A decepção é muito mais comum em nossas vidas do que
gostaríamos. E ela surge em diversos momentos, de diversas formas e em muitas situações. Seja no âmbito familiar, profissional, em relacionamentos afetivos, amizades e
etc.
A decepção é diferente da frustração. A frustração é gerada
por uma expectativa exagerada que não se realiza. A decepção acontece quando
algo que esperamos de outras pessoas, ou de nós mesmos e que normalmente são atitudes
comuns, simples, não acontecem.
Quando nossos filhos não tiram uma nota boa na escola, ou
nossos pais não reconhecem o nosso sucesso, nos decepcionamos, pois esperávamos
deles melhores ações e atitudes baseados no que consideraríamos normal.
Quando percebemos que no trabalho nosso esforço não é recompensado
da mesma forma que é feita a recompensa com pessoas que trabalham menos, ou
igual a nós, nos decepcionamos com as pessoas que são responsáveis pelas
promoções e pela avaliação do que fazemos.
Quando alguma pessoa que consideramos como amigo nos trai de
alguma maneira, seja um abandono, seja uma atitude inesperada, seja uma
situação que possa nos causar desconforto perante outras pessoas, nos causa
decepção. E a mesma coisa pode se aplicar aos relacionamentos afetivos.
Mas, na minha opinião, a verdadeira e mais profunda decepção
vem de nós mesmos.
Quando nós nos decepcionamos, quando deixamos de fazer o
que devíamos, ou agimos de forma diferente daquela que sabíamos ser certa.
Quando não cumprimos aquilo que planejamos para o dia, para o mês, para o ano.
Quando não saímos da cama para caminhar e cuidar da saúde e somos vencidos pela
preguiça, quando deixamos a gula tomar conta do corpo, quando deixamos de
estudar para fazer aquela prova tão importante.
Nada é mais decepcionante do que sentir-se fraco consigo
mesmo, porque dos outros, devemos esperar tudo, mas como cobrar algo de alguém,
quando nem nós mesmos conseguimos fazer aquilo que era necessário.
Não é decepção quando construímos nossos sonhos e esperanças
sobre os ombros de outras pessoas. O nome disso é inocência, ou até mesmo
autodefesa, para poder depois se segurar na auto piedade.
Mas é decepção quando
os nossos sonhos são destruídos por nós mesmos, quando deixamos de tentar fazer
alguma coisa boa, por medo de dar errado, quando perdemos a hora certa para
montar no cavalo branco.
Devemos, portanto, nos preparar e saber que todas as pessoas
são falíveis e todas podem nos desapontar, sempre, incluindo-se nessa lista nós
mesmos, que normalmente somos os verdadeiros destruidores de alguns dos momentos de nossas vidas.

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