segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Desemprego

A maior cidade do país, segundo o último censo, tem pouco mais de 12 milhões de habitantes. Isso explica o trânsito caótico em qualquer hora do dia, lugares lotados em todas as direções e eventos simultâneos reunindo pessoas completamente diferentes.

Essa quantidade de pessoas supera a população de muitos países do mundo, como nossa vizinha Bolívia, a desenvolvida Bélgica e até mesmo Portugal, nosso colonizador. Enquanto isso, o Uruguai, vizinho ao sul, tem apenas um terço da população de São Paulo.

No momento atual, a taxa de desemprego no Brasil está em 5,8%, o menor nível já registrado desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012, mas ainda assim a população desempregada é maior do que a população do nosso vizinho, Uruguai. A queda ocorreu em 18 dos 27 estados, e a taxa de subutilização caiu para 14,4%, mostrando que o mercado de trabalho está mais aquecido. Ainda assim, milhões de pessoas continuam sem trabalho fixo ou renda segura, enfrentando diariamente a incerteza sobre o futuro.

São muitos os fatores que colaboram para a fragilidade social. Entre eles, o mais grave continua sendo a falta de educação básica de qualidade, que impede a formação de profissionais em áreas fundamentais.

Vagas existem, mas são poucos os candidatos realmente capacitados. E para capacitar pessoas, é necessário investir em educação. Com educação de qualidade, as pessoas aprenderiam a votar com consciência. E quem vota com consciência escolhe representantes comprometidos com o bem coletivo.

O desemprego e a subutilização da mão de obra geram efeitos sérios. Criam violência, porque pessoas desesperadas fazem qualquer coisa para alimentar a família. Criam inconsequência, porque muitos jovens preferem o caminho do crime por não enxergarem no trabalho um futuro. Criam doenças, porque dificultam o acesso à saúde. E assim se multiplicam as consequências sociais.

Enquanto isso, pequenos e médios empreendedores continuam sofrendo para se adequar às exigências fiscais e trabalhistas. Já os grandes conglomerados enriquecem cada vez mais, usando mão de obra barata, com jornadas que reduzem a vida do trabalhador a dormir e trabalhar. E se alguém não aceita essas condições, sempre haverá outros dispostos a ocupar a vaga.

Não é difícil imaginar que ainda temos um longo caminho para que esse país melhore. Seria necessário substituir o egoísmo pela compaixão, a corrupção pela honestidade. Seria necessário eleger pessoas que se importam, que compreendem o que é empatia, que transformem riqueza em oportunidade e que elaborem planos para todos, e não apenas para grupos restritos.

Um país com milhões de pessoas empregadas, produzindo e consumindo mais, se tornaria muito mais rico. Mas a quem isso realmente interessa?

Enquanto isso, para quem procura emprego, desejo sorte. Para quem já tem, por pior que pareça, agradeça. Ter trabalho no Brasil ainda é quase um privilégio.

Boa semana!

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Divórcio

Nos últimos dias, acabei refletindo bastante sobre relacionamentos e sobre como o casamento ainda é visto de formas tão diferentes pelas pessoas.

Ouvi uma fala interessante sobre o divórcio, lembrando que desde os tempos de Jesus já existia a possibilidade de um homem “demitir” sua esposa, enquanto ela precisava voltar à casa da família. Hoje não há mais essa “demissão”, mas a desistência do casamento continua sendo comum.

Percebo que muita gente casa mais pela festa, pelo momento, para ter camiseta personalizada, dezenas de padrinhos e madrinhas, festa e comilança, do que por realmente saber o que está fazendo com o próprio futuro.

A união harmônica de duas pessoas sob o mesmo teto depende de muitos fatores, muito além da paixão e do desejo, que às vezes ainda estão à flor da pele no casal.

Claro que não é possível admitir que duas pessoas permaneçam juntas se não houver mais confiança, cumplicidade, carinho e outros bons sentimentos. Mas muitas vezes esses sentimentos nunca foram testados de verdade. Só a parte boa do relacionamento foi vivida, e o casal não tem ideia das dificuldades de uma vida a dois.

