segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Sinastria

Você já deve ter ouvido falar em mapa astral.
Mas talvez não conheça a sinastria, que é, em linhas gerais, a análise da interação entre dois mapas, ou seja, a leitura simbólica de como duas pessoas se conectam.

A sinastria é mais conhecida entre casais, justamente porque busca entender afinidades, contrastes e formas de convivência. Mas, mais do que prever o que pode acontecer, ela desperta uma pergunta importante: como cada um de nós reage quando o outro nos espelha?

Na psicologia, costumamos ver o relacionamento como um encontro de histórias. Cada pessoa carrega valores, medos, feridas e esperanças. E é no convívio que essas partes se revelam. A sinastria, quando vista de modo simbólico, pode funcionar como uma metáfora para isso: dois universos se sobrepondo, tentando achar o ponto em que se tocam sem se anular.

O mais interessante é que, tanto na astrologia quanto na terapia, não há destino fixo. Existem tendências, repetições, padrões. E o que realmente transforma é a consciência sobre eles.
Saber onde estão as dificuldades não serve para desistir, mas para escolher com mais clareza como agir diante delas.

Na terapia de casal, trabalhamos algo parecido: as afinidades que sustentam a relação e os choques que a desafiam. O autoconhecimento de cada um é o que torna possível a convivência. O problema nunca é o mapa, é o que fazemos com ele.

Uma relação harmoniosa não nasce do encaixe perfeito, mas do movimento constante entre aproximação e respeito. Mesmo o par mais diferente pode crescer junto quando existe vontade de compreender e de ajustar o ritmo.

A sinastria, portanto, pode ser lida como um convite à reflexão. Não para definir se o casal combina, mas para pensar como cada um pode cuidar melhor do que sente, do que projeta e do que entrega ao outro.

Empresas, famílias e grupos também vivem essa dança simbólica. Onde há convivência, há sinastria. Há energia trocada, influências sutis e a necessidade de compreender o impacto que causamos.

Informação é sempre bem-vinda, mas o olhar humano é o que dá sentido a ela. Entender o outro começa com a disposição de se conhecer.

Que cada encontro seja uma chance de aprender a se ver através dos olhos de quem caminha ao nosso lado.

Boa semana!

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Quando a gravidez não acontece


Muitos casais tem o sonho de ter um ou mais filhos. Ainda quando namoram, planejam, sonham, pensam nos nomes das crianças, imaginam os pequenos dando os primeiros passos, as primeiras palavras, os primeiros dias na escola.

Mas, como tudo na nossa vida, nem sempre o que imaginamos acontece, nem sempre as coisas dão certo. Por vários motivos em alguns casos o filho não vem, a gravidez não acontece.

Depois de inúmeras tentativas, a tendência é que o casal busque respostas e descubra que um deles, ou até mesmo ambos, clinicamente não seja capaz de gerar o tão sonhado rebento. E nesse momento é que alguns problemas podem aparecer.

O mais comum é a sensação de culpa daquele que foi constatado como não fértil, que não tem a capacidade de ajudar o companheiro a gerar o filho. A sensação de culpa pode afetar o relacionamento, o comportamento pessoal e até mesmo o profissional. E há ainda, em muitos casos, a culpa velada que o parceiro saudável coloca, muitas vezes até inconscientemente no seu par.

Também existe a possibilidade do casal se sentir injustiçado por instâncias divinas. É muito comum ouvir que algumas pessoas sem vontade alguma de engravidar, engravidam e que o filho vai ser um problema, enquanto quem tanto quer não consegue.

Quando a gravidez não acontece, o casamento, se não for bem sólido, pode chegar ao fim, o desejo pode diminuir, a frustração pode ser avassaladora, pois todos aqueles planos e sonhos da juventude se esvaem quando a notícia é recebida.

Mas as coisas não precisam e nem devem ser assim.

