Hoje logo que acordei pensei positivamente, como sempre faço. Decidi que a semana seria boa, produtiva e repleta de sucessos.
Enquanto caminhava tranquilamente na minha esteira, comecei a pensar sobre isso, sobre o nome que eu poderia dar a esse meu "desejo" de uma semana sem problemas e achei que o melhor encaixe seria chamar de esperança. Sim esperança.
E o que significa esperança ?
Me veio, novamente, a fábula que aprendi com o Amigo-Mestre Elias, sobre a Vaquinha e o Precipício, a qual reproduzo abaixo:
"Era uma vez, numa terra distante, um sábio chinês e seu discípulo. Certo dia, em suas andanças, avistaram ao longe um casebre. Ao se aproximar, notaram que, a despeito da extrema pobreza do lugar, a casinha era habitada. Naquela área desolada, sem plantações e sem árvores, viviam um homem, uma mulher, seus três filhos pequenos e uma vaquinha magra e cansada. Com fome e sede, o sábio e o discípulo pediram abrigo por algumas horas.
Foram bem recebidos. A certa altura, enquanto se alimentava, o sábio perguntou: - Este é um lugar muito pobre, longe de tudo. Como vocês sobrevivem?
Expectativa otimista da realização daquilo que se almeja!
Meus problemas com a esperança, então, começaram logo que eu percebi que ela é uma expectativa, pois eu sou absolutamente contra a criação de expectativas.
Acho que a expectativa estraga o prazer da surpresa e cria uma frustração enorme quando o que esperamos não dá certo.
Então resolvi nomear a "minha esperança", como sendo uma forma de lutar por aquilo que eu desejo.
Mas... Me deparei com um pensamento novo, diferente, diria até esquisito.
E imediatamente o chamei de "O outro Lado da Esperança".
Este outro lado, é mais sombrio, mais funesto, é um lado escondido, que talvez sempre tenhamos tentado enganar.
Sei que a esperança já trouxe para muitos felicidade, realizações, sucesso, porque depois de aguardar, torcer, rezar, e até mesmo agir, o que se esperava aconteceu, mas como dizem, a esperança é a última que morre... E se ela morrer tarde demais?
Será que já paramos para pensar no tempo que perdemos por esperar uma coisa que jamais aconteceu? No tempo que perdemos até que o que esperávamos aconteceu e que mesmo, então, tendo sido realizado o desejo, quantas coisas deixamos passar? Será que aquilo que conquistamos tem mais valor do que aquilo que nunca saberemos que perdemos?
Será que vale à pena se segurar com todas as forças na esperança de que algumas coisas, pessoas, ou situações vão mudar, ou será que vale mais à pena correr o risco e abandonar a esperança em busca de algo novo, algo que talvez não venha a dar certo, mas que com certeza não dará se você ao menos não tentar.
Me veio, novamente, a fábula que aprendi com o Amigo-Mestre Elias, sobre a Vaquinha e o Precipício, a qual reproduzo abaixo:
"Era uma vez, numa terra distante, um sábio chinês e seu discípulo. Certo dia, em suas andanças, avistaram ao longe um casebre. Ao se aproximar, notaram que, a despeito da extrema pobreza do lugar, a casinha era habitada. Naquela área desolada, sem plantações e sem árvores, viviam um homem, uma mulher, seus três filhos pequenos e uma vaquinha magra e cansada. Com fome e sede, o sábio e o discípulo pediram abrigo por algumas horas.
Foram bem recebidos. A certa altura, enquanto se alimentava, o sábio perguntou: - Este é um lugar muito pobre, longe de tudo. Como vocês sobrevivem?
- O senhor vê aquela vaca? Dela tiramos todo o nosso sustento”, disse o chefe da família. Ela nos dá leite, que bebemos e também transformamos em queijo e coalhada. Quando sobra, vamos à cidade e trocamos o leite e o queijo por outros alimentos. É assim que vivemos.
O sábio agradeceu a hospitalidade e partiu. Nem bem fez a primeira curva da estrada, disse ao discípulo:
- Volte lá, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali em frente e atire-a lá pra baixo. O discípulo não acreditou.
