segunda-feira, 25 de março de 2019

Desabafar

Desabafar é muito bom. Diria até, fundamental. Colocar para fora coisas que ficam guardadas dentro do peito e que são mais pesadas do que as palavras podem parecer.

Desabafar com amigos, parentes ou até mesmo com estranhos dentro do ônibus, colegas de trabalho e afins, faz com que sintamos um alívio perceptível no corpo e na mente.

Mas precisamos ter cuidado. Nem todo mundo tem a capacidade de ouvir e calar, ou simplesmente aconselhar. Existem pessoas que usam o sofrimento alheio para espalhar fofocas, inventar histórias ou sentir dó de quem desabafa. E nenhuma dessas atitudes ajuda de fato.

Para falar com tranquilidade e dizer o que sentimos sem receio, é preciso confiança. Por isso, muitas vezes, é mais fácil conversar com um desconhecido na rua do que com alguém próximo.

E talvez essa seja a maior segurança que existe na terapia. A certeza de que o que for dito ali permanece entre o paciente, o terapeuta e as paredes do consultório ou a segurança da conversa on-line..

É claro que o trabalho terapêutico vai muito além do desabafo. Nele, existem caminhos, acolhimento, respostas possíveis para cada dor e sentimento. Mas, acima de tudo, existe alívio.

São inúmeros os casos em que o paciente sai da sessão e me diz que está se sentindo mais leve. Inclusive em primeiras consultas, aquelas de apresentação, nas quais ainda não há certeza de continuidade no processo.

A confiança no profissional permite que sentimentos engasgados saiam do peito e tragam a leveza tão esperada.

É preciso entender que angústias, frustrações, tristezas e dores emocionais causam uma carga muito mais complexa do que imaginamos. Não devemos guardar esses sentimentos dentro de nós a ponto de permitir que se transformem em doenças psicossomáticas.

O ideal é ter um profissional especializado para te escutar. Mas, se isso ainda não for possível, desabafe com quem você tenha afinidade e confiança. Coloque para fora tudo o que lhe faz mal. Chore, chore bastante. Se alivie. Recomece.

Nem tudo são rosas, mas nem por isso precisamos viver cercados de espinhos.

Ótima semana!

segunda-feira, 18 de março de 2019

A Vida é Muito Boa!

Algumas doenças não têm cura. Outras até têm, mas precisam ser descobertas logo no início, para que exista uma possibilidade maior de recuperação.

Alguns acidentes são trágicos e, por vezes, ceifam a vida de inocentes por atitudes irresponsáveis de alguém.

Nem tudo é perfeito. Choramos pela perda de pessoas, animais de estimação, e até pela derrota do nosso time. Sofremos, às vezes achando que é por amor, sem saber que o amor verdadeiro nunca faz ninguém sofrer. Ficamos tristes com todas as notícias ruins que aparecem na rede, na TV, nos jornais.

Mas nada disso pode ter o poder de nos fazer questionar a nossa existência. A vida é muito boa, e temos que agradecer, a cada abrir de olhos, a possibilidade de fazer um dia melhor, para nós e para quem cruzar nosso caminho.

Existem dias em que isso parece difícil, mas, mesmo assim, temos que tentar. Seja nos afastando das coisas ou pessoas que não nos fazem bem, seja tentando enxergar nas tarefas importantes, ainda que não prazerosas, a utilidade que terão no futuro.

Precisamos trabalhar. E quando não conseguimos fazer apenas aquilo que realmente nos faz bem e, consequentemente, também bem para quem contrata o nosso serviço, precisamos nos dedicar para justificar o que recebemos. Pois, certamente, haverá outra pessoa em nosso lugar, caso não sejamos gratos pela oportunidade.

Algumas pessoas acham que têm pouco e esquecem de procurar a felicidade com aquilo que já têm, tornando-se rabugentas ou ranzinzas enquanto buscam aquilo que, provavelmente, não vão conseguir. Não por incapacidade, mas por falta de merecimento.

Também encontramos no nosso caminho pessoas que querem que sejamos felizes, mas do jeito errado, se baseando em suas próprias vidas para tentar mudar a nossa, esperando que nos adaptemos à realidade delas. Quanto egoísmo! Deixemos cada um viver sua paz, sua tranquilidade, seu momento. E, se você acha que a vida do outro não é legal desse jeito, faça como ele: cuide da sua própria vida.

Quem depende dos outros para ser feliz nunca vai encontrar, de fato, a felicidade, pois não há outra casa para ela que não seja o coração do seu dono.

Haverá aqueles que vão usar de ironias ou indiretas para tentar te provocar, com o único intuito de mostrar que você deve fazer o que eles pedem ou querem. Não caia nessa. Faça a sua parte, do seu jeito e no seu tempo. Não perca sua saúde, seus cabelos, nem os momentos preciosos da sua vida.

Aproveite a dádiva da vida. Curta seu dia. Procure fazer planos de acordo com a sua realidade. Conquiste antes de gastar. Guarde para ter no futuro, mas viva o presente. Seja feliz ouvindo uma música enquanto está na sua casa. Saiba apreciar um domingo de descanso no seu lar. Não dependa exclusivamente do dinheiro para ser feliz.

