segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Culpa e Responsabilidade

Existe um abismo emocional entre a culpa e a responsabilidade.

Por vezes, você pode achar que são a mesma coisa. Se fez algo errado, que atrapalhou a vida de outras pessoas ou a sua própria, tende a dizer que a culpa é sua. E será mesmo, se você não assumir a responsabilidade pelos seus atos.

A culpa, sem a responsabilidade, traz apenas problemas. Além de ser impossível mudar qualquer atitude do passado, ela causa baixa da autoestima, sofrimento e arrependimento.

Quando, em vez de se sentir culpado, você se sente responsável pelo erro, o foco emocional muda completamente. É saudável admitir uma falha, e isso torna menos provável que ela se repita. Ao assumir a responsabilidade, você tem o controle da situação. Em vez de ficar escondido no canto da culpa e do castigo, age, busca consertar e não perde tempo sonhando em mudar o passado.

Em casos extremos, algumas pessoas se percebem nas duas situações ao mesmo tempo: assumem a responsabilidade, ajudam, atuam, mas, por dentro, sentem-se culpadas por tudo. Nesse caso, não é possível encontrar a paz necessária para a mudança de comportamento. Assumir a responsabilidade sem culpa é o que permite que não fiquem sequelas emocionais dos erros cometidos, mesmo quando reparados.

Ao não deixar a culpa ir embora, a sensação de mal-estar se torna constante, e nenhuma punição parece suficiente. Em situações graves, a pessoa chega a pensar que não é justo permanecer viva depois do que aconteceu.

Mas talvez você se pergunte: como não me sentir culpado se eu sei que errei? A resposta é simples: sinta-se responsável, assuma seu erro e continue vivendo. Livrar-se da culpa não significa se livrar da responsabilidade. Significa apenas deixar para trás um sentimento que pode trazer consequências ainda piores do que as que já aconteceram.

Quem se sente culpado muitas vezes não se considera digno de ter um bom salário, um relacionamento saudável ou até mesmo de cuidar da própria saúde.

A responsabilidade, por sua vez, sempre vai existir. Nos casos mais graves, como atos violentos, a pessoa precisará assumir as consequências e pagar de acordo com a lei. E, se não houver mais condição de ter uma vida exterior em virtude disso, que ao menos sirva de exemplo para os outros.

Já nos casos corriqueiros, como o arrependimento pelo fim de um relacionamento ou pela troca de emprego, se algo der errado, assuma a responsabilidade, levante a cabeça e siga em frente. Sem reclamar de si mesmo, sem se lamuriar e sem tentar imaginar como estaria se tivesse feito outra escolha.

A vida é de cada um. Assim como suas escolhas. E assim como suas responsabilidades.

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