Aqueles que podem estar em qualquer lugar, aqui inclusive,
lendo sob o meu ombro.
Aqueles que podem tudo ver, mas nunca são vistos.
Aqueles que para todo e qualquer efeito não existem, nunca
existiram e se vocês não acreditam neles, o problema é todo seu. O Problema é
meu. O problema sou eu.
Não os vejo, nem os escuto, nem tampouco os sinto, e não
acho que eles existam, mas estão aqui atrás de mim.
Mas a culpa é minha, toda minha, só minha e de ninguém mais.
Agora eu arrisco, agora eu acredito no que eu sabia, mas
tinha medo de acreditar e por isso não perguntava.
As vezes o medo da resposta nos tolhe a pergunta.
Mas agora eu sei, e sei que ninguém mais está comigo e não
há nada nos meus ombros, senão a queimadura do sol. Mas quem tirou meu protetor
solar então?
Sim, eles estão aqui, estão ai também, lendo junto com você,
serão os mesmos que escreveram comigo?
Ou são apenas seus, e eu tenho os meus, e os outros que não
vejo se sentam em cadeiras também invisíveis e assistem as pessoas ao meu redor
almoçarem, descansarem, se divertirem, ou são eles que se divertem com toda a
nossa confusão.
Quem são eles então. Ninguém ou todos, O escuro ou a luz, a
salvação ou a perdição, ou não são. Eu acredito, mas duvido, com todas as
minhas forças.
Se estão aqui, porque não me fazem parar? Apenas para rir,
ou porque não podem? Porque não podem me salvar? Porque não querem?
Ou querem apenas sofrer e chorar, como se assistissem um
drama barato Mexicano, ou porque apenas o meu desejo é que eles existam, mas
agora estão tomando o sol da tarde em uma Praia no Vanuatu.
Mas quem disse que eu quero alguém no meu ombro? Quero alguém do
meu lado, junto comigo, mas que eu veja, que eu sinta, que eu enxergue... E se
mesmo assim eles ainda estiverem comigo, vendo o meu olhar de felicidade, minha
reciprocidade, meu contentamento e
filmarem tudo em preto e branco para passarem aquele famoso filme que
passa em nossa retina pouco antes da nossa morte ?
Ah, como eu queria!!! O que eu queria ? Nem sei, porque sei
o que quero e tudo o que quero é aquilo me falta, mas o que me falta?
Como escreveu Renato Russo, “ Essa Saudade que eu sinto de
tudo que Eu ainda não vi”
E eles por acaso enxergam, têm olhos ? Sentem o olfato, têm
narizes ? São felizes como Eu ?
Mal sabem eles, que a felicidade não se vê, que ela pode
estar aqui, lendo sob os meus ombros e acariciando a minha orelha com um sussurro
inaudível, mas como a felicidade pode fazer o mesmo por eles, se eles são
invisíveis...
Photo by Lionel Gustave on Unsplash

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