Esse tema é complicado, pois envolve coisas demais, pessoas demais e sentimentos demais, mas eu acho que precisa ser escrito.
Primeiramente, vamos esquecer, deixar de lado, colocar em
outro patamar os hospitais particulares de alto custo, como, em São Paulo,
Einstein, Sírio Libanês entre outros, pois o atendimento e o público deles não
podem ser considerados para efeito de qualquer estudo, visto que uma minoria
bem restrita pode usufruir dos serviços prestados por eles.
Também não vou escrever sobre médicos em si, pois conheço
muitos e sei como são dedicados e como tem a vida corrida e cansativa.
Quando penso em atendimento hospitalar, me vem à cabeça os
hospitais, pronto socorros, atendentes, enfermeiros, técnicos em geral, médicos
e também pacientes.
Em uma estrutura ruim, sem capacidade física, sem limpeza,
lotada de pessoas doentes, nem tão doentes e até mesmo aquelas que preferem o
hospital a ficar em casa ou ir trabalhar(acreditem,
existem), sem medicação, sem curativos, com um número reduzido de
profissionais, é impossível que se tenha um atendimento de qualidade.
Em virtude dessa conjunção de coisas, temos cada vez mais
tragédias acontecendo nas unidades hospitalares de nosso país. Como em qualquer
profissão, a falta de equipamento adequado, a falta de tempo, o stress, a
pressão, o tumulto, o excesso de tarefas, acabam aumentando a chance de
qualquer profissional, desde o atendente até o médico, de cometerem erros.
Temos lido, há muito tempo, casos bizarros de pessoas que foram internadas com desidratação e
tiveram braço amputado, ou com cálculo renal e que tiveram pés e mãos amputados, entre outras tantas coisas, como equipamentos deixados dentro do paciente,
medicamentos aplicados via venosa indevidos e etc...
Eu mesmo, fiquei 12 horas no hospital, ocupando leito,
depois de uma cirurgia para retirada de cálculo renal, porque o médico que
deveria assinar minha alta estava de plantão e em cirurgia em outro local e das
08:00 às 20:00 perdi meu dia porque não havia outro para fazer ago tão simples. E o
médico teve que ir de São Paulo a Guarulhos, depois de um dia cansativo, apenas
para isso.
Sem contar, claro, o caso do meu pai, que foi fazer um exame
para descobrir um problema no estômago e não saiu do hospital com vida.
E isso, porque ainda faço parte de uma minoria que tem
convênio médico, não para ser atendido no Einstein ou Sírio, mas já estive várias vezes em hospitais públicos e imagino o
sofrimento de quem realmente precisa.
E toda vez que eu penso o quanto foi desviado para o bolso
desses políticos safados do nosso país, fico indignado pensando quantas vidas
eles levaram embora indiretamente. Pois só com o que a imprensa noticia, sabemos que os valores desviados para
eles, poderíamos ter centros hospitalares de qualidade, com equipamentos,
medicamentos e funcionários suficientes para atender quem realmente precisava.
Sim, precisava, pois muitos deles, infelizmente, não voltam mais...

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