século XXI, com acesso quase ilimitado à informação, cresce o número de pessoas que desacreditam daqueles que passaram anos estudando, pesquisando e se dedicando ao conhecimento. Surge, então, a pergunta que inquieta tantos profissionais sérios: por que os ignorantes duvidam dos especialistas?

A resposta não é simples, mas começa por um mecanismo muito humano: a necessidade de se sentir no controle. O conhecimento profundo, por vezes complexo, desafia a simplicidade confortável das certezas absolutas. E, para quem desconhece o caminho do estudo, admitir a própria ignorância pode ser um golpe duro para o ego.

A ignorância, aqui, não é um insulto, mas a constatação da ausência de conhecimento. O problema surge quando essa ignorância se torna ativa, arrogante e resistente ao aprendizado. Quando alguém acredita saber mais que médicos, cientistas, professores ou psicólogos, mesmo sem formação na área, estamos diante de um fenômeno conhecido na psicologia como efeito Dunning-Kruger. Em resumo: quem sabe pouco, não sabe o quanto não sabe, e por isso se sente seguro em suas opiniões superficiais.

Duvidar dos especialistas pode ser também uma forma de reafirmar uma identidade, um pertencimento a determinados grupos sociais ou ideológicos. É mais fácil rejeitar o conhecimento do que reconhecer que se está mal informado. Além disso, muitos têm dificuldade em lidar com a frustração que o saber impõe. A ciência, por exemplo, não oferece respostas prontas ou confortáveis, mas sim probabilidades, revisões e humildade diante do desconhecido. Para quem busca verdades absolutas, isso soa como fraqueza.

Do ponto de vista psicológico, rejeitar o conhecimento técnico pode ser uma defesa. Um mecanismo para não se sentir inferior ou impotente diante da autoridade simbólica que o especialista representa. É mais fácil desacreditar o outro do que lidar com a sensação de inadequação diante do saber alheio.

Mas há algo ainda mais delicado: a ignorância não é apenas ausência de saber, é, muitas vezes, fruto de desinformação. E a desinformação se espalha rápido, apelando para emoções, medos e certezas simplistas. Enquanto o conhecimento exige reflexão, a mentira exige apenas aceitação.

Por tudo isso, o papel dos especialistas não deve ser o de impor verdades, mas de manter a escuta aberta, o diálogo respeitoso e a paciência ativa. A ciência não precisa gritar. Precisa persistir. E nós, como sociedade, precisamos valorizar o conhecimento, porque é ele que sustenta qualquer esperança de avanço, saúde e equilíbrio.

Duvidar é saudável. Rejeitar por ignorância, não.

2012 - Ano 40

O que aconteceu de mais legal em 2012 foram as Olímpiadas de Londres. Não pude ver tudo, pois o trabalho ainda me consumia, mas algumas coisas que aconteciam na noite Londrina, eram possíveis de assistir, além dos fins de semana.

Também foi o ano em que fiz uma festa de aniversário, para completar meus 40 anos.

Consegui convidar meus melhores amigos, as meninas do trabalho, meus amigos do prédio e foi tudo muito legal, menos as fotos.

Fiz duas festas em dois dias separados, uma para a família e outra para toda a galera.

Foram muitas latas de cerveja, sorrisos e a lembrança de dias bons, que não voltam mais... 

Qual a importância da infância para a vida adulta?

A infância não é apenas uma fase da vida, é a fundação sobre a qual toda a estrutura emocional, social e afetiva de um indivíduo será construída. Os primeiros anos são como raízes: invisíveis aos olhos, mas absolutamente determinantes na força e na forma com que a árvore da vida crescerá. A qualidade do afeto recebido, os vínculos estabelecidos e as experiências vividas nesse período moldam nossa percepção de mundo, de nós mesmos e dos outros.

Uma criança que cresce cercada de amor, escuta e respeito aprende a confiar, se expressar e estabelecer limites. Por outro lado, experiências de negligência, violência ou invalidação emocional podem deixar marcas que se arrastam silenciosamente até a vida adulta, influenciando relacionamentos, autoestima e até a capacidade de tomar decisões.

É na infância que aprendemos o que é segurança, que desenvolvemos noções de valor pessoal e que internalizamos mensagens sobre merecimento, afeto e pertencimento. Por isso, muitas das dores que aparecem na fase adulta não são novas, mas ecos de algo não resolvido lá atrás. São feridas antigas que, muitas vezes, só vêm à tona quando se repetem em forma de padrões de comportamento, escolhas disfuncionais ou sofrimento emocional.

Do ponto de vista da psicologia humanista, cada pessoa traz em si a possibilidade de ressignificar sua história. A infância nos influencia, mas não nos condena. Quando acolhemos a criança que fomos e damos espaço para que ela seja ouvida, algo muito profundo começa a se transformar. A escuta empática, o autoconhecimento e o olhar compassivo para a própria trajetória são caminhos para curar o que ficou mal resolvido.

Entender a importância da infância não é buscar culpados, mas compreender o contexto. É reconhecer que todo adulto foi, um dia, uma criança tentando entender o mundo com os recursos que tinha. E que muitas vezes, repetir padrões é apenas uma forma inconsciente de continuar buscando aquilo que faltou.

