No Brasil ela ainda é proibida e é um assunto para o qual a
maioria vira às costas.
Mas hoje quero escrever sobre algo ainda mais difícil do que
decidir sobre viver ou tirar a própria vida.
Ter que decidir entre deixar
alguém viver preso a aparelhos e sem maiores expectativas de vida ou deixar esse alguém descansar.
Decidir sobre si mesmo por vezes já é algo difícil, agora
decidir pelo outro é muito complicado, se pensarmos em decidir pela vida de
outra pessoa, me parece ainda mais.
Há uma mistura imensa de coisas que ficam o tempo todo
juntas confundindo nossos pensamentos e dificultando nossas ações. Fé, razão,
crenças individuais, esperança, desconfiança, medo e até dinheiro se juntam
quando alguém nos diz que é preciso pensar no assunto.
Mas, na minha opinião pessoal, o mais difícil é não poder
entender, sentir, saber o que a pessoa que está lá, deitada, com sua vida nas
mãos de outras pessoas está sentindo, ou até mesmo se sente alguma coisa.
Não
poder afirmar com certeza que a pessoa ouve ou compreende o que falamos, se ela sabe
ou não que existem familiares ou amigos ao seu lado, ou se simplesmente não
sente nem sabe nada. Se existe dor, sofrimento, angústia, ou se realmente não
há nada disso. Isso, para mim, chega a ser frustrante.
Além de tudo, em alguns casos, é necessário que pessoas com
pensamentos diferentes precisem chegar a um consenso. Imaginem 4 filhos com
perspectivas diferentes tendo que decidir sobre a vida dos pais.
Um mais
espiritualizado, que prefere esperar para ter certeza que não haverá nenhum
milagre, que quer poder rezar com veemência para ter a graça alcançada antes de
desistir, um mais racional, que acredita não haver mais nada a ser feito e que
prefere resolver com mais praticidade a situação, um mais desconfiado, aquele
que acha que a situação não é tão grave, mas que requer tempo e dedicação, mas
imagina que os médicos e o hospital não querem perder tempo e nem dinheiro com
um paciente com poucas chances de melhora e um que fica se perguntando como vão
arcar com aquela despesa se demorarem muito para decidir. Como é que se resolve
isso sem briga ou discussão.
Enfim, eu tenho a minha opinião pessoal, que infelizmente não vale nada, mas gostaria de poder decidir a hora de partir se estiver em situação de coma considerado irreversível. Mas, como diz o ditado “Todo mundo quer ir por céu, mas ninguém quer morrer. ” Então sigamos em frente na esperança de não precisar passar por isso...

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