terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Decepções



A decepção é muito mais comum em nossas vidas do que gostaríamos. E ela surge em diversos momentos, de diversas formas e em muitas situações. Seja no âmbito familiar, profissional, em relacionamentos afetivos, amizades e etc.

A decepção é diferente da frustração. A frustração é gerada por uma expectativa exagerada que não se realiza. A decepção acontece quando algo que esperamos de outras pessoas, ou de nós mesmos e que normalmente são atitudes comuns, simples, não acontecem.

Quando nossos filhos não tiram uma nota boa na escola, ou nossos pais não reconhecem o nosso sucesso, nos decepcionamos, pois esperávamos deles melhores ações e atitudes baseados no que consideraríamos normal.

Quando percebemos que no trabalho nosso esforço não é recompensado da mesma forma que é feita a recompensa com pessoas que trabalham menos, ou igual a nós, nos decepcionamos com as pessoas que são responsáveis pelas promoções e pela avaliação do que fazemos.

Quando alguma pessoa que consideramos como amigo nos trai de alguma maneira, seja um abandono, seja uma atitude inesperada, seja uma situação que possa nos causar desconforto perante outras pessoas, nos causa decepção. E a mesma coisa pode se aplicar aos relacionamentos afetivos.

Mas, na minha opinião, a verdadeira e mais profunda decepção vem de nós mesmos.

Quando nós nos decepcionamos, quando deixamos de fazer o que devíamos, ou agimos de forma diferente daquela que sabíamos ser certa. Quando não cumprimos aquilo que planejamos para o dia, para o mês, para o ano. Quando não saímos da cama para caminhar e cuidar da saúde e somos vencidos pela preguiça, quando deixamos a gula tomar conta do corpo, quando deixamos de estudar para fazer aquela prova tão importante.

Nada é mais decepcionante do que sentir-se fraco consigo mesmo, porque dos outros, devemos esperar tudo, mas como cobrar algo de alguém, quando nem nós mesmos conseguimos fazer aquilo que era necessário.

Não é decepção quando construímos nossos sonhos e esperanças sobre os ombros de outras pessoas. O nome disso é inocência, ou até mesmo autodefesa, para poder depois se segurar na auto piedade. 

Mas é decepção quando os nossos sonhos são destruídos por nós mesmos, quando deixamos de tentar fazer alguma coisa boa, por medo de dar errado, quando perdemos a hora certa para montar no cavalo branco.

Devemos, portanto, nos preparar e saber que todas as pessoas são falíveis e todas podem nos desapontar, sempre, incluindo-se nessa lista nós mesmos, que normalmente somos os verdadeiros destruidores de alguns dos momentos de nossas vidas.

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