segunda-feira, 29 de junho de 2020

Ano 4



1976 e assim como os anos anteriores, muito pouca coisa de interessante aconteceu na minha ainda pequena vida.

A vida em casa ficava mais difícil e para conseguir dar conta das 3 crianças, minha mãe começou a receber ajuda do meu tio ( Marido da Minha Tia ).

Meu pai era ainda mais ausente e distante e uma das poucas coisas que eu ainda consigo me lembrar um pouquinho, sensações e gotas de imagens, foi uma viagem à São Roque, desta foto acima.

Provavelmente porque esse foi um dos raros momentos de felicidade desse período.

Por vezes é melhor não ir atrás do que pode existir em um passado tão distante, por vezes as lembranças podem ser doloridas e além de não mudar nada, pode ainda piorar estados mentais que estão complicados.

Quando as lembranças não me pertencem, fica ainda mais difícil.

Não foi um ano de grandes decisões, de grandes mudanças e se tudo fosse desse mesmo jeito, hoje não haveriam palavras para escrever essa lembrança.

O ano de 1977 foi diferente e sobre ele escrevo em algumas semanas, mas o que posso dizer é que esse ano sim, foi responsável por muitas coisas que existem hoje em dia!

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Silogismos

Não sou o mesmo com todo mundo.
Nem o mesmo todos os dias comigo.
Vivemos em eterna mudança
Causa e consequência

Se estou bonzinho contigo
É porque fizeste por merecer isto.
Se não ganha um sorriso meu
É porque simplesmente não mereceu

O dia hoje pode parecer lindo
Mesmo chuvoso e nublado
Pois se acordo bem, tudo se resolve
O meu bom dia já é sorrindo

E o mais lindo dia de sol
Pode parecer o pior dia de todos
Se acordo triste ou chateado
Ninguém será me farol

Não necessariamente nesta ordem.
Nem bem, nem mal, nem mesmo igual.
Porque não há nada realmente absoluto.
Apenas a burrice da unanimidade.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Por quê insistir em um relacionamento que não deu certo?

Muitas pessoas tem medo, até mesmo pavor só ao pensar em ficarem sozinhas.

É como se ficassem à margem da necessidade social de estar sempre dividindo a vida com alguém, seja um namoro, morar junto, casamento, ou até mesmo encontros fixos com pessoas que já são casadas, mas fazem com que se afaste a ideia da solidão.

Emocionalmente é sabido que quem não consegue ficar sozinho, é porque não suporta a si mesmo e busca em utras pessoas uma razão, um sentido para a vida. Mas ao não conseguir viver sozinha, essa pessoa já mostra como será difícil para outra pessoa conviver com ela.

Precisamos, todos, de um pouco de tempo para o autoconhecimento, para a nossa própria evolução e para entender que se for para ter outra pessoa ao nosso lado, tem que ser para somar, para melhorar um dia que amanheceu ruim, para amenizar uma noite que parecia fadada ao tédio, para deixar o coração mais leve e tranquilo.

Relacionamentos que precisam de muito trabalho para continuar, que precisam de sofrimento, discussões, brigas e explicações, são responsáveis por grande parte dos problemas de ansiedade, depressão, entre tantos outras ramificações que derivam destes dois e criam severos problemas de saúde mental.

E tentar salvar relacionamentos que estão naufragando à deriva apenas para fugir da solidão é como ser a chapeuzinho vermelho que vive fugindo do Lobo Mau, mas nunca se afasta dele;

É querer o tempo todo justificar o sofrimento com um possível amor, o ciúme com um pseudo cuidado, a insegurança com a máscara da confiança.

É colocar nas costas dos filhos o peso das brigas, criar o mito de sofrer em nome da família para suportar um casamento que acabou há tempos.

Queridos, relacionamentos só podem existir se foram bons, para passar momentos agradáveis juntos, chorar de tanto rir, compartilhar bons momentos e fazer uma linda história. Pedras no caminho? Sim, podem ter, mas que possam ser facilmente desviadas, pois quem coloca uma montanha em seu caminho, não lhe fará bem.

Liberdade, carinho, respeito e fundamentalmente amizade. Se seu par não é seu amigo, ele fará o que for preciso para lhe afastar dos seus. E entre viver sozinho e com uma única pessoa que te afasta de todos os outros, não há a menor dúvida de que a solidão é muito mais atraente.