Apesar da resistência, do tabu, da sensação única de dar luz à uma criança, ainda assim é possível ter filhos e amar a eles incondicionalmente. Seja através de inseminação artificial, seja por uma “barriga de aluguel”, mas principalmente através de uma adoção.

Muitas crianças são abandonadas ou relegadas ao destino por alguns daqueles casais que não queriam engravidar, mas engravidaram, por situações que impedem os pais de criar um filho, por morte da mãe no parto e ausência da família para ficar com o bebê que conseguiu nascer.

O importante é doar o amor que preparou durante anos, não o transformar em frustração e dor. O Amor é algo tão raro, tão bonito, que não pode ser deixado de lado.

Se a gravidez não vier, não culpe a si ou ao seu par. Não destrua a felicidade compartilhada, não desista de amar. Adote, cuide de uma vida que já existe e a transforme. Tenho certeza que a realização, se não for ainda melhor, ao menos será a mesma.

Boa Semana!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Solidariedade


A palavra solidariedade tem muitas definições, mas aqui ela significa o ato ou o sentimento de bondade e empatia em relação ao outro.
É a ajuda sem espera de retorno.
É estender a mão por generosidade, não por interesse.

Se quisermos resumir ainda mais, ser solidário é fazer o bem.
É doar sangue pensando nas vidas que pode salvar, e não nas horas de folga que vai ganhar.
É doar roupas em bom estado em vez de deixá-las esquecidas ou jogá-las fora.
É devolver o troco a mais que recebeu, mesmo sabendo que ninguém notaria o erro.
Solidariedade é agir com consciência e compaixão, mesmo quando ninguém está olhando.

O que torna o mundo mais difícil de viver é justamente a falta desse sentimento.
O egoísmo domina.
Enquanto poucos acumulam fortunas para alimentar seus próprios desejos, bilhões de pessoas ainda lutam para sobreviver, sem o básico para viver com dignidade.

A indiferença diante da dor do outro também fere.
Julgar é fácil, mas o julgamento não cura.
Um gesto de afeto, uma escuta atenta ou uma palavra de carinho podem significar muito mais do que qualquer discurso.

Para ser solidário, é preciso ter empatia.
É preciso compreender antes de criticar, acolher antes de apontar.
Ser solidário é perceber que alguém precisa de ajuda e agir por vontade genuína, sem registrar o momento, sem postar nas redes, sem transformar o ato em vitrine.

O verdadeiro gesto solidário nasce do coração.
É sincero, honesto e comprometido com o bem do outro.
Ser solidário é sentir a dor que não é sua e, dentro do possível, fazer algo para diminuir a distância entre o que sobra e o que falta.

Não adianta doar sangue e ignorar quem morre de frio.
Não adianta doar um agasalho e discriminar quem pensa diferente.
Não adianta entregar uma cesta básica e celebrar a violência contra quem é diverso.
Solidariedade e preconceito não coexistem.

Cuidar do próprio futuro é importante, mas não deve ser uma desculpa para ignorar o presente de quem sofre.
O mundo melhora quando cada um faz a sua parte, com o que tem e com o que é.

Não sabemos como será o nosso amanhã, mas sabemos que ele continuará difícil para muita gente.
E cada gesto de bondade conta.

Boa semana!

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Culpa e Responsabilidade

Existe um abismo emocional entre a culpa e a responsabilidade.

Por vezes, você pode achar que são a mesma coisa. Se fez algo errado, que atrapalhou a vida de outras pessoas ou a sua própria, tende a dizer que a culpa é sua. E será mesmo, se você não assumir a responsabilidade pelos seus atos.

A culpa, sem a responsabilidade, traz apenas problemas. Além de ser impossível mudar qualquer atitude do passado, ela causa baixa da autoestima, sofrimento e arrependimento.

Quando, em vez de se sentir culpado, você se sente responsável pelo erro, o foco emocional muda completamente. É saudável admitir uma falha, e isso torna menos provável que ela se repita. Ao assumir a responsabilidade, você tem o controle da situação. Em vez de ficar escondido no canto da culpa e do castigo, age, busca consertar e não perde tempo sonhando em mudar o passado.

Em casos extremos, algumas pessoas se percebem nas duas situações ao mesmo tempo: assumem a responsabilidade, ajudam, atuam, mas, por dentro, sentem-se culpadas por tudo. Nesse caso, não é possível encontrar a paz necessária para a mudança de comportamento. Assumir a responsabilidade sem culpa é o que permite que não fiquem sequelas emocionais dos erros cometidos, mesmo quando reparados.

Ao não deixar a culpa ir embora, a sensação de mal-estar se torna constante, e nenhuma punição parece suficiente. Em situações graves, a pessoa chega a pensar que não é justo permanecer viva depois do que aconteceu.

Mas talvez você se pergunte: como não me sentir culpado se eu sei que errei? A resposta é simples: sinta-se responsável, assuma seu erro e continue vivendo. Livrar-se da culpa não significa se livrar da responsabilidade. Significa apenas deixar para trás um sentimento que pode trazer consequências ainda piores do que as que já aconteceram.

Quem se sente culpado muitas vezes não se considera digno de ter um bom salário, um relacionamento saudável ou até mesmo de cuidar da própria saúde.

A responsabilidade, por sua vez, sempre vai existir. Nos casos mais graves, como atos violentos, a pessoa precisará assumir as consequências e pagar de acordo com a lei. E, se não houver mais condição de ter uma vida exterior em virtude disso, que ao menos sirva de exemplo para os outros.

Já nos casos corriqueiros, como o arrependimento pelo fim de um relacionamento ou pela troca de emprego, se algo der errado, assuma a responsabilidade, levante a cabeça e siga em frente. Sem reclamar de si mesmo, sem se lamuriar e sem tentar imaginar como estaria se tivesse feito outra escolha.

A vida é de cada um. Assim como suas escolhas. E assim como suas responsabilidades.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

A Comunicação no Relacionamento


É fato que a comunicação é algo extremamente importante em nossa vida. A forma como falamos, o tom da voz e as palavras que escolhemos podem fazer toda a diferença em um conversa.
Comunicar-se de forma errada pode causar vários danos, profissionais, emocionais e afetivos.
Em um relacionamento, a comunicação parece ser ainda mais importante, principalmente quando as pessoas ainda estão se conhecendo. E a explicação da comunicação se faz fundamental para o bom andamento da relação.

Pessoas são diferentes, sentem de formas diferentes e também entendem de formas diferentes. Por padrão, as pessoas tendem a criar julgamentos baseadas em seus próprios atos e valores. Dessa forma, pode entender uma mensagem de forma equivocada por não saber que a comunicação do outro é feita de maneira diferente da qual ela acha correto ou comum.

Uma pessoa que por natureza fala alto, não necessariamente está sempre brigando, assim como aquele que fala com o tom mais perto do sussurro nem sempre está escondendo alguma coisa. São maneiras diferentes de se expressar apenas.

Há aqueles que falam já esperando uma resposta, mas que podem encontrar uma pessoa mais fechada, tímida, que prefere absorver a informação e ficar quieta. Ou então os mais pragmáticos, que respondem apenas se a pergunta for formulada diretamente.

Existem também os que falam por enigmas ou indiretas, que fazem colocações para atingir uma pessoa que possa estar ouvindo ou lendo, mas sem participar diretamente da conversa. E por vezes esses alvos entendem e recebem a informação.

Mas, há aqueles, categoria na qual me enquadro particularmente, que sempre pensam de forma direta, sem entender as indiretas e sem entender grande parte das ironias.

Nesse caso, a comunicação precisa se ajustar, para que a mensagem do interlocutor chegue de forma correta aos ouvidos do seu alvo.

Portanto lembrem-se, a famosa frase “Sou responsável por aquilo que eu disse e não pelo que você entendeu”, é real, mas de nada serve se sua mensagem não for recebida com sucesso.

Boa Semana a Todos!

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...