Assim como a decepção por uma propaganda que te encanta e depois te frustra, em um exemplo simples, como os sanduíches lindos dos comerciais e fotos são quando você abre a caixinha da lanchonete.
Mas, infelizmente, a vida se tornou assim, o que se vende e se compra, em primeiro lugar é a embalagem, a publicidade, a propaganda e só depois que vem a realidade do conteúdo.
Claro, sem entrar no mérito da questão profissional, mas
divagando apenas com os fatos, imagino que o marketing foi criado juntamente
com a mentira.
E é claro que não quero aqui desvalorizar meus queridos
amigos profissionais dessa área, de criação, de ideias fantásticas, que elevam
o faturamento de empresas, que fazem crescer vendas, que apresentam para o
mercado as novidades e sim sobre o lado ruim do marketing, que tenta esconder
os defeitos de alguma coisa, para valorizar, ou até mesmo criar falsas
qualidades.
E não são apenas as mercadorias ou serviços, hoje em dia se criam belas embalagens para qualquer porcaria de conteúdo, como por exemplo, na política do nosso país.Hoje os
candidatos são marionetes de seus marqueteiros, não usam mais ideias e nem
falas próprias, até porque se isso fizessem com honestidade não teriam nem seu próprio voto, se reúnem para saber o que devem dizer e em que momento,
ficando, às vezes, expostos a situações desconfortáveis, pois para atender o
plano, respondem perguntas com temas completamente fora do que foi questionado,
se contradizem, mudam de opinião e etc...
E os eleitores menos atentos, menos esclarecidos, mais influenciáveis, acabam
votando nos marqueteiros de plantão e não nos candidatos em si.
Hoje em dia, até no futebol existe um tipo de marqueteiro,
que é o empresário, que monta DVDs com as melhores jogadas de seus jogadores,
esquecendo-se de colocar junto todos os erros e trapalhadas e sai entregando
esse “material” para diversos clubes a fim de proporcionar um salário melhor
para o atleta, mesmo que para isso ele vá parar na China ou na Ucrânia e,
claro, aumentar o valor da sua própria comissão recebida em virtude da
transferência.
E, claro, até na vida pessoal seguimos este mesmo caminho,
com o chamado marketing pessoal.
Nesse caso é fundamental estar na academia, fazer exercícios
diários, manter a beleza externa, ter um bom carro, mesmo que parcelado em 60
meses com uma parcela quase do tamanho do salário, usar roupas de grife, da
moda, mas sem ter a mínima preocupação com os valores, a moral, a educação, o
respeito, a gentileza, a bondade.
Ter cara de conteúdo, sem entender nada do que está sendo comentado, ler as
manchetes das redes sociais e divagar sobre o conteúdo que nunca viu, falar
de livros que nunca vai ler e de escritores sobre os quais nunca ouviu
falar, entre outras tantas coisas.
Porém, na minha humilde opinião, o maior dos problemas, no
entanto, não é o político corrupto, o empresário ou quem faz de tudo para ter a carinha e o corpo bonito e sim quem compra ela embalagem, que mesmo ouvindo lendo,
comentando e tudo mais sobre a roubalheira que nos assola, sabendo das
dificuldades que passa, do sofrimento que viveu em situações semelhantes, ainda repete os mesmos atos.
Como o presidente do
Clube que já contratou e teve que dispensar atletas pagando salários e multa e
que mesmo assim ainda acredita nos empresários que trazem “craques” para
aparecer no time deles.
São as pessoas, que mesmo tendo sofrido, passado por
dissabores, decepções, traições, entre tantas outras amarguras, ainda iniciam
relacionamentos que começam com um simples olhar de desejo.
E assim caminhamos, elegendo corruptos que falam bem,
comprando jogadores que em 100 jogos ruins acertam 2 bons e nos apaixonando por
imagens que quando colocadas de frente ao espelho, refletem tudo, menos a inexistente
beleza interior.
Photo by Markus Spiske on Unsplash

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