Nosso tempo é curto demais para desperdiçarmos com lágrimas de tristeza ou dúvidas com relação às pessoas que farão parte da nossa vida, porque, no final das contas, quem vai passar a jornada toda ao seu lado é apenas e tão somente você mesmo!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

O Medo e a Vergonha

Como já escrevi e até falei em um dos vídeos que gravei, o medo é fundamental para a sobrevivência do ser humano, mas em excesso pode ser perigoso.

Mas existe um tipo de medo diferente que normalmente aparece quando alguém faz alguma coisa social ou moralmente considerada incorreta e tem medo de ser descoberto. O chamado medo da vergonha.

O Problema desse medo é que ele pode causar danos em outras pessoas, pois o medo da vergonha é o medo de ser descoberto e se há algo para esconder, é para esconder de alguém.

Podemos citar inúmeros exemplos, mas vamos falar aqui sobre dois dos mais comuns, a infidelidade e o uso de drogas.

A infidelidade é uma ambiguidade em muitas culturas, inclusive na nossa. Mesmo que hoje a aceitação seja muito menor do que há 50 anos, o homem que trai ainda é visto como normal e até usa o fato para se sentir superior aos amigos, colegas, ou até mesmo para "não ficar pra trás" dos outros, enquanto a mulher que trai, não tem saída, aos olhos da sociedade vai ser taxada de "vagabunda" para baixo. Em virtude disso, o medo de ser descoberta e passar vergonha é enorme, enquanto para o homem, o medo normalmente se resume a ter que dar explicações para a família, caso o casamento ou relacionamento termine.

O homem, normalmente, também tem vergonha de contar que foi traído e tem medo que essa situação seja descoberta e o faça se sentir menos "macho" por isso.

Com as drogas, a situação é um pouco diferente e até mesmo pior, pois além do medo e da vergonha, em muitas vezes vemos a destruição de vidas e famílias.

No começo o usuário tem medo de ser descoberto, mas gosta da excitação, do risco e da sensação que a droga proporciona. Só que depois vem a dependência e com ela o medo passa a ser de não conseguir a droga, de não conseguir pagar e a vergonha desaparece, junto com a alma, junto com a personalidade.

Quando é possível abandonar o uso, desintoxicar e voltar à vida normal, a vergonha fará parte do cotidiano, e o medo de que pessoas descubram e julguem o passado, tende a ser grande.

Qual o melhor caminho? Agir de acordo com suas crenças, valores e palavras, esquecer o "faça o que eu digo e não o que eu faço", fugir da hipocrisia e assumir sua responsabilidade pelos seus atos.

Não há maior vergonha e nem maior medo do que olhar para o espelho e não conseguir mais se enxergar nele.

Boa Semana!




segunda-feira, 1 de junho de 2020

Ano 3


O meu terceiro ano também não trouxe lá tantas recordações.
Pelos mesmos motivos dos anos anteriores. Além de um homem com 47 anos não ter mais a capacidade de lembrar sozinho de coisas tão antigas, exceto raras exceções, a minha memória viva, que é minha mãe, também não tem tantas recordações desse período.

Mas pelo menos uma coisa de interessante aconteceu, fui com ela para Corumbá, sua terra natal.
Minha avó estava adoentada e fomos fazer uma visita. Como minha mãe ainda não trabalhava e eu ainda não estudava, fomos nós dois, meu primeiro passeio de avião.

Corumbá faz parte do Pantanal e imagino que nos anos 70 era ainda mais legal. Estive lá há poucos anos e gostei muito, mas desse primeira viagem, o que encontramos foram fotos, como essa aí de cima, onde aparentemente consegui fisgar um peixe com essa vara que mais parece um pedaço simples de madeira.

Foi um dos poucos momentos com a família do lado da minha mãe. Houveram visitas deles aqui, mas me lembro muito pouco e quando fui os visitar da última vez, percebi que perdi bastante coisa, não tive oportunidade de conviver melhor com meus primos que são pessoas sensacionais, mas pelo menos posso trazer comigo essa certeza e ficar em paz com o caminho que a minha vida tomou.

Foi também no ano 3, que a situação financeira em casa começou a piorar de novo e minha mãe se viu obrigada a procurar trabalho e em uma situação complicada. Com quem deixar o filho menor enquanto trabalhava e os filhos maiores estavam na escola.

Mas essa parte da história, se deu apenas no ano seguinte....

Nos vemos mês que vem.

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...