Tudo começou em Agosto de 1995, quando fui arrastado para a Av. Sumaré para o primeiro CarnaSampa da história.
Logo eu, um ex-cabeludo, roqueiro e crítico ferrenho de meu melhor amigo, que já naquela época ia atrás de todos os trios que apareciam no Brasil. Eu dizia que ele era doente, para não utilizar os termos piores que não precisam ser publicados, mas costumava brincar falando que se passasse o caminhão da Ultragaz tocando aquela musiquinha insuportável ele saia atrás feito um bobo pulando.
Pois bem, como ele já era conhecido no meio, virou membro da organização do evento e me deu de presente a “mortalha” do Bloco Nana Banana do Chiclete com Banana.
Reclamei, relutei, mas como era caro e ele ficou chateado, resolvi aceitar.
No sábado saímos da casa dele, com uma camiseta branca e laranja, um shorts laranja ( que hoje não usaria nem se ele pedisse “Pelo Amor de Deus” ), bonezinho e “Mamãe Sacode” na mão. Logo que chegamos no início da Sumaré, compramos as duas primeiras latinhas de cerveja e comecei a olhar o “movimento”. Confesso que o clima foi sedutor e comecei a achar que a ideia poderia não ser assim, tão ruim. Cerveja vai, cerveja vem e repentinamente um cara esquisito com um paninho na cabeça apareceu em cima de um palco móvel e começou a cantar músicas que eu nunca havia escutado, enquanto isso mais latinhas vieram e foram Eu no auge dos meus 22 anos me animei com as menininhas e já nem escutava mais música nenhuma e nem lembrava do meu amigo, talvez nem lembrasse de mim mesmo...
A última lembrança, ainda meio que vaga, foi de ter pego metrô para voltar para casa, mas não me lembro em que estação fui parar, nem tampouco a hora, mas sei que conseguir abrir a porta de casa e que já era tarde, bem tarde, pois todos estavam dormindo.
Minha próxima recordação é o telefone do meu quarto tocando e eu atendendo sonolento. Do outro lado da linha, meu amigo me fazendo uma pergunta estranha – “Com que Mortalha você está ?” . Eu olhei para o chão do quarto e nada vi. Disse a ele que ligaria em seguida. Levantei, cambaleando coloquei uma roupa e saí do quarto para ir procurar a roupa do dia anterior. Para meu total espanto, pendurada no varal estava uma camiseta Azul, que eu sabia ser do outro bloco do evento, o "Tô dentro", da mais desconhecida ainda, pra mim, banda Asa de Águia. Perguntei para a minha avó o porque de ela ter lavado a camiseta, pois no domingo teria que sair com ela de novo e voltei para o quarto “coçando a cabeça”, pensando como poderia ter voltado com uma mortalha diferente daquela que usei no sábado.
Enfim, retornei a ligação ao meu amigo e ele também estava com a mortalha trocada e assim como eu, não tinha ideia do que tinha acontecido. Foi meu primeiro dia, de muitos e desde este primeiro dia, aprendemos que vamos para o bloco juntos, mas sempre voltamos separados...
O Domingo, do Asa, foi outra história, para outro dia, mas foi o começo de uma nova paixão...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
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