Talvez seja porque me preocupo demais com o futuro, mesmo sabendo que não vou
participar dele.
Mas mesmo sabendo da finitude, do tempo curto que temos para usufruir a vida que
ganhamos, sei que precisamos pensar no que acontecerá para frente, o que
acontecerá depois de nós, com as outras gerações.
Teremos como saber? Exatamente como será, não. Mas pelo menos
podemos ficar mais tranquilos em nossas consciências, se soubermos que partimos
deixando algo de bom, algum legado.
Mas um legado não só para os filhos, netos, parentes. Qual o
legado que a sociedade em si deixa diariamente para os mais jovens?
Será que temos dado para eles um futuro, ou estamos deixando
um rastro que vai levá-los a destruição pessoal e emocional?
Quando pensamos que crianças em diversos lugares do mundo usam
uniformes e armas para matar e correndo o risco de morrer, quando pensamos que o EI destrói templos
históricos e a própria história em nome de Deus e do ódio a tudo o que eles não
aceitam, quando no Brasil evangélicos e católicos pregam a verdade um contra o
outro gerando ódio, quando nas redes sociais todos podem falar o que querem e
contra todos, com ofensas e xingamentos pesados direcionados aos que pensam de
outra forma e ainda chamam isso de liberdade de expressão, fico com medo, com
muito medo do que chamamos de futuro.
Quando a sociedade se vê em guerra para a diminuição da
maioridade penal, quando o governo estadual fecha escolas, quando vemos
crianças mães de outras crianças, fico com medo, muito medo do futuro.
Quando vejo que mais jovens se preocupam com os “Pancadões”
do que chegar no horário para a prova do ENEM, quando vejo armas levantadas em
ostentação e cada vez menos diplomas, quando...quando... quando...
E olha que eu nem deveria me preocupar tanto, pois sei que já estou pra lá da metade do caminho...



