A infância não é apenas uma fase da vida, é a fundação sobre a qual toda a estrutura emocional, social e afetiva de um indivíduo será construída. Os primeiros anos são como raízes: invisíveis aos olhos, mas absolutamente determinantes na força e na forma com que a árvore da vida crescerá. A qualidade do afeto recebido, os vínculos estabelecidos e as experiências vividas nesse período moldam nossa percepção de mundo, de nós mesmos e dos outros.
Uma criança que cresce cercada de amor, escuta e respeito aprende a confiar, se expressar e estabelecer limites. Por outro lado, experiências de negligência, violência ou invalidação emocional podem deixar marcas que se arrastam silenciosamente até a vida adulta, influenciando relacionamentos, autoestima e até a capacidade de tomar decisões.
É na infância que aprendemos o que é segurança, que desenvolvemos noções de valor pessoal e que internalizamos mensagens sobre merecimento, afeto e pertencimento. Por isso, muitas das dores que aparecem na fase adulta não são novas, mas ecos de algo não resolvido lá atrás. São feridas antigas que, muitas vezes, só vêm à tona quando se repetem em forma de padrões de comportamento, escolhas disfuncionais ou sofrimento emocional.
Do ponto de vista da psicologia humanista, cada pessoa traz em si a possibilidade de ressignificar sua história. A infância nos influencia, mas não nos condena. Quando acolhemos a criança que fomos e damos espaço para que ela seja ouvida, algo muito profundo começa a se transformar. A escuta empática, o autoconhecimento e o olhar compassivo para a própria trajetória são caminhos para curar o que ficou mal resolvido.
Entender a importância da infância não é buscar culpados, mas compreender o contexto. É reconhecer que todo adulto foi, um dia, uma criança tentando entender o mundo com os recursos que tinha. E que muitas vezes, repetir padrões é apenas uma forma inconsciente de continuar buscando aquilo que faltou.
A infância importa. E importa tanto que, mesmo décadas depois, ainda podemos encontrá-la dentro de nós. Cuidar dela é cuidar do adulto que somos e do ser humano que ainda podemos nos tornar.
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