A vida é muito boa. Se não fosse, não lutaríamos tanto para continuar vivos.

Feliz semana!

segunda-feira, 11 de março de 2019

Medo da Felicidade


O título do artigo dessa semana pode parecer estranho, mas é real.

Muita gente tem medo de ser feliz, tem medo de se arriscar, mas principalmente medo de não ter mais nada com que reclamar.

Algumas pessoas são desmotivadas desde a infância, fazendo com que se sintam incapazes, fracas, fracassadas por natureza. E esse sentimento fica incrustado na personalidade de uma forma que incapacita o sujeito de acreditar na possibilidade de mudança, na chance de ser feliz.

Pessoas assim pensam que qualquer sinal de sucesso, felicidade, conquista ou uma coisa trivial que seja considerada “boa”, são prenúncios de notícias ruins ou tragédias, pois não se sentem merecedoras das coisas boas que a vida pode oferecer.

Os indivíduos nessa situação não sabem como reagir quando alguma coisa positiva acontece. Tem enorme dificuldade em agradecer, em elogiar, em aceitar o sucesso.

Como exemplo, podemos usar uma oportunidade de trabalho para alguém que sempre reclama da dificuldade em conseguir emprego. A pessoa vai para a entrevista já com a certeza de que não vai passar no teste, ou qualquer coisa neste sentido. Volta para casa reclamando do trânsito, da entrevista, das características do trabalho e etc. Como o sujeito não se acha capaz de conseguir a vaga, se prepara para o fracasso, ao comentar em casa sobre o ocorrido, provavelmente vai receber palavras desencorajadoras, xingamentos e similares. Quando e se ele for escolhido para trabalhar, vai ser um choque tão grande, que ele não vai acreditar, vai achar que é brincadeira, piada ou que só estão fazendo isso para provarem que ele não é capaz. E aí começa a autossabotagem. Atrasos, faltas, doenças psicossomáticas e etc. vão aos poucos fazendo com que a demissão seja inevitável.

E com a demissão vem o alívio, a oportunidade de poder reclamar de novo, de poder viver em paz a própria infelicidade. Isso ocorre não só no âmbito profissional, mas em todos as outras áreas da vida, tornando o individuo refém de si mesmo.

Acredite, nós temos um propósito de vida, encontrar a felicidade. Não tenha medo, não se cobre demais, vá atrás dos seus sonhos!

Coragem e ótima semana!

terça-feira, 5 de março de 2019

Porque ser cobrado é tão difícil?


Como já escrevi aqui algumas vezes, dou muito mais valor à palavra do que a qualquer tipo de documento. Sempre prefiro acreditar primeiro, ao invés de duvidar das pessoas.

Claro que, vivendo em dias tão cheios de “espertos” e mentirosos, meu risco é maior. E não há como negar: já tomei alguns calotes.

Mas sigo aqui, firme e forte, enquanto aqueles que um dia precisaram de mim — e não souberam lidar com isso — talvez morram sem ter minha ajuda novamente.

Existem pessoas em quem nossa confiança é tão grande, que ajudamos de olhos fechados. Sabemos que, mais cedo ou mais tarde, estarão ali para nos apoiar, para retribuir, para devolver aquilo que, um dia, foi necessário emprestar. São pessoas que demonstram preocupação e que você espera com paciência e tranquilidade, até que tudo se ajeite.

Mas, do outro lado, estão aqueles que convenientemente se esquecem do que pediram, do que precisaram. Talvez imaginem que você tenha esquecido também.

Isso porque existem pessoas que, como eu, não cobram, não pedem nada de volta — apenas esperam pela dignidade do outro.

Contudo, há quem não saiba esperar. Ou quem prefira lembrar, sim, aos devedores as dívidas assumidas. E, nesses momentos, muitos se revoltam. Esquecem o favor que receberam e atacam justamente quem os ajudou. Reclamam da cobrança, como se fosse uma ofensa. Vivem em um mundo invertido, onde, em vez de assumirem suas responsabilidades, atacam quem apenas pede que cumpram o combinado.

Pessoas que não gostam de ser cobradas, muitas vezes, vivem cercadas por mentiras. Gastam o que não têm, fingem que possuem o que não podem manter. Pagam a conta da balada com um cartão que não será quitado, compram cerveja com o dinheiro que talvez alguém estivesse contando para comprar arroz e feijão.

Vemos nas redes sociais inúmeras queixas de quem assiste colegas curtindo a vida enquanto deixam pendências por todos os lados — e ainda se sentem ofendidos quando são lembrados disso.

Nesses dias malucos, o nome vale pouco. Dívidas se acumulam e caducam pela lógica falha do nosso sistema, permitindo que muita gente compre o que não pode pagar, use, abuse... e cinco anos depois recomece do zero. Ainda assim, se dizem injustiçados quando recebem ligações de cobrança.

Para quem não sabe ser cobrado, o mundo ideal seria cheio de privilégios — mas sem esforço, sem renúncia, sem compromisso.

Tenho receio das gerações que ainda estão por vir...

Boa semana.


Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...