terça-feira, 6 de outubro de 2015

Bullying


Pessoas são diferentes e por isso cada uma reage de forma diferente, mesmo quando colocadas em situações similares.

Uns podem ter uma personalidade mais dura, talvez mais forte, enquanto outros podem ser mais frágeis emocionalmente, cada qual em razão de situações completamente diferentes.

O bullying não é algo novo, pelo contrário, existe desde sempre, mas hoje, ainda bem, evoluímos, apesar de pouco, e damos voz e apoio para quem sofre com situações desgastantes, embaraçosas e até mesmo agressões físicas.

No passado, quem passava por isso era obrigado a se calar, ou era ainda mais ridicularizado quando contava para alguém, era taxado de fraco, e na maioria das vezes, ignorava as lágrimas e lutava para ser forte, quando não havia mais força nenhuma. 

Quando eu era um menino, lá no Colégio Assunção, sempre tive muitos amigos e colegas. E sempre fui gordinho e branquinho, às vezes até rosado. Principalmente quando jogava bola, o que acontecia o tempo todo.

E, nesse período, tive vários apelidos: Gasparzinho, Porquinho, Rabicó e assim por diante. Eu nunca cheguei em casa chorando eternamente, nem triste, nem me considerava excluído, pelo contrário, achava que isso me dava possibilidade para ter mais amizades, apesar das brincadeiras.

Mas por dentro eu cresci meio amargo, querendo sempre provar alguma coisa para os outros e para mim mesmo, mas não de forma positiva, não para alcançar ou ter sucesso, mas para ser aceito em um lugar onde as pessoas eram diferentes de mim, pois eu fui bolsista, em um colégio nos Jardins. Usava calça com couro no joelho e só levava lanche, porque não tinha dinheiro para comer na lanchonete.

Só depois de entender, na terapia, o que aconteceu, é que me dei conta de como tive sorte por ter suportado relativamente bem tudo o que aconteceu e por ter chegado até aqui e não ter sido apenas mais uma vítima de brincadeiras idiotas feitas por pessoas que se sentiam superiores, seja pelo dinheiro, seja pela aparência, seja pela força.

Precisamos, sim, dar voz e atenção para quem sofre com o bullying, precisamos, sim, punir exemplarmente pessoas que ainda não aprenderam a conviver em sociedade e principalmente, precisamos divulgar que que passa por isso não está sozinho.

Ainda temos uma cultura nefasta de culpar as vítimas o que dificulta muito a exposição dos casos. 
Muitas vezes as crianças, ou jovens, preferem "deixar pra lá" e esperar para ver se as coisas melhoram, mas, mesmo que melhorem por fora, podem nunca mais serem corrigidas por dentro.

Não sinta vergonha, se se sinta fraco, ou desamparado, agressões físicas ou psicológicas precisam ser denunciadas!

Não se cale, fale!

Afinal, viver é tão bom e é algo único para que as pessoas percam o seu tempo excluindo-se dos bons momentos por serem levadas a acreditar que não deveriam estar lá.

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