- Não posso fazer isso, mestre! Como pode ser tão ingrato? A vaquinha é tudo o que eles têm. Se eu jogá-la no precipício, eles não terão como sobreviver. Sem a vaca, eles morrem! O sábio, como convém aos sábios chineses, apenas respirou fundo e repetiu a ordem:
- Vá lá e empurre a vaca no precipício.
Indignado, porém, resignado, o discípulo voltou ao casebre e, sorrateiramente, conduziu o animal até a beira do abismo e o empurrou.
A vaca, previsivelmente, estatelou-se lá embaixo.
Alguns anos se passaram e durante esse tempo o remorso nunca abandonou o discípulo. Num certo dia de primavera, moído pela culpa, abandonou o sábio e decidiu voltar àquele lugar. Queria ver o que tinha acontecido com a família, ajudá-la, pedir desculpas, reparar seu erro de alguma maneira.
Ao fazer a curva da estrada, não acreditou no que seus olhos viram. No lugar do casebre desmazelado havia um sítio maravilhoso, com muitas árvores, piscina, carro na garagem, antena parabólica. Perto da churrasqueira, estavam três adolescentes robustos. O coração do discípulo gelou. O que teria acontecido com a família? Decerto, vencidos pela fome, foram obrigados a vender o terreno e ir embora.
Nesse momento, pensou o aprendiz, devem estar mendigando em alguma cidade. Aproximou-se, então, do caseiro e perguntou se ele sabia o paradeiro da família que havia morado lá havia alguns anos.
Ao fazer a curva da estrada, não acreditou no que seus olhos viram. No lugar do casebre desmazelado havia um sítio maravilhoso, com muitas árvores, piscina, carro na garagem, antena parabólica. Perto da churrasqueira, estavam três adolescentes robustos. O coração do discípulo gelou. O que teria acontecido com a família? Decerto, vencidos pela fome, foram obrigados a vender o terreno e ir embora.
Nesse momento, pensou o aprendiz, devem estar mendigando em alguma cidade. Aproximou-se, então, do caseiro e perguntou se ele sabia o paradeiro da família que havia morado lá havia alguns anos.
- Claro que sei. Você está olhando para ela. - Disse o caseiro, apontando as pessoas ao redor da churrasqueira.
Incrédulo, o discípulo afastou o portão, deu alguns passos e, chegando perto da piscina, reconheceu o mesmo homem de antes, só que mais forte e altivo, a mulher mais feliz, as crianças, que haviam se tornado adolescentes saudáveis. Espantado, dirigiu-se ao homem e disse:
- Mas o que aconteceu? Eu estive aqui com meu mestre uns anos atrás e este era um lugar miserável, não havia nada. O que o senhor fez para melhorar tanto de vida em tão pouco tempo? O homem olhou para o discípulo, sorriu e respondeu: - Nós tínhamos uma vaquinha, de onde tirávamos nosso sustento. Era tudo o que possuíamos. Mas, um dia, ela caiu no precipício e morreu. Para sobreviver, tivemos que fazer outras coisas, desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos. E foi assim, buscando novas soluções, que hoje estamos muito melhor que antes."
Se alguma coisa na sua vida, no seu relacionamento, no seu trabalho, ou outra situação qualquer, não está boa o suficiente, olhe para o Outro lado da Esperança e arrisque, por vezes pior do que está, não ficará e se der errado, pelo menos você terá a certeza de que tentou. Precisamos, sim, ter esperança, mas não precisamos esperar que ela morra sozinha, ela é nossa, temos o direito de matá-la a qualquer tempo.
Se alguma coisa na sua vida, no seu relacionamento, no seu trabalho, ou outra situação qualquer, não está boa o suficiente, olhe para o Outro lado da Esperança e arrisque, por vezes pior do que está, não ficará e se der errado, pelo menos você terá a certeza de que tentou. Precisamos, sim, ter esperança, mas não precisamos esperar que ela morra sozinha, ela é nossa, temos o direito de matá-la a qualquer tempo.
Photo by Tyssul Patel on Unsplash

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