segunda-feira, 5 de junho de 2017

A Decisão entre deixar viver ou morrer


Logo que comecei a escrever aqui no blog, publiquei um artigo sobre a eutanásia.

No Brasil ela ainda é proibida e é um assunto para o qual a maioria vira às costas.

Mas hoje quero escrever sobre algo ainda mais difícil do que decidir sobre viver ou tirar a própria vida. 
Ter que decidir entre deixar alguém viver preso a aparelhos e sem maiores expectativas de vida ou deixar esse alguém descansar.

Decidir sobre si mesmo por vezes já é algo difícil, agora decidir pelo outro é muito complicado, se pensarmos em decidir pela vida de outra pessoa, me parece ainda mais.

Há uma mistura imensa de coisas que ficam o tempo todo juntas confundindo nossos pensamentos e dificultando nossas ações. Fé, razão, crenças individuais, esperança, desconfiança, medo e até dinheiro se juntam quando alguém nos diz que é preciso pensar no assunto.

Mas, na minha opinião pessoal, o mais difícil é não poder entender, sentir, saber o que a pessoa que está lá, deitada, com sua vida nas mãos de outras pessoas está sentindo, ou até mesmo se sente alguma coisa. 
Não poder afirmar com certeza que a pessoa ouve ou compreende o que falamos, se ela sabe ou não que existem familiares ou amigos ao seu lado, ou se simplesmente não sente nem sabe nada. Se existe dor, sofrimento, angústia, ou se realmente não há nada disso. Isso, para mim, chega a ser frustrante.

Além de tudo, em alguns casos, é necessário que pessoas com pensamentos diferentes precisem chegar a um consenso. Imaginem 4 filhos com perspectivas diferentes tendo que decidir sobre a vida dos pais. 

Um mais espiritualizado, que prefere esperar para ter certeza que não haverá nenhum milagre, que quer poder rezar com veemência para ter a graça alcançada antes de desistir, um mais racional, que acredita não haver mais nada a ser feito e que prefere resolver com mais praticidade a situação, um mais desconfiado, aquele que acha que a situação não é tão grave, mas que requer tempo e dedicação, mas imagina que os médicos e o hospital não querem perder tempo e nem dinheiro com um paciente com poucas chances de melhora e um que fica se perguntando como vão arcar com aquela despesa se demorarem muito para decidir. Como é que se resolve isso sem briga ou discussão.

Enfim, eu tenho a minha opinião pessoal, que infelizmente não vale nada, mas gostaria de poder decidir a hora de partir se estiver em situação de coma considerado irreversível. Mas, como diz o ditado “Todo mundo quer ir por céu, mas ninguém quer morrer. ” Então sigamos em frente na esperança de não precisar passar por isso...

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