quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A Mentira e a Vergonha



Mentir nunca é bom, nunca faz bem, principalmente para aquele que ouve a mentira e que fica ainda pior quando a mentira é descoberta.

Mas porque existe a mentira e em quais situações ela se aplica ?

Há que se analisar as situações e deixar a mente aberta, livre de julgamentos.

É necessário, também, que se entenda que não há defesa ou apoio para qualquer tipo de mentira, mas meu foco aqui é tratar do entendimento das pessoas e dos motivos que podem leva-las a cometer o erro da mentira.

Vou aqui, por simples questão de comodidade, utilizar sempre como forma de colocação os fatos no masculino, apesar de sabermos que a mentira não tem gênero, é comum à todos.

Existem as mentiras para as fugas, que são contadas por exemplo, no trabalho, quando o funcionário quer viajar, passar o dia na praia, sair com a namorada, ir para o futebol, ou qualquer outra coisa, e arruma um atestado, mata um parente, cria uma doença, enfim, coisas deste tipo para justificar a ausência. Essas mentiras são prejudiciais à empresa e aos colegas de trabalho, mas tirando a carga e o excesso, normalmente o mais prejudicado é mesmo o mentiroso, que quando descoberto, pode até ser demitido por justa causa. Além disso, a ausência por vezes mostra à empresa que o funcionário pode não ser tão importante assim.

Existem as mentiras para namorar, normalmente contadas aos pais, que pensam que as filhas, estão na casa das amigas, fazendo um trabalho de escola, no museu, ou até mesmo em uma viagem com as colegas de serviço, mas na verdade estão nos muros das escolas, no cinema, ou na praia mesmo, mas apenas com os namorados. Essas mentiras são prejudiciais apenas a quem conta, mas causam desconfiança, tristeza e um certo ar de impotência nos pais, que percebem que estão perdendo o controle dos filhos.

Existem as mentiras para a traição, contadas pelo Marido para enganar  sua parceira. Inventam reuniões de trabalho, visita a parentes, plantões, um drink com os amigos, para fugir com a amante, um casinho sem importância, ou apenas para se vingar de uma raiva que a parceira o fez passar e se divertir, mesmo sabendo do risco que isso envolve. Nesses casos se houver arrependimento e culpa, os dois podem sofrer, caso contrário, apenas a traída vai sofrer e isso pode afetar a vida dela de forma a deixar feridas tão grandes que jamais sumirão completamente.

Existem as mentiras pelo benefício, aquelas que são contadas para obter vantagens, extrair o que é possível da namorada, esposa, amiga, durante um tempo determinado, para manter uma fonte de benefícios aberta. É a mentira da ilusão, criada por aquele que a conta, para aquela que acredita, e que continua mantendo a proximidade, porque quer acreditar. Esse tipo de mentira normalmente traz arrependimento para quem aplica, mas nem sempre, pois não é inocente. Para quem recebe, fica a lição, mas rapidamente tudo se recupera e quando o iludido quer continuar sendo enganado, acontece de novo.

Existem as mentiras bobas, aquelas que são contadas apenas para dar segurança a quem fala e não causar desconforto em quem ouve. Normalmente são situações em que quem conta sente medo de falar a verdade, pois acha que quem vai ouvir não vai acreditar no que aconteceu, ou seja, falta de confiança. 

São omissões disfarçadas de mentiras e se não são descobertas, acabam por não trazer mal nenhum. Podemos ter um namorado que realmente vai para um Happy-Hour e só, mas que não conta para a namorada ciumenta demais, ou a mulher que efetivamente vai para o Shopping, mas não conta para o marido que acha que ela gasta demais.

Existem as chamadas "Mentiras de Pescador", quando o camarada inventa algo muito bom que ele gostaria de ter feito, mas não fez, usando as inverdades para tentar impressionar meninas, possíveis chefes, se igualar à amigos melhores sucedidos e coisas assim.

E por fim, existem as mentiras da vergonha. Essas são as mais difíceis, pois são contadas não tanto para os outros, mas para  a própria pessoa que as conta. Essas são aquelas em que as pessoas mentem, por saberem que o que fizeram não trouxe benefício para ninguém, mas fundamentalmente, trouxe prejuízo para elas mesmas. Causam vergonha pela atitude, tristeza pelo resultado e a certeza de que não poderia ter acontecido, mas, acredite, essa mentira é aquela que sempre vai acontecer de novo... Sim, vai acontecer de novo...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Reconstrução



Reconstruir é diferente de recomeçar.

Reconstruir e derrubar de vez aquilo que está velho, acabado, feio, sujo, em desuso e no mesmo lugar reerguer outra obra, outra construção, mas com o mesmo objetivo, o mesmo intuito, talvez com mais arrojo, modernidade, mas dentro das mesmas expectativas da obra anterior.

Reconstruir está mais para reformar, mas é mais do que isso, pois quando reconstruímos alguma coisa, começamos quase do zero, um novo ponto de partida, mas com o mesmo objetivo final.

Isso é o que pra mim diferencia recomeços de reconstruções. Quando alguém tenta recomeçar alguma coisa, normalmente busca finais diferentes, mas quando reconstruímos, queremos de volta a beleza, o glamour, tudo aquilo que já nos pertenceu um dia, mas que minguou com o passar do tempo.

O importante quando tratamos de reconstrução, é saber o que levou uma pessoa, um objeto, uma construção, a tal ponto de deterioração, para que seja preciso cair de uma vez e levantar de novo, desde o alicerce principal, do molde, de um quase nascimento, depois de muito ter vivido.

Quando um prédio desaba, muitas causas e muitos vilões podem surgir. O material de baixa qualidade, o projeto errado do arquiteto ou do engenheiro, o trabalho mal feito dos funcionários, ou uma grande combinação de todos estes fatores. Quando um objeto se quebra, muitas vezes a única solução é colocar uma cola resistente para manter a aparência, mas a estrutura ficará danificada para sempre e muitas vezes ele não poderá ser reconstruído, nem consertado.

Mas quando o que parece desabar é a nossa vida, não podemos focar em encontrar situações ou pessoas culpadas. Temos que tomar a frente da nossa obra interna e tocar adiante a reconstrução, esquecendo do material fraco que utilizamos no passado, das peças de má qualidade que usamos para nos dar segurança e nem procurar os arquitetos e engenheiros que fizeram dela um emaranhado que de tão confuso pode ter causado dor e sofrimento, quando na verdade o que passava pelos nossos olhos eram apenas alegria e felicidade.

Temos que reconstruir sob o chão forte das nossas crenças e com a coragem de subir o mais alto possível. Pois voar, ainda não faz parte dos poderes do homem, mas se reinventar para chegar ao topo de uma vida de conquistas, felicidade e sucesso, ainda depende de nós mesmos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Recomeço


"Para todo fim, existe um recomeço".
Será ?

Um novo começo, esta é a definição da palavra recomeço no dicionário, mas na verdade, novo começo é o oposto de recomeçar. Sim, estou brigando com a gramática.
Qualquer coisa que tentamos recomeçar, na verdade tem um único objetivo, obter  um novo final.

Mas eu não acredito muito em recomeços, acho que a vida é um pouco matemática, se você tentar somar 1+1 duzentas vezes, nas duzentas o resultado final será o mesmo.

Uma semana nunca recomeça, sempre se inicia uma nova, um regime nunca recomeça, sempre temos que começar um novo, senão acabamos recomeçando eternamente as coisas que nunca terminamos.

Muitas vezes erradamente confundimos um começo, com um recomeço, nos amarramos de forma tão pesada ao passado, que não percebemos que estamos dando início a coisas novas, achando que estamos, de novo, começando a mesma coisa e imaginado um novo final, enquanto na verdade temos certeza de que nada vai mudar.

Vivemos e aprendemos, com nossos acertos e com nossos erros e alguns erros tornam situações impossíveis de serem recomeçadas. Temos simplesmente que fechar os olhos, respirar e deixar pra trás.
Aceitar e não cometer o mesmo erro quando outra situação começar.

A vida não é um jogo de paciência, no qual você pode voltar algumas cartas para reposicioná-las de uma maneira diferente e assim vencer. A vida é imutável e cada gesto, atitude e ação, são irreversíveis. Não dá para desfazer e começar de novo.

Essa história de "Vamos esquecer o passado e recomeçar", não existe, o passado não se apaga, não se move, não se muda. E temos o estranho dom de lembrarmos muito mais daquilo que nos machuca, do que aquilo que nos fez bem.

Se alguma coisa chegou ao final, e o resultado não foi o que você queria, ou esperava, erga a cabeça, siga em frente e comece, não recomece. Procure coisas diferentes, experiências diferentes, momentos diferentes, pois só assim o resultado não será o mesmo.

Fuja daquilo que já aconteceu e não deu certo, escreva uma nova história, em páginas em branco, não tente rasurar o futuro para corrigir os erros do passado, a vida não tem uma borracha mágica que apaga suas palavras e atitudes. Aprenda a conviver, aceitar, assuma a responsabilidade e as rédeas dos seus dias.

Pegue o trem que vai te levar para o futuro, não adianta querer atravessar para o outro lado da linha férrea, pois pode ter certeza que lá nunca mais passará nenhum trem.

sábado, 6 de setembro de 2014

Aprender a Perder


Talvez a maior dificuldade da maioria das pessoas seja entender o encerramento de um ciclo, o final de uma vida, a perda de um objeto, o fechamento de um livro cuja última página foi lida ou escrita.

A dor de uma perda, o inconformismo com o final de um relacionamento, a dispensa no trabalho, o encerramento da empresa, o desfecho de um sonho.

Tudo acaba, todos acabam, nós acabaremos.

O Moderno fica obsoleto, a moda vira cafona, os cabelos ficam brancos, envelhecemos.

Junte-se a isso a maluca obsessão e a dor intangível da perda daquilo que nunca tivemos.

Sim, por mais estranho que pareça, muitas pessoas não conseguem aceitar que para perder alguma coisa, antes aquilo precisava ter lhe pertencido.

E qual é a único sentimento capaz de fazer com que o ser humano se encontre em tamanha incoerência?

Apenas a expectativa, que traz consigo a culpa.

A culpa por não ter alcançado um objetivo proposto por si mesmo, a culpa por não ter tido coragem de falar alguma coisa para alguém, a culpa, até divina, por ter sido preterido por outra pessoa.

E aí tudo o que ficaria bom, continuou ruim, porque aquilo que seria, nunca foi.

E então a vida se transforma em um filme, um desenho animado em que nós mesmos somos os personagens e enxergamos, de olhos fechados, tudo aquilo que nunca aconteceu e esquecemos que é impossível saber o que realmente aconteceria se um minuto da vida fosse diferente do que realmente foi.

O que precisamos é efetivamente aproveitar todos os nossos momentos com aquilo que possuímos, pois se continuarmos apenas sonhando com outras coisas, não teremos nunca tempo para usufruir o que temos ao nosso redor.

Claro, que precisamos planejar o futuro, plantar os sonhos no presente, mas não podemos apenas esperar a colheita. Precisamos paralelamente viver, pois o que estamos colhendo agora, foi o que plantamos no passado.

Um relacionamento cujo fim não é aceito, trava as portas para um possível relacionamento melhor que pode surgir no futuro. Se não aceitar o final, ficará preso na expectativa de consertar o que está irremediavelmente quebrado e viverá preso à ilusão de algo que na verdade nunca aconteceu. 

Se uma roupa não te serve mais hoje, lembre com alegria o quanto ela lhe serviu no passado, se seus cabelos hoje estão brancos, lembre que já tiveram outra cor há alguns anos, se sente saudade de alguém, lembre que saudade só temos de quem nos fez bem. Se um bom livro acaba, lembre-se que sempre haverá um novo e se você terminar, antes de dormir, mais uma página do dia da sua vida, lembre-se de agradecer e se prepare para poder acordar na manhã seguinte, pronto para escrever mais uma página que hoje está em branco.

Mas nunca se esqueça, jamais reclame por ter perdido alguma coisa se você jamais a teve, só se perde aquilo que um dia já foi seu e se não foi, você jamais perdeu!

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...