segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Profundo

Recostado, no parapeito,
Ele pensa em quem o criou, pensa no próprio destino.
Para quem passa na rua, ele não é ninguém,
Mas dali de cima enxerga tudo.

E empurra a agulha cada vez mais fundo.
Não se encontra,
E nem encontra o fundo.
Já está profundo, mas mesmo assim não alcança o fundo.

Na periferia de uma cidade desconhecida,
Ele se sente superior, enquanto os velhos passam abaixo dos seus olhos.
Mas aos olhos do céu, ele também não é nada.
Porém a vista ao menos o consola por um instante

E ele enfia uma faca em brasa ainda mais fundo.
Enxerga o sangue saindo do seu braço.
Mas não encontra o fundo,
Já está profundo, mas mesmo assim não alcança o fundo.


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