Então, em alguns casos, tentam ter um filho para trazer algo novo ao casamento. Mas sem experiência de vida e com dificuldades afetivas, emocionais e até mesmo financeiras, um filho pode até piorar a relação. A criança não tem culpa de nada, mas infelizmente acaba sendo usada em disputas quando ocorre um divórcio.

O divórcio está na lei, é permitido, e deve ser utilizado quando não há mais chances para o relacionamento. Mas o que as pessoas precisam é pensar muito, mais muito mesmo antes de firmar um compromisso como o casamento.

Namorem, sejam felizes, conheçam mais profundamente um ao outro. Ao invés de planejar apenas a festa, os convidados, as bebidas e comidas, planejem etapas de vida, simulem a vida a dois, tirem todas as dúvidas sobre o outro. Não se percam em um labirinto desconhecido que pode ter uma entrada festiva, mas pode não levar a nenhuma saída.

Pensem nisso e tenham uma ótima semana!


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Rotatividade de Funcionários

Esta semana vou continuar a escrever sobre psicologia organizacional, ou seja, voltada para o trabalho.

O assunto será a rotatividade dos funcionários e colaboradores.

Existem dois pontos importantes a serem tratados nesse tema.

O primeiro diz respeito à incapacidade de alguns gestores que têm em seu departamento uma rotatividade maior do que a esperada. Normalmente, esses gestores colocam a culpa nos funcionários contratados pela empresa. Em alguns casos eles podem até ter razão, mas quando a maioria dos contratados não permanece por um tempo razoável, isso é um claro sinal de má administração de pessoal.

Nesse cenário, a empresa pode perder talentos que foram desperdiçados pela falta de habilidade, conhecimento e capacidade do chefe da seção ou departamento.

O segundo ponto está nos colaboradores acomodados em seus cargos, que não pensam em evoluir. Querem apenas garantir o pagamento no final do mês, de preferência com pouca ou nenhuma responsabilidade no trabalho.

Esses, à primeira vista, parecem bons funcionários, normalmente longevos na empresa. Porém, na prática, podem estar ocupando o cargo de alguém promissor que está disponível no mercado de trabalho.

Todo colaborador precisa ter um pouco de ambição, vontade de aprender, crescer e evoluir junto com a organização.

Todos perdem quando alguém se acomoda, pois fica a impressão de que está tudo bem, que o resultado é suficiente e que é possível pagar salários e contas sem maiores esforços. Na realidade, os concorrentes vão, pouco a pouco, conquistando espaço, e o comodismo tende a se transformar em fracasso.

Ambição não significa passar por cima dos colegas, nem usar outras pessoas como escada. Ambição pode ser a melhor maneira de crescer e alcançar novos objetivos.

Nenhum atleta se torna o melhor em seu esporte sem a ambição de melhorar e evoluir. Da mesma forma, nenhum assistente se torna diretor se não aprender e lutar por isso.

Portanto, é preciso atenção tanto aos funcionários que saem cedo demais e com grande frequência, quanto àqueles que permanecem muito tempo no mesmo lugar sem demonstrar evolução.

Uma semana cheia de crescimento e evolução para todos nós!

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Sei que devia ser Feliz, mas não consigo!