A infância importa. E importa tanto que, mesmo décadas depois, ainda podemos encontrá-la dentro de nós. Cuidar dela é cuidar do adulto que somos e do ser humano que ainda podemos nos tornar.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Delírios de Capgras

 


O delírio de Capgras é uma condição psicológica rara e perturbadora. Nela, a pessoa acredita que alguém próximo, geralmente um familiar ou amigo íntimo, foi substituído por um impostor idêntico. Para quem sofre com essa condição, a ideia de que alguém importante em sua vida não é quem aparenta ser se torna uma crença fixa, causando angústia e desorientação.

Imagine a sensação de olhar para o rosto de sua mãe, de seu cônjuge ou de um amigo próximo e ter a convicção inabalável de que, embora a aparência seja a mesma, essa pessoa não é quem deveria ser. Essa é a realidade enfrentada diariamente por aqueles que têm o delírio de Capgras. A vida se torna um terreno de incertezas, e a sensação de segurança emocional desaparece.

As causas desse transtorno não são completamente compreendidas, mas acredita-se que o delírio de Capgras possa surgir devido a disfunções neurológicas e psicológicas, como danos no cérebro ou desequilíbrios químicos. Algumas teorias sugerem que ele pode ser desencadeado por traumas emocionais ou por certas condições neurológicas, como a demência ou a esquizofrenia.

A condição é um lembrete poderoso de como o cérebro humano é complexo. Acredita-se que, no delírio de Capgras, a parte do cérebro responsável pelo reconhecimento facial (o que nos faz reconhecer nossos entes queridos) e a parte que liga esse reconhecimento a uma resposta emocional estejam funcionando de forma desconectada. Isso faz com que o paciente reconheça o rosto da pessoa, mas não sinta a familiaridade emocional associada a ela, levando-o a concluir que a pessoa é, na verdade, um impostor.

O impacto emocional de quem vive com o delírio de Capgras é imenso, não apenas para o paciente, mas também para aqueles ao seu redor. As pessoas que amamos e nas quais confiamos de repente parecem estranhas e ameaçadoras. Isso cria uma barreira de isolamento e desconfiança que pode levar a sentimentos de solidão e medo constante.

Além disso, o estresse emocional de lidar com o comportamento do paciente, que pode ser hostil ou agressivo devido à sua convicção de estar rodeado por impostores, também é exaustivo para familiares e amigos. Para muitos, a experiência pode ser desmoralizante e desgastante.

Embora o delírio de Capgras possa parecer um beco sem saída, existem caminhos que podem ajudar. Para o tratamento, uma abordagem que tem sido cada vez mais adotada foca não apenas nos sintomas, mas também na experiência emocional da pessoa afetada. Esse caminho envolve oferecer um ambiente seguro, de compreensão e apoio.

Em vez de desafiar diretamente as crenças do paciente, o tratamento envolve construir uma conexão sólida baseada na confiança. Para isso, o terapeuta precisa desenvolver uma comunicação empática, sem julgamentos. O foco está em validar os sentimentos do paciente, reconhecendo o medo e a confusão que ele sente, sem reforçar o delírio. Assim, cria-se um espaço onde a pessoa se sente ouvida e respeitada, o que pode ser crucial para o seu bem-estar mental.

 

O tratamento também pode incluir técnicas que ajudem o paciente a conectar-se com suas próprias emoções de maneira mais profunda. Exercícios que estimulam a expressão de sentimentos, seja por meio da fala, escrita ou outras formas de arte, podem permitir que a pessoa explore suas percepções e emoções de uma forma segura.

Outro ponto importante é a inclusão da família no processo terapêutico. Ensinar familiares a lidarem de maneira mais compassiva e menos confrontadora pode fazer uma grande diferença no tratamento. Ao compreender melhor o que está por trás do comportamento do ente querido, é possível ajudar a criar um ambiente de suporte e aceitação.

O delírio de Capgras é uma condição complexa e desafiadora, que demanda uma abordagem que vá além de tratar os sintomas superficiais. Focar na empatia, na compreensão e na criação de um espaço seguro onde a pessoa se sinta acolhida é essencial. Embora o caminho do tratamento possa ser longo, é importante lembrar que, com apoio e estratégias certas, é possível melhorar a qualidade de vida de quem enfrenta essa difícil realidade.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Escuro

Lençóis intocados na cama vazia.
Estendidos como nunca foram, quando a cama não ficava vazia.
Minha vida se alimentava da vida dela,
Assim como o sol alimenta a Terra.

Agora, o ar antes tão puro se torna difícil de respirar.
Eu a ensinei tanto.
E ela me devolveu tudo.
Tudo que ela era.

Agora sinto as minhas mãos vazias.
Não há mais nada do que antes foi tudo.
Até as fotos se escondem no escuro.
Tudo ficou manchado.

Coisas simples me lembram de tudo que não aconteceu.
Até mesmo crianças sorrindo me fazem queimar por dentro.
Ter pensamentos distorcidos sobre o que eu perdi.
Minha mente gira, gira, até o próprio sol escurecer...

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...