segunda-feira, 25 de maio de 2015

Recordações


Antes de toda tecnologia atual, quando recebemos nossas contas por e-mail e já não acumulamos tanto papel, eu costumava guardar todas as minhas contas dentro de pastas e muitas dessas pastas acabavam cheias e guardadas onde eu nunca mais ia mexer.
Mas, as mudanças e a necessidade de espaço me levaram até esses pedaços do meu passado.

Essas pastas me trouxeram lembranças de muito tempo atrás, da adolescência, dos lugares, poderia jurar que até senti o cheiro de algumas coisas em conjunto com a visão, de olhos fechados, de tantos momentos.

Também trouxe saudades, de pessoas, de situações vividas, de coisas que foram feitas e o inevitável arrependimento, pelos mesmos motivos.

Pude perceber que existe sim uma máquina do tempo, mas que nos transporta sozinhos para tempos remotos, mesmo que fisicamente não saiamos do lugar.

A primeira pasta que eu abri, tinha os boletos de cartões de crédito. Uma parte estava organizada por data, todos arrumadinhos e fui olhar a última fatura deste monte. E para a minha surpresa me deparei com a primeira fatura do meu primeiro cartão. De 1993.

Foi uma delicia lembrar a sensação de ter recebido em casa o envelope com o cartão dentro, da primeira compra, quando a operadora de caixa tinha que consultar um livro, sim um livro jovens, para saber se o cartão era válido ou não. Nada de cupom eletrônico e nem maquininhas, era tudo manual, um boleto carbonado e uma máquina que “Ia e voltava” para que o número do cartão e o nome da pessoa ficassem gravados na cópia do estabelecimento.

Lembrei dos bons tempos da faculdade, das pessoas, das gargalhadas, das visitas aos manicômios, das meninas...

Mas no meio da bagunça, também estavam faturas que me fizeram lembrar momentos de irresponsabilidade, de compras desnecessárias, de contas não pagas na totalidade que geraram juros e quase viraram bolas de neve.

No final, as faturas, as boas lembranças e os arrependimentos acabaram juntos no triturador de papéis, afinal, ainda faltavam muitas pastas para abrir e quando me dei conta, no presente já haviam se passado quase duas horas.

A segunda pasta que abri foi a das contas de telefone. Nossa! Nessa encontrei ainda mais recordações!
A minha primeira conta de telefone, da TELESP. Como se fosse um “extrato de banco” dos antigos! 887-7205 eu nem me lembrava desse número depois de  mais de 20 anos.

Me lembrei da euforia quando cheguei em casa e no meu quarto estava o meu telefone. Eu não precisaria mais usar o “telefone de casa” para conversar com os amigos, ligar para a namorada e nem precisaria pensar no que falar porque alguém poderia escutar.

Como era boa aquela época. Depois vieram as primeiras contas da Embratel e me dei conta que o “FAZ um 21” já têm 20 anos! Dos tempos em que “morei” por 45 dias no Rio e a esposa ligava para o hotel toda noite.

Depois vieram as primeiras contas da Telefônica, da Telesp Celular, Vivo, até eu me dar conta que hoje pago telefone para NET, Oi e TIM.

Procurei, em vão, na mesma pasta as contas do Bipe, que eram o SMS de hoje, mas por comando de voz. Quantas mensagens eu recebia com erros de entendimento das atendentes, quantas vezes tive que voltar correndo para o trabalho, quantas recordações.

Em um piscar de olhos, percebi que já estava no fim da tarde e que tinha muitas contas para triturar. 

E lá se foram, contas e lembranças.

Mas uma coisa trituradora nenhuma pode cortar. As recordações, as histórias, as alegrias e as decepções. Nem com os dentes mais afiados é possível apagar o nosso passado...

2 comentários:


  1. Querido amigo Elso,
    E lendo tudo isso, também senti saudade daquele tempo... em que ficávamos lá no escritório do Sr. Dimas, conversando, rindo, achando graça de tudo.
    Saudade de ti, meu amigo.
    sempre.
    Roberta Eluf

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    Respostas
    1. Oi Robertinha!
      Verdade, menos responsabilidades, mais tempo e mais sossego!
      Obrigado pela visita!
      Beijo!

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