Não tenho tudo o que eu quero, mas tenho muito mais do que eu preciso.
E quando quero algo, procuro me esforçar ao máximo para obter, mas depois parece que não sinto a mesma necessidade daquilo, do que quando ainda não tinha.
Posso ter um casamento maravilhoso, mas parece que as pessoas de fora o enxergam muito melhor do que eu. Posso ter os filhos que eu sempre sonhei, mas me sinto incapaz de fazer por eles tudo o que eles precisam, apesar de em momentos eles pedirem para eu parar de tentar agradá-los.
Posso ter um carro bacana e ainda assim, quando tenho vontade, o que é comum porque nada me agrada, troco por um mais legal ainda.
Reúno meus amigos para churrascos em casa em alguns fins de semana e todos sorriem muito e se divertem, menos eu. Mas como não sei porque, sempre digo sob um sorriso falso que está tudo bem.
Outro dia cometi o erro de desabafar para um colega do trabalho esse meu sentimento estranho. Disse que não estava feliz com a minha vida, só isso.
Pouco tempo depois comecei a ver as pessoas olhando de forma diferente para mim, com um certo ar de desprezo e raiva.
Ouvi partes de conversas entre colegas cochichando coisas como “O cara reclama da vida com aquela mulher! Deve ter descoberto que é Gay”, “Com aquele carro eu seria feliz até por trabalhar nesse lugar”, “O Cara é chefe, ganha bem e vem com esses papos”.
E foi assim que eu desisti de procurar ajuda.
Não fui capaz e entender o meu erro, eu tinha tudo para ser feliz, eu queria ser feliz, mas não consegui.
Não podia mais comentar nada com ninguém, todos achavam que era frescura, coisa de rico sem nada para se preocupar ou que eu estava falindo e não ia saber viver como pobre, mas não era nada disso.
Eu só não conseguia ser feliz.
Então tentei encontrar a felicidade no fim. Para mim não foi uma questão de desistência, foi uma tentativa desesperada de curar o que eu sentia e mais ninguém sentia por mim.
E foi assim que eu fui embora, não de casa e nem do trabalho, fui embora da vida.
Agora vejo os colegas que me zombavam boquiabertos com a minha decisão, mas ainda assim me culpando e me difamando, pois só poderia ser um covarde para abrir mão de uma vida tão boa. E minha família, que nunca soube o que eu sentia, agora também não consegue ser feliz.
Eu devia ter procurado ajuda. Danem-se se me chamassem de louco, que vissem meus remédios, que soubessem que reservei uma hora na semana para a terapia. Hoje eu sei que se tivesse feito isso, enxergaria os motivos que eu tinha para ser feliz.

Amigos, a depressão não tem idade, sexo, raça, religião e nem classe social. Estamos neste plano para procurar a felicidade, se não conseguimos encontra-la em nada, é hora de procurar ajuda e conseguir ter a vida de volta.
Pensem muito nisso e espero vocês na semana que vem!

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Marketing Pessoal


Nos dias atuais, não é mais suficiente apenas ser bom na sua área ou acumular conhecimentos para fomentar o currículo. Talvez isso nem seja o mais importante, infelizmente.

O marketing pessoal acaba tomando o lugar do conhecimento, da prática e das habilidades e, em muitos casos, apenas após a contratação de pessoas ou serviços os contratantes descobrem que a imagem não condiz com o resultado.

Existem profissionais especializados em marketing pessoal, ou seja, pessoas que se capacitaram na criação de personagens para a vida real, sem se preocupar se essa ficção vai causar danos reais a quem fecha um contrato com alguém que, efetivamente, não existe.

Até “especialistas” em currículo encontramos com facilidade em anúncios por aí. E, se uma empresa desavisada contrata sem a devida entrevista comprobatória das aptidões descritas, acaba “caindo do cavalo”.

O inglês é um caso típico. Em muitos currículos, o “inglês fluente” aparece, mas, na hora da conversa, por vezes o candidato não entende nem as perguntas básicas. O Excel é outro forte argumento utilizado nos currículos, mas, sem conhecimento de matemática, fica difícil criar uma fórmula.

Há muito tempo sabemos que muita gente compra produtos por conta da embalagem, livros pela capa, filmes por uma sinopse bem feita. Mas chegamos a um momento tão deprimente no qual “compramos” pessoas pela sua imagem.

Curtidas, compartilhamentos e visualizações são mais efetivos do que o resultado na prática. Adolescentes que viram celebridades, pseudojornalistas que ganham fama por tuitar opiniões compradas para angariar eleitores, busca incessante pela fama. Tudo isso se torna mais relevante do que o caráter e a qualidade.

Sem marketing pessoal, o bom profissional não sobrevive. E, com o marketing pessoal, ele concorre com tantos outros que antigamente não teriam espaço se não buscassem o aprimoramento.

Portanto, tenha cuidado ao contratar alguém ou ao se deixar influenciar por “celebridades”. Procure informações, dê mais atenção às críticas do que aos elogios e, principalmente, não pague mais apenas para parecer chique. Muitas vezes, os melhores serviços vêm de onde menos se espera.

Boa semana!

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...