sábado, 11 de outubro de 2014

O Conteúdo e a Embalagem




Poucas decepções são maiores do que receber uma embalagem linda e ao abrir descobrir que o conteúdo é muito pior do que a impressão dada pela embalagem poderia supor.

Assim como a decepção por uma propaganda que te encanta e depois te frustra, em um exemplo simples, como os sanduíches lindos dos comerciais e fotos são quando você abre a caixinha da lanchonete.

Mas, infelizmente, a vida se tornou assim, o que se vende e se compra, em primeiro lugar é a embalagem, a publicidade, a propaganda e só depois que vem a realidade do conteúdo.

Claro, sem entrar no mérito da questão profissional, mas divagando apenas com os fatos, imagino que o marketing foi criado juntamente com a mentira.

E é claro que não quero aqui desvalorizar meus queridos amigos profissionais dessa área, de criação, de ideias fantásticas, que elevam o faturamento de empresas, que fazem crescer vendas, que apresentam para o mercado as novidades e sim sobre o lado ruim do marketing, que tenta esconder os defeitos de alguma coisa, para valorizar, ou até mesmo criar falsas qualidades.

E não são apenas as mercadorias ou serviços, hoje em dia se criam belas embalagens para qualquer porcaria de conteúdo, como por exemplo, na política do nosso país.Hoje os candidatos são marionetes de seus marqueteiros, não usam mais ideias e nem falas próprias, até porque se isso fizessem com honestidade não teriam nem seu próprio voto,  se reúnem para saber o que devem dizer e em que momento, ficando, às vezes, expostos a situações desconfortáveis, pois para atender o plano, respondem perguntas com temas completamente fora do que foi questionado, se contradizem, mudam de opinião e etc...

E os eleitores menos atentos, menos esclarecidos, mais influenciáveis, acabam votando nos marqueteiros de plantão e não nos candidatos em si.

Hoje em dia, até no futebol existe um tipo de marqueteiro, que é o empresário, que monta DVDs com as melhores jogadas de seus jogadores, esquecendo-se de colocar junto todos os erros e trapalhadas e sai entregando esse “material” para diversos clubes a fim de proporcionar um salário melhor para o atleta, mesmo que para isso ele vá parar na China ou na Ucrânia e, claro, aumentar o valor da sua própria comissão recebida em virtude da transferência.

E, claro, até na vida pessoal seguimos este mesmo caminho, com o chamado marketing pessoal.

Nesse caso é fundamental estar na academia, fazer exercícios diários, manter a beleza externa, ter um bom carro, mesmo que parcelado em 60 meses com uma parcela quase do tamanho do salário, usar roupas de grife, da moda, mas sem ter a mínima preocupação com os valores, a moral, a educação, o respeito, a gentileza, a bondade.

Ter cara de conteúdo, sem entender nada do que está sendo comentado, ler as manchetes das redes sociais e divagar sobre o conteúdo que nunca viu, falar de livros que nunca vai ler e de escritores sobre os quais nunca ouviu falar, entre outras tantas coisas.

Porém, na minha humilde opinião, o maior dos problemas, no entanto, não é o político corrupto, o empresário ou quem faz de tudo para ter a carinha e o corpo bonito e sim quem compra ela embalagem, que mesmo ouvindo lendo, comentando e tudo mais sobre a roubalheira que nos assola, sabendo das dificuldades que passa, do sofrimento que viveu em situações semelhantes, ainda repete os mesmos atos.

Como o presidente do Clube que já contratou e teve que dispensar atletas pagando salários e multa e que mesmo assim ainda acredita nos empresários que trazem “craques” para aparecer no time deles.

São as pessoas, que mesmo tendo sofrido, passado por dissabores, decepções, traições, entre tantas outras amarguras, ainda iniciam relacionamentos que começam com um simples olhar de desejo.

E assim caminhamos, elegendo corruptos que falam bem, comprando jogadores que em 100 jogos ruins acertam 2 bons e nos apaixonando por imagens que quando colocadas de frente ao espelho, refletem tudo, menos a inexistente beleza